Cley - boneca encrenqueira

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Por Cley 

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ALÔ! CHEGAY, MUITO GAY! MUITO ALEGRE POR QUE...

Opa, porque eu estava gritando? Uma pessoa linda e renovada que sou, com muito mais classe que o Cley das antigas, não combina com gritos.

Ai, não que eu seja de me arrepender muito das maluquices que faço, mas tem coisa, bafo né, que vamos combinar, dá vontade de prender os dedos na porta como punição.

"Devia".

O que foi isso? Tem barata na área?

Eu até ia contar, mas como não falo da minha vida pessoal, não costumo expor as pessoas que conheço e sou uma senhora discretíssima, sem contar que o autor já começou a dar pitaco, eu vou falar de uma pessoa só por cima, sem detalhes muito detalhados, coisa parcial ou seria imparcial(?).

O saco de pancadas chamado Raul, tá namorando e quem me contou foi o Davi que pediu discrição, então, esse namorado dele é uma das pessoas que eu mais detesto na vida. Alan, uma mona loura oxigenada da sobrancelha preta estilo Malu Mader (meninas, me desculpem, mas a da Bruna Lombardi é bem mais caprichada), magro, estudante de enfermagem, dirige um utilitário vermelho com a roda grudada atrás, tipo o carro do autor...

"Para de expor as pessoas e acelera com os detalhes".

— Vai chupar um pirulito, xô. Ó, tô vendo daqui o grandão saindo do banho. Não tem nada pra fazer?

Pessoa inconveniente, o que é isso? Que desrespeito!

Sobre o Alan, não sei muita coisa, mas sou muito mais eu. Pelo menos não tenho inveja. Até o cabelo, ele descoloriu. Sim, quando cheguei ao Pronto Atendimento cheio de alergia, ele quem fez a triagem comigo. Melhor eu voltar lá pro começo porque nem eu estou entendendo essa salada.

— Jota, vai me ajuda aí... por sua culpa que perdi o foco.

Tipo, ele ficou em silêncio, parece que se chateou comigo.

Lá na fase dourada da adolescência que amei de paixão, eu tinha um colega chamado Alan, filho de professora, moreno claro, mais ou menos da minha altura, todo metido a CDF, cortava quem estava respondendo pra responder o questionamento do professor, se grudava nas minhas amigas, mas não olhava na minha poker face, tirava sarro do meu sobrenome, me chamava de alemão-batata, sendo que sou descendente de polonês e ficava de ouvido em pé para ouvir minhas ideias e sair na frente para comprar, fazer ou ganhar.

Roubou algum namorado meu. Exemplo, Carlito (pé de mesa) foi um ficante bem dotado que me alegrou por uns meses e sabe como descobri que ele tinha ficado com esse Alan? Quando Alan comentou na minha frente que não estava sentando direito. O Juarez (cebolito) tinha um hálito meio estranho, mas tirando isso, era um gatinho louco de querido, pois ele terminou comigo mastigando o tridente de menta que eu tinha oferecido para o Alan. O Alfredo (casado e morador de Nárnia), um dia perguntou se eu tinha um irmão que fazia programa e quando o coloquei na prensa, com muita delicadeza claro, ele disse que havia saído com um loirinho de olhos azuis que era a minha cara.

Deixa eu contar... dias depois, Alan aparece com o cabelo pintado e lentes azuis. Então eu exercitei toda a minha "arianidade" e menti para as meninas que um velho tarado, passivo, que o Davi teve que pegar lá nos primórdios da sua vida adulta, me bancou a noite inteira, que era carinhoso, que me deu de presente um Acqua di Gio e andava pensando em casar com alguém maravilhoso como eu...

Fiquei uns anos sem saber nada sobre o Alan, parece que andava meio fugido e não sei por que. De certo porque o cidadão havia se apaixonado fácil por ele, com aqueles olhos azuis super falsos.

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