Suzi e Valdizão - do livro Mini Romances Light
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Oh meu povo, sou eu o Valdir, Valdizão, e não apareço muito por aqui. Não sou bom nessas coisas de narrativa porque sou meio "simplão", mas já que apareci contarei das minhas andanças, como que estou junto com minha rainha e que ainda estamos em pazis com tudo tranquilis, sossegadis.
Comigo é paz e alegria sempre!
Vou contar algumas coisas que minha nega faz que amarra esse homem, já que o cara que escreve não entrou nos detalhes suculentos da minha relação com a Suzi no nosso primeiro conto.
Suzi minha rainha. Vamos respeitar, faz favor.
O que é isso negão, tá estressado?
Eu?
O Valdizão não estressa. Nessa vida nada é pra sempre. Não vale a pena estressar. Problema todo mundo tem e se não dá pra fazer gozação com os problemas a gente resolve e continua vivendo.
— Eu não acredito, Valdir! Eu tô com tanta sorte, ganhei na loteria!
Ai meu Jesus não faz isso com esse homem aqui. Será mesmo que fiquei rico?
— Oh Suzi, não acredito. Deixa eu ver... — começo a conferir o bilhete e não é que acertamos mesmo. Ah São Benedito!
— Agora vou esfregar na cara da Tere que também ganhamos e deu muito mais que os 214,03 que ela ganhou e ficou se gabando desde aquela época. Até hoje se acha a pessoa mais sortuda do mundo.
— Não precisa fazer afronta, Suzi. Fica na paz, minha flor.
— Paz com a Tere? Um cacete! Ela se acha a melhor na feijoada. Acha que o Charles é melhor do que você no cavaquinho. Fala que vende mais Avon do que eu. Não aceita ficar por baixo.
— Quanto será que dá esses 14 números da lotofácil? Porra, mais unzinho e a gente pegava dois milhões de "cruzeiros".
— Não queria nem cem mil, Valdir. Só quero que dê um real a mais do que a Tere ganhou pra calar aquela boca gigante.
Mulheres!
Quando as bicha querem encrencar ficam se provocando com picuinha. Rivalidade entre elas é uma coisa que se aprecia de longe. Eu, cidadão da paz, só queria que a paz ficasse entre nós, irmãos. Amém?
Eu tenho medo. Confesso sem medo. Fêmeas são o paraíso, mas quando estão de boas com a vida, senão...
Deixa pra lá e vamos mudar de assunto que isso é complicadis.
Poxa, fiquei faceiro de verdade. Quarta passada, dia 16, acertamos 14 números na lotofácil e deu quase mil e quinhentos reais de prêmio. E pra gente que é pobre e conta as moedas pra comprar o pãozinho ali no final do mês, essa ajuda foi mais que bem vinda.
Poderíamos viver alegres, pagar umas continhas, assar uma "perninha de grilo" pra acompanhar uma cerveja bem geladinha e no meu caso, comprar duas calças novas e só felicidade...
Sim, fizemos isso tudo, rendeu a grana, mas como vocês sabem, dinheiro na mão é vendaval. E Suzi tinha uma pendência, se posso chamar assim... Esfregou na cara da Tere, que só disse:
— Grande coisa. Quanto mais dinheiro se ganha, menos se aproveita.
— Inveja é uma merda, Tere.
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Contos Extras
Historia CortaBônus! Contos extras são momentos pós finais de histórias minhas. (já terminadas) Antes eu costumava escrever os capítulos bônus nos livros prontos, aí tive uma ideia de colocá-las todos em um único compilado. Assim posso misturar os personagens e u...
