Francisco e Carlinho - Bolo de amor

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Francisco - Bombonzinho e o Policial

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Um dos sonhos que sempre sonhei, era o sonho de ser pai.

Eu nunca conheci meu progenitor e não tive um modelo masculino presente em minha criação e educação. Tudo o que eu tive foi uma mulher grandona, severa, amargurada e que certamente fez o que era o seu melhor. 

Eu fui bastante revoltado por não ter um pai e já tive raiva de minha mãe. Inclusive, falei sobre isso e também que quando nos entendemos a partir de uma aceitação minha na adolescência, passei a construir uma relação de afeto com ela, que com tanto sacrifício me proporcionou o básico para que não me faltasse oportunidade de ter uma vida simples e digna.

Em oposto ao Carlinho, Túlio, Davi e alguns amigos do próprio Carlinho, sou bastante discreto sem trejeitos, mas não é regra do macho ativo na hora do sexo, certo? Faço o tipo ítalo turrão, grande e desajeitado. Não sou lido como homem bonito, passo à milhas do padrão dessa beleza que até eu aprecio para não aderir à hipocrisia. Todos nós olhamos para o padrão e queremos igualar outras belezas àquela fixada em nossa mais profunda opinião formada sobre o assunto.

Me comparar com um homem bonito, seria como achar que Silvester Stallone é tão atraente quanto Brad Pitt. Alguns podem dizer que realmente Stallone lhes atrai mais, mas vem um adicional a essa frase: "ele é mais charmoso". Isso é reflexo da construção de um padrão. Os considerados "fora de padrões", chamados de feios muitas vezes, onde estou incluído, precisam olhar primeiro para dentro de si, a beleza de sua existência, de sua aura, de sua importância e seu valor. Depois olhar para fora e se aceitarem, se achar necessário corrigir algo, liberdade, liberdade, mas especialmente aceitar sua beleza fora do padrão como um privilégio. Cada um é diferente por dentro e por fora. O belo verdadeiro tá na alma. 

E se ainda assim te chamarem de feio, pratique um mantra:

"eu me amo, me aceito e você que não acha, vá se fud..."

— Paaaaaaiê! Ô Paaaaaai! Minha filha fugiu, me ajuda achar?

— Como assim fugiu? Essa Pernoca é um cape... uma pestinha né?

— Não foi a Pernoca, foi a Aline, irmã da Pernoca. O tio Túlio que deu esse nome pra ela.

— Ué...

— Pai, porque o seu nariz é tão grande? Você contou mentira?

Caralho. Perguntas diretas + sinceridade de doer = criança.

Explico da maneira mais linda, chamando atenção da Luíza para que não aponte essas coisas diretamente às pessoas, pois muitos podem ficar tristes. Veja bem, já o fiz muitas vezes, mas sabe como é... quem tem filhos curiosos é solidário comigo?

Em frente...

De fato sempre fui meio seco, embora um homem bastante calmo, e como eu dizia, descobri que era possível amar dona Itália e a partir dela também outras pessoas. Sempre gostei de crianças, me divirto demais com a espontaneidade delas. Vejo o mundo como um lugar carente desse frescor jovem, carente do perdão da criança que briga com o amigo, se socam, se mordem e antes de ir embora do colégio pra casa já estão brincando, esquecendo da desavença porque brincar é muito mais legal.

Hoje está impossível de dialogar e me recuso a entrar em assuntos cansativos dos quais todos estamos exaustos. Vamos falar de coisas mais leves e fofas. Já que o mundo segue se matando e se odiando cada vez mais, infelizmente.

Meu sonho de ser pai era um sonho meio fantasioso no qual já tive medo de ser irresponsável.

Adoção na verdade não é assunto leve. É delicado. Mas colocarei leveza ao decorrer da narrativa.

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