Francisco - Bombonzinho e o Policial
*****
Um dos sonhos que sempre sonhei, era o sonho de ser pai.
Eu nunca conheci meu progenitor e não tive um modelo masculino presente em minha criação e educação. Tudo o que eu tive foi uma mulher grandona, severa, amargurada e que certamente fez o que era o seu melhor.
Eu fui bastante revoltado por não ter um pai e já tive raiva de minha mãe. Inclusive, falei sobre isso e também que quando nos entendemos a partir de uma aceitação minha na adolescência, passei a construir uma relação de afeto com ela, que com tanto sacrifício me proporcionou o básico para que não me faltasse oportunidade de ter uma vida simples e digna.
Em oposto ao Carlinho, Túlio, Davi e alguns amigos do próprio Carlinho, sou bastante discreto sem trejeitos, mas não é regra do macho ativo na hora do sexo, certo? Faço o tipo ítalo turrão, grande e desajeitado. Não sou lido como homem bonito, passo à milhas do padrão dessa beleza que até eu aprecio para não aderir à hipocrisia. Todos nós olhamos para o padrão e queremos igualar outras belezas àquela fixada em nossa mais profunda opinião formada sobre o assunto.
Me comparar com um homem bonito, seria como achar que Silvester Stallone é tão atraente quanto Brad Pitt. Alguns podem dizer que realmente Stallone lhes atrai mais, mas vem um adicional a essa frase: "ele é mais charmoso". Isso é reflexo da construção de um padrão. Os considerados "fora de padrões", chamados de feios muitas vezes, onde estou incluído, precisam olhar primeiro para dentro de si, a beleza de sua existência, de sua aura, de sua importância e seu valor. Depois olhar para fora e se aceitarem, se achar necessário corrigir algo, liberdade, liberdade, mas especialmente aceitar sua beleza fora do padrão como um privilégio. Cada um é diferente por dentro e por fora. O belo verdadeiro tá na alma.
E se ainda assim te chamarem de feio, pratique um mantra:
"eu me amo, me aceito e você que não acha, vá se fud..."
— Paaaaaaiê! Ô Paaaaaai! Minha filha fugiu, me ajuda achar?
— Como assim fugiu? Essa Pernoca é um cape... uma pestinha né?
— Não foi a Pernoca, foi a Aline, irmã da Pernoca. O tio Túlio que deu esse nome pra ela.
— Ué...
— Pai, porque o seu nariz é tão grande? Você contou mentira?
Caralho. Perguntas diretas + sinceridade de doer = criança.
Explico da maneira mais linda, chamando atenção da Luíza para que não aponte essas coisas diretamente às pessoas, pois muitos podem ficar tristes. Veja bem, já o fiz muitas vezes, mas sabe como é... quem tem filhos curiosos é solidário comigo?
Em frente...
De fato sempre fui meio seco, embora um homem bastante calmo, e como eu dizia, descobri que era possível amar dona Itália e a partir dela também outras pessoas. Sempre gostei de crianças, me divirto demais com a espontaneidade delas. Vejo o mundo como um lugar carente desse frescor jovem, carente do perdão da criança que briga com o amigo, se socam, se mordem e antes de ir embora do colégio pra casa já estão brincando, esquecendo da desavença porque brincar é muito mais legal.
Hoje está impossível de dialogar e me recuso a entrar em assuntos cansativos dos quais todos estamos exaustos. Vamos falar de coisas mais leves e fofas. Já que o mundo segue se matando e se odiando cada vez mais, infelizmente.
Meu sonho de ser pai era um sonho meio fantasioso no qual já tive medo de ser irresponsável.
Adoção na verdade não é assunto leve. É delicado. Mas colocarei leveza ao decorrer da narrativa.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Contos Extras
Cerita PendekBônus! Contos extras são momentos pós finais de histórias minhas. (já terminadas) Antes eu costumava escrever os capítulos bônus nos livros prontos, aí tive uma ideia de colocá-las todos em um único compilado. Assim posso misturar os personagens e u...
