Alessandra e Vanda (mencionadas em Amor Peixeiro, Amor Virginiano)
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No passado, Alessandra teve muito medo de assumir sua sexualidade e de se expor. Com suas incertezas decaíam seu humor, espiritualidade, amor e fôlego. A alegria estava em baixa. Percebendo que seu irmão Vander tinha trejeitos mais delicados, ela esperou que ele se assumisse antes, precisando sentir o que poderia acontecer, mas nenhum plano seu daria certo. Sua história teve um "plot twist" antes do esperado, precisou ser reescrita e acertada. Teve seu momento inferno... no passado ele ficou.
No momento a seguir, Alessandra tinha saído da casa de sua mãe há apenas dois anos, fazia faculdade, dividia o aluguel com duas colegas de curso e estava quase esse tempo na empresa, feliz e grata pela oportunidade. Queria crescer na vida. Tinha potencial de sobra. Inteligência e muita força.
*
Alessandra gosta ser chamar de pretinha, ama sua etnia, é orgulhosa de cada centímetro de seu corpo, é uma deusa. Deusa dos lábios grossos, do cabelo crespo, da curva acentuada na cintura fina, da bunda perfeita e redonda, firme, dos olhos semicerrados tão charmosos que lhe conferem ares de feiticeira. Aparece ainda mais nas cores dos seus batons, esmaltes, vaidade que a envolve. O sorriso que deixa o chefe babando e crente de que ela não é real, é uma ilusão, uma miragem.
Violão acústico. O corpo dela.
— Oi bom dia, Alfredo. — Alfredo a respeita, mas não disfarça o desejo por aquela mulher que faz seu bom senso desaparecer lentamente como a espuma da onda que vem lamber a areia da praia aos seus pés, enquanto corre pela manhã.
— Oi minha deu... querida. Dia lindo. Maravilhoso. Divino. — Enquanto ele fala, ela se ajeita na cadeira em sua frente. Ele a devora como um lobo, ainda que só nos pensamentos.
— Sim, o céu tá bem azul hoje.
— Linda... lindo né.
— Alfredo, eu tenho consulta médica daqui há meia hora...
— Pode ir, não precisa nem pedir atestado, eu falo com o DP.
— Hã? Não, não, eu trago sim. Não é certo isso.
— É. — a cara de parvo não muda enquanto Alessandra lhe passa os livros emitidos pela contabilidade para que ele assine. — Tem médico, então?
— Tenho ginecologista. — ela diz muito séria e sem olhar para ele, concentrada nos livros em suas mãos.
Por trás da mesa, ele fica desconfortável. Tem uma ereção espontânea, imaginando-a com a calcinha arriada, as pernas abertas e um médico remexendo em seu sexo, ela excitada volta à empresa e pede para que ele a alivie, pois está muito molhada, cheia de tesão. Ele só viaja.
— Doutor quem? — ele insiste no assunto. Enciumado, quase se oferece para ir junto. Pensa em "amparar" sua funcionária, mas ela corta seu devaneio.
— Cátia. Só consulto com mulher.
— Hum... — ele queria comentar que a médica é a desgraçada mais sortuda do mundo, mas morde a língua. Jamais assediou alguém na empresa. Porém, está a centímetros do maior pecado de sua vida. Alessandra.
— Até depois, Alfredo.
Ela se vai. Jovem. Deliciosa. Fresca. Como cheira bem, cheira perfume cítrico, um tanto masculino, ele analisa. Que corpo. Que mulher perfeita. Se não tivesse namorada, ele ousaria mais, porque não?
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Contos Extras
Short StoryBônus! Contos extras são momentos pós finais de histórias minhas. (já terminadas) Antes eu costumava escrever os capítulos bônus nos livros prontos, aí tive uma ideia de colocá-las todos em um único compilado. Assim posso misturar os personagens e u...
