Lucas e Pedro
Quem não se lembra de como tudo começou?
Um deles era um jovem filho de colonos que numa das dispensas do serviço militar conheceu um menino que morava no sítio dos seus pais e o outro o próprio menino que nasceu e ali se criou, criando pelo mais velho afeição de irmão, pai, amigo e amor romântico.
Por mais que Pedro nem seja tão calmo assim, tendo que manter sua mão de ferro na administração das coisas, tem Lucas ao seu lado que cumpre na totalidade a posição de companheiro, apesar de ser conhecido pelo temperamento difícil.
São companheiros nas horas boas, nos passeios, nos almoços com amigos, nos momentos quentes e frios, no romance e até na hora dos apertos, da doença, da tristeza... Porque especialmente nas horas difíceis que medimos o amor e outros sentimentos tão expressados de maneira verbal.
— Pedro, adivinha. — Lucas senta-se no colo de Pedro que acaba de chegar em casa depois de correr o dia inteiro a resolver as pendências do agronegócio ou das casinhas geminadas que está construindo em sociedade com Diego, seu afilhado e engenheiro.
— Ah Lucas, não sei... Tô podre de cansado, suado e fedido. Você tomou banho, meu galego...
— Não faz mal. Eu tomo outro... Ei, adivinha.
— Começa com que letra.
— C... não... com H.
— CH?
— Meu Deus, pode escrever com C ou se quiser com H. Pensa um pouco. Para de ser preguiçoso.
Pedro segura a língua na hora. Não há necessidade de defendê-lo de Lucas, pois o mesmo conhece o perfil do seu companheiro. E depois, não tem nada de tão ruim em brincar um pouco.
— Não sei mesmo. Adivinhar o quê? É um lugar, uma cor ou um número?
— É de comer.
— Misericórdia. Au! Calma. Só falei isso porque é difícil. É alguma coisa que você quer comer né? Não quer dizer que preparou?
— Porque, tem algum problema se eu cozinhei pro meu homenzão? Hum... eu fiz uma coisa especial e que ficou uma delícia. Eu até provei. E dá pra comer.
Pedro quer mudar a expressão desacorçoada, mas fingir não é seu forte. Por sorte (ou não) Lucas busca um panelão, pães frescos e arruma a mesa.
— Sem problemas. Que é isso?
— Cachorro quente ou hot dog. Foi o Davi que me ensinou uma receita boa. O cheiro tá bom né?
— É... aham... vou tomar banho antes.
— Vai comer antes. Vai esfriar e você faz isso só pra dar a desculpa que não come coisa fria e que não gosta de coisa requentada que faz mal. Senta logo.
A surpresa? É que finalmente Pedro comeu sem reclamar mentalmente. Não que estivesse bom, mas ruim também não estava. Satisfez-se com um pão e louco para sair da mesa, ouviu:
— Tava bom né? Eu comi dois pães. Pedro come mais um...
Ele não estava muito animado, mas "forçou o peito" pra agradar Lucas. É sempre assim. O que valeu foi a recompensa mais tarde quando a "comida baixou". Pedro pegou um Lucas feliz da vida por ter agradado seu homem na mesa e carcou nele de quatro, de lado e um boquete apaixonado fez o happy end naquela noite.
E segue a vida no sítio... eita...
*
Benício e Charles
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Contos Extras
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