Capítulo 15

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Noah

  Me estico todo na cama em busca do corpo quente, sinto sua pele fria e me aproximo puxando o edredom e cobrindo nós dois, o cheiro característico dela permanece mesmo após os banhos, ela era inquieta dormindo, eu tinha o sono mais leve e senti ela se mexendo enquanto dormimos, mas não me incomodava, pelo contrário, me deu uma ótima sensação todas as vezes em que acordei e puxei seu corpo para junto do meu.

- Que horas são? Estou com fome. - Sorrio e cheiro seu pescoço.

- Quase onze, mas hoje é domingo, o que acha de comermos no restaurante? - Ela se vira para me olhar e sorri.

- Não posso, marquei de almoçar na casa da Aileen, me surpreende você não ter sido convidado.

- Eles não sabem que estou aqui, mas eu poderia avisar como quem não quer nada, assim posso me trancar com você em algum banheiro.

- Noah!

Cobri meu corpo com seu, beijei seus lábios e passei as mãos por suas curvas, as curvas que beijei e acariciei tantas vezes durante a noite, se antes eu a achava linda, agora estava incrivelmente seduzido.

- Vem, vamos tomar café. - Segurei seu corpo e levantei Cristal, estendi um roupão para ela - Deixo você escolher o que quer comer.

- Que tal... - Seus olhos passeiam pelo meu corpo e sinto o choque pulsar até meu membro quando ela morde os lábios - Panquecas? Frutas?

- O que você quiser, pequena megera.

- Você nunca vai deixar de me chamar assim?

- Talvez um dia, agora vamos. - Peguei ela no colo e á levei escada abaixo.

Mary estava colocando algumas coisas na mesa, assim que me viu com Cristal no colo sorriu, coloquei Cristal numa banqueta na frente do balcão e sentei ao seu lado.

- Mary, essa é a Cristal. - Aponto para a mulher ao meu lado e depois para a senhora sorridente - E essa é a Mary, é ela que cuida de mim quando estou e Londres.

- É um prazer conhecer você Mary. - Cristal se ajoelhou no banco e se debruçou em cima do balcão estendendo a mão.

- O prazer é meu querida. - A senhora apertou sua mão e sorriu, me deixando satisfeito - Você é linda, olhe só esses olhos, esse menino tem muito bom gosto.

- Tenho mesmo não é? E ela também tem, olhe só esse homem com que ela estava na cama?

- Você é um sem vergonha não é? - Cristal sorriu quando ela me acertou com um pano de prato - Deveria respeitar senhoras mais velhas como eu.

- Isso mesmo Mary, ele bem que merece umas correções. - Ela falou e sorriu comendo um pãozinho.

- Você não reclamou quando eu estava no meio das suas pernas. - Cochichei no seu ouvido.

- E você não reclamou quando eu estava ajoelhada no meio das suas. - Ela cochichou de volta e voltou a comer.

Apos alguns minutos Cristal começou a colocar o dedo na geléia e depois na boca olhando pra mim, joguei a megera nos ombros e sai correndo com ela pro quarto, ela gargalhou ate eu joga-la na cama, fiz cócegas na barriga dela, beijei sua boca e fizemos amor mais uma vez, eu não me cansava, não importava a posição, era bom, por isso nos dormimos de madrugada no dia anterior, depois que ela saiu do meu apartamento me peguei sozinho sem nada para fazer.

Tomei um banho e vesti uma roupa quente, estávamos quase no inverno e a cidade estava fria e chuvosa, depois fui direto pro shopping e comprei alguns presentes para o o Gael, eu não parava de mimar o menino, Aileen ficava louca, mas eu não tinha outros afilhados e nem crianças para mimar, por enquanto.

Fui direto para o restaurante, o fluxo de pessoas tinha aumentado consideravelmente depois das reformas e da troca de alguns funcionários, olhei para Sophia na recepção que sorriu, sorri de volta, parei em frente a ela.

- Olá Sofi.

- Olá senhor Callow. - Franzi o cenho pelo nome formal, ela sorriu pequeno e disfarçadamente.

- A minha mesa de sempre está livre?

- Não senhor, mas provavelmente estará em breve.

- Ótimo, estou indo ao escritório, quando estiver me avise.

Caminho entre as mesas e paro para falar com os empregados, assim que entro no escritório a porta se abre e mesmo de costas sinto aquele frio incômodo na barriga.

- Senhor Callow, não sabia que viria hoje. - Olho para os olhos do homem a minha frente, tão escuros quanto os meus próprios.

- Foi de última hora, não estava nos meus planos mas resolvi passar por aqui e ver como andam as coisas.

- É claro, mas devo avisa-lo que já revisei os livros de contabilidade, os livros também e está tudo em ordem, o restaurante está sendo muito bem administrado como sempre foi. - Sorrio um pouco de lado e me sento, olho para o homem que quer a todo custo me fazer de idiota.

- Obrigado Joseph, mas é pra isso que pago o contador e eu mesmo analiso tudo, não fale nem me olhe como se eu estivesse entrando em um lugar que não me pertence, porquê eu comprei, se estivesse tão bem administrado você não o teria vendido.

Me encosto confortavelmente e fico parado olhando para ele, era como uma guerra de egos, ele não dava o braço a torcer, eu sabia de tudo o que acontecia na minha ausência e de como Joseph me odiava, mante-lo como gerente me doeu até no pé, mas eu precisava, não tinha outro jeito, por enquanto precisava.

Sempre dei um passo de cada vez na minha vida, medindo consequências, erros e tudo o que acarretaria de cada escolha, e ali eu estava pensando friamente e calculando cada palavra e ação, mesmo que minha vontade fosse de dar um soco na cara do homem a minha frente.

- Se não se importa, gostaria de analisar algumas coisas.

O homem me encara por mais alguns segundos antes de balançar minimamente a cabeça e sair pela porta, suspiro e passo a mão pelos cabelos, pego alguns papéis e leio, eu estava frustrado, precisava resolver aquela situação, mas como? Eu não tinha como provar, não podia dar um basta em tudo que me atormentava e seguir em frente.

Cristal - Livro 3Histórias para pegar e não largar. Descubra agora