Capítulo 22 (Bônus)

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Brandon

  Passo a mão pelo rosto, ficar o lugar do tio Willian não estava sendo fácil, eu estava esgotado e cansado, não sabia como ele tinha dado conta de tudo todos aqueles anos, mas se ele conseguiu eu também podia não é? Eu estava torcendo para que a tal garota que minha irmã traria fosse realmente boa no que faz, isso me pouparia muito tempo, foi sorte? Talvez.

E Cristal ainda se safou de ser esganada, o Noah? Sério? Minha cabeça latejava ainda mais quando eu imaginava minha irmãzinha mas garras daquele cretino filho da... Não acredito, se bem que eu acreditava sim, toda aquela birra, sempre brigando como dois adolescentes implicantes, pelo menos Noah não era um homem sem caráter como outros que ela já namorou.

- Com licença senhor. - Me viro e olho para Susie em pé na porta, estava tão absorto em meus pensamentos que nem ouvi a mulher bater.

- Sim Susie, o que foi?

- Sua irmã e a senhorita Stewart já chegaram. - Balanço a cabeça devagar.

- Peça para elas entrarem por favor Susie.

Assim que ela fecha o porta ando até á frente da mesa me encostando e cruzando os braços, segundos depois Cristal entra com um enorme sorriso no rosto, ela segura a porta e uma ruiva passa por ela parando em seguida.

Cristal caminha até mim e me abraça, retribui o abraço carinhoso antes de focar minha atenção na mulher ainda parada perto da porta, ela estava vestida em um terninho preto que estava muito bem ajustado a cada curva, os cabelos ruivos estavam presos e por impulso pensei em como eles eram soltos, seu rosto tinha um formato delicado de coração, a boca bonita estava coberta por um batom rosa e os olhos que olhavam em nossa direção eram verdes e expressivos.

- Irmão, essa é a Sofi. - Cristal aponta para a mulher que se aproxima de nós.

- É um prazer conhece-lo senhor Immers. - Ela tinha uma voz macia e calma, segurei sua mão estendida.

- Por favor senhorita, me chame de Brandon, me sinto velho quando me chaman assim. - Seguro sua mão pequena e quente mais tempo do que o necessário - Por favor sente-se.

- Obrigada.

- Acho melhor deixar vocês a vontade, vou lá pra fora bater um papinho com a Susie.

Cristal sai da sala me deixando sozinho com Sofia, observo a porta se fechar e depois olho para a ruiva, suas bochechas estavam vermelhas e ela olhava para a pasta em suas mãos.

- Não precisa ficar nervosa senhorita.

- Sofia. - Fico calado olhando para seus olhos até que ela decida continuar - Se quer que eu te chame de pelo nome senhor, também prefiro que me chame pelo meu.

- Tudo bem, Sofia. - Aponto para a pasta em suas mãos - Que tal começarmos?

- Claro! - Ela abre a pasta e tira alguns desenhos de dentro, me entrega e continua de pé.

Começo a olhar os desenhos, alguns estavam em preto e branco, outros eram coloridos, mas eu conseguia imaginar todos, sem exceção, em uma vitrine, separei três desenhos dos demais, para mim eram os mais bonitos, dois anéis e uma pulseira, observei os detalhes com mais atenção, Sofia parecia pensar em cada detalhe.

- Esses, estão terminados? - Pergunto sobre os três.

- Sim, são só o esboço final, tenho vários croquis com cada detalhe. - Ela retira mais algumas folhas da pasta e aponta para o meu lado - Posso?

- Claro.

-Aqui. - Ela pega um anel de pedra verde que estava em minha mão e espalha outras folhas, cada uma com uma dimensão do anel, ela começou a apontar com o dedo, cada detalhe em perfeito alinho, uma joia perfeita - Eu penso que jóias são especiais, quando começo a desenhar e penso em detalhes quero que tudo saia como imagino, às vezes passo semanas desenhando uma única peça até que ela fique perfeita.

- É extraordinário Sofia, são muito bonitas.

Olho para ela agora tão perto de mim que eu podia sentir seu cheiro de flores, não era forte, era delicado, estávamos a uma distância respeitável mas para mim era como se ela estivesse a centímetros, suas bochechas ainda estavam vermelhas, e uma mecha do cabelo estava solta, fechei a mão com força para contar o impulso de toca-lá, parecia tão macio.

- O que acha de segunda? - Ela me olha e junta as sobrancelhas bem feitas.

- Desculpe?

- Segunda, começar na segunda, como eu disse Sofia, são muito bonitos, você é muito talentosa. - Me levanto e observo de cima seu sorriso se alargar ate quase não caber no rosto - Vou encaminhar você à chefe do departamento de produção e designe de jóias, tenho certeza de que ela vai adorar.

- Aí me Deus, meu Deus... Obrigada... Eu, obrigada, eu nem consigo acreditar.

- Então, seja bem vinda. - Estendo minha mão para ela novamente, que segura com as duas mãos - Te vejo segunda, minha secretaria vai te dar uma lista de tudo o que precisa.

- É claro.

Sofia se debruçou um pouco para pegar seus desenhos, prendi a respiração, ela era minha funcionária eu não podia olhar para ela daquela maneira, passei a mão no rosto e comecei a ajudá-la, nos viramos no mesmo instante e todos os papéis cairam das nossas mãos, nos abaixamos ao mesmo tempo e nossas testas bateram uma na outra.

- Aí! - falamos em uníssono, Sofia cai sentada com a mão na testa - Me deixe ajudá-la, me desculpe.

Coloquei ela sentada na cadeira ignorando minha dor, segurei seu rosto e comecei a olhar sua testa, passei a mão na vermelhidão, Sofia segurou meu braço e nossos olhos se encontraram.

- Não foi nada demais, só uma tontura repentina, estou bem.

- É claro. - Me afasto derrepente e me abaixo pegando as folhas - A culpa foi minha.

- Claro que não, foi um acidente. - Ela pegou as folhas das minhas mãos e eu me afastei deixando ela passar - Muito obrigada mais uma vez, prometo não o decepcionar.

Balancei a cabeça e caminhei até a porta a abrindo e deixando ela passar, voltei para minha mesa me jogando na cadeira, passei a mão pelo rosto outra vez, o que merda acabou de acontecer? Eu não agia dessa forma, não ficava sem palavras ou ações, não pensava em funcionárias daquela forma, mas pelo que parecia Sofia me arrancava sensações estranhas, como agir como um imbecil.

Eu estava ficando louco, precisava de uma mulher para me distrair, isso não podia acontecer novamente, muito menos com uma funcionária, e uma que era amiga da minha irmã, Deus do céu. Eu tinha que me manter o mais longe possível de Sofia Stewart.

Cristal - Livro 3Histórias para pegar e não largar. Descubra agora