Noah
Observo de longe um dos empregados mostrando um dos cachos de uva a Cristal, eu insisti para que ela ficasse no depósito e provasse alguns vinhos ou ficasse no escritório relaxando, mas ela me ignorou completamente e agora está no meio da vinícola aprendendo sobre uvas com os próprios trabalhadores.
Tinha terra nas botas e calça que ela usava, ela estava com uma tesoura nas mãos e ajudava a colhe-las, estava bastante concentrada na tarefa, de vez em quando sorria ou perguntava algo, estava realmente interessada, a cada minuto eu admirava mais aquela mulher.
- Ela parece uma boa mulher. - Olho para Gilseppe e me abaixo sorrindo.
- Sim, ela é, surpreendente.
- O senhor parece muito feliz patrão. - Tiro a luva e entrego a ele junto com o alicate, tiro uma das uvas e coloco na boca - A colheita este ano está muito boa, vai ser trabalhosa, mas muito lucrativa.
- Estou contando com Isso Gilseppe, acho que vamos precisar de mais gente para trabalhar. - Ele sorri e balança a cabeça, mais emprego queria dizer menos pessoas desempregadas na cidade, isso era bom para todos - E sim, estou muito feliz se quer saber, agora vou lá pegar minha garota antes que alguém decida rouba-la.
Sorrimos um para o outro, passo as mãos na calça, já se passava das nove da manhã, estávamos trabalhando a bastante tempo, Cristal tinha um grupo de admiradores ao redor dela, eles explicavam tudo devagar, ela parecia entender devagar o italiano deles, mas mesmo assim sorria e respondia, fazia perguntas e quando não sabia alguma palavra gritava para mim.
Cheguei perto deles, ela estava com um cacho de uvas na mão, Gilhermo explicava os tipos de uvas que cultivavamos, era complicado, eu sabia que ela não estava entendendo metade das palavras mas mesmo assim sorria e balançava a cabeça para o pobre homem que parecia encantado.
- Com licença?! - Paro bem perto e os quatro homens olham para mim, Cristal permanece de lado olhando as uvas como se fossem algo mágico - Eu sinto muito atrapalhar a aula, mas nós temos um café da manhã não é Cristal?
- Aaah... Sim! - Ela me olha e sorri, da um pulinho e agarra meu braço, dou um aceno aos homens e caminho para longe com ela - Não vi o tempo passar, é divertidíssimo aprender sobre uvas.
- Você acha? Posso te ensinar, você ainda não fala Italiano, não acha complicado de entender?
- Sim, mas entendi a maior parte das coisas, adoraria que você me ensinasse, gosto de aprender.
- Parece que você ganhou admiradores, todos gostaram de você, as mulheres já me pediram para trazer você mais vezes. - Sorrio e aperto seu nariz - Está tentando fazer algum italiano se apaixonar por você?
- Bom, ouvi falar que os italianos são muito bons de cama, alguns tem peles bronzeadas do trabalho no sol, braços fortes, o cheiro de trabalho, acho que me excitaria sem dúvidas. - A diaba piscou pra mim e subiu no cavalo, sorri e montei em trovão - Não sabia que existiam tantos tipos de uvas, nem o tamanho desse lugar, é imenso, deve dar um imenso trabalho administrar tudo, e nem mesmo é o único negócio que você tem.
- Cinqüenta por cento de tudo aqui é da minha avó, os outros cinqüenta foram divididos para os dois filhos quando meu avô morreu, como minha mãe tinha morrido anos antes eu herdei a parte dela, depois investir minha parte dos lucros em outros negócios, o tio Dominic gosta de cuidar das joalherias então eu sou o administrador de todo o negócio da Itália.
- Uvas e vinhos, espumantes... Eu podia tomar banho com uvas, eu adoro uvas. - Olhei para ela e comecei a imaginar Cristal nua e coberta de uvas e sumo pelo corpo - O que foi?
- Ah... Nada! - Guio Trovão por entre as árvores nos aproximando mais do rio enquanto conversamos - Quanto tempo pretende ficar?
- Consegui duas semanas de folga, não tiro férias a uns três anos. - Olho para ela de boca aberta.
- Você é maníaca por trabalho?
- Não, só não sabia como deixar meus pacientes ou... Não sei, já fui pra tantos lugares e fiz tantas coisas, acho que me acomodei no trabalho, e não estava pensando em sair tão cedo, mas não consegui dizer não a sua avó, acho que tenho um fraco pelas vovós, também não consigo dizer não a minha. - Ela respira fundo e olha para as videiras que deixamos para trás - Eu amo o cheiro delas.
- E o gosto pelo que vi. - Agora estávamos nos referindo as uvas - Você não parou de come-las um minuto, não sei se vai ter espaço para o café da manhã.
- Pode apostar que vai.
Seguimos por entre as árvores, vou guiando até chegarmos ao mesmo lugar onde a encontrei da outra vez, paramos e ela desce do cavalo sem me dar chance de ajudá-la, balanço a cabeça e entrego a cesta a ela, enquanto amarro os cavalos ela estende o lençol no chão, embaixo de uma árvore sombrosa me aproximo e sento ao seu lado para ajudá-la.
- Você me trouxe pra cá de propósito. - Sorri e beijei seu ombro.
- Droga, achei que não ia perceber, esse lugar me trás boas lembranças. - Ela me olha e revira os olhos, aponto para a água - Beijei uma garota bem ali, depois ela fugiu e me deixou sozinho.
- É mesmo? Talvez ela tenha percebido que você é um sem vergonha.
- Não acho que tenha sido isso, ela é uma megera então atribuo toda culpa de me deixar louco a ela.
- Louco? - Ela me olha e dou de ombros.
- Você me deixou louco aquele dia, foi o primeiro dia em que me toquei que sempre quis tê-la, e fiquei me perguntando por quê eu nunca tinha me tocado disso. - Passo a mão devagar em sua bochecha.
- Acredito que tudo tem a hora certa de acontecer, talvez se algo tivesse acontecido quando nos conhecemos não estaríamos aqui hoje.
- Talvez, e também teve todo aquele suco e flores... - Dou Foi uma gargalhada ao me lembrar.
- Você devia andar devagar, a culpa foi sua. - Ela dá um tapinha em me peito e começa a rir - Era minha blusa favorita e ficou com uma mancha enorme.
- Eu não queria esbarrar em você, muito menos derrubar suco e quebrar o jarro favorito da sua tia, nunca achei um jarro igual, faz quase quatro anos que procuro por um.
- Está falando sério? - Ela arregala os olhos.
- É claro que sim, era importante para ela, não foi minha intenção quebra-lo.
- Você é um fofo.
Devagar ela começou a vir para cima de mim, me beijando até que eu estivesse deitado no chão e ela estivesse por cima de mim, aquela manhã estava me agradando muito mais do que imaginei.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Cristal - Livro 3
RomanceCristal Immers é sem dúvidas espirituosa, muitas vezes sem papás na língua mas sem dúvidas uma observadora nata. Cristal é mais uma das jóias Immers, dotada de grande beleza, atitude, independência e exóticos olhos azuis, Cristal não é uma mulher qu...
