Março de 1986
Hoje tive a confirmação de que estou grávida, minha mãe me dá apoio, mas sei que está decepcionada, papai não consegue olhar para mim, agora sei que estou sozinha, Joseph parou de me responder a algum tempo, achei que algo de ruim tivesse acontecido, mas depois percebi que ele parou de responder quando mandei a notícia e pedi para que ele viesse logo, pois tínhamos que nos casar.
Uma vez pensei sobre como os poetas eram dramáticos, corações partidos não deveriam doer tanto, mas doíam, e como doia, eu estava destruída, minha única alegria era saber que agora eu não estava sozinha, minha mãe me garantiu que meu filho ou filha nunca estaria desamparado, eu entendo a aflição dos meus pais, não deve ser fácil ver seus planos para mim ruindo, nem todo meu sofrimento, porque não existe nada além de sofrimento e as pequenas alegrias com meu bebê.
Espero secretamente que seja uma menina, chamarei de Isabella.
Abril de 1986
Recebi algumas correspondências ontem, uma das cartas veio por engano no meio das minhas, era de um investigador particular, pelo visto meu pai tinha contratado alguém para ir atrás de Joseph, e que decepção foi ter meu coração em cacos, segundo o investigador Joseph Davis é casado.
Como pude ser tão burra? Logo eu que me achava tão inteligente, o mundo é mesmo uma caixinha de surpresas, e para mim parecem ter sido escolhidas as piores, e o pior é saber que amo aquele homem, como pode um coração ser tão tolo?
Estou de cama desde então, senti fortes dores em minha barriga e temi pela vida do meu bebê, ele era tudo o que me restava daquele amor que só serviu para quebrar minha alma.
Julho de 1986
Minha barriga está tão grande, consigo sentir os chutinhos do bebê, tudo estava bem agora, meu pai tinha voltado a falar normalmente comigo, a pedir opiniões sobre a terra e me incentivou a ir para faculdade, me neguei, não quero deixar meu filho, então ele me deu um trabalho, agora ajudo na administração das colheitas e do dinheiro, eu até ganho um salário muito mais que satisfatório, eu sei que ele não precisa de ajuda, mas quer que eu me sinta útil e bem, e não como se fosse alguém me aproveitando da fortuna dos meus pais.
Grande parte estou guardando, minha mãe adora me mimar comparando coisas de bebê, eu mesma estou decorando o quarto, todo branco e amarelo, gosto de amarelo, mesmo que não combine em nada com meus olhos, mas combina com meninos e meninas.
A vida estava boa, acabamos de voltar da viajem que fizemos, Anna e Dominic tiveram seu primogênito a alguns meses, Tyler é lindo, fofo e saudável, Anna me perdoou pelas mentiras, Dominic foi mais resistente mas no fim também me fez jurar contar tudo e pedir ajuda caso precisasse. Minha família era o meu apoio, e meu filho ou filha, minha vida.
Outubro de 1986
Agora falta pouco para meu pequeno chegar, não vejo a hora de ter esse pequeno bagunceiro em meus braços, cada dia eu estava mais cansada, o tempo parecia não passar, às vezes eu chorava pensando em tudo que poderia dar errado, mas eu tinha que ser forte, por ele, por meu pequeno e forte bebê.
Era engraçado como sempre parecia me responder enquanto eu conversava com aquele enorme volume em minha barriga, decidi parar de esperar uma menina, se for um menino ele com certeza não vai gostar de saber que eu esperava um garota em seu lugar.
Se for um menino seu nome vai ser Noah, é um nome diferente, bonito e me trás certa sensação de paz, como a brisa do mar, meu pequeno Noah, ou Isabella, está dormindo neste momento, vou aproveitar e dormir também, faz um tempo que não sei o que é isso, não acho uma posição e o cansaço é tanto que não prego os olhos.
Agora sei porque minha mãe reclamava tanto de mim e do meu irmão, quando aprontavamos, dizendo que tinha sofrido horrores para nós colocar no mundo, e que por tanto não deveríamos ser desobedientes.
Novembro de 1986
Meu pequeno Noah nasceu, saudável e forte, acho que fiz bem em parar de chama-lo de Isabella no final, ele é lindo, tem lindos cabelos lisos e escuros, olhos também escuros e por mais que o amor e a felicidade não estejam cabendo em meu peito, também tem a tristeza por saber que sempre que eu olhar para ele, me lembrarei de seu pai.
Mas isso não faz eu me cansar de olhar para ele, tão lindo em seu berço, todo vestido de branco e dormindo tranquilamente, nem consigo acreditar que é o mesmo bebê que sofri tanto para trazer ao mundo, por vezes achei que não conseguiria, foi tanta dor, tanto choro e desespero, mas no fim tudo deu certo, ali esta meu pequeno Noah, minha luz, minha vida.
Joseph me deu a maior decepção e o maior presente da minha vida, se eu o visse hoje, não sei se chingaria ou agradeceria, talvez os dois, nessa ordem, eu não tinha o esquecido, isso era fato, mas agora convivia melhor com a verdade, com a perda, ou talvez fosse o amor que eu sentia pelo meu pequeno homenzinho.
Fevereiro de 1987
Recebi uma carta, fazia um ano desde a última vez que o vi, e ele me mandou uma carta, nela ele me pede perdão, diz que fez aquilo por não querer me magoar, que eu sofreria se soubesse de tudo, mau sabe ele que eu já sei, que sofri e que me conformei, ele me pediu perdão e disse que sente muitíssimo, mas por que agora? O que ele queria? Eu estava bem, vivendo minha vida, criando meu filho e estava até mesmo me interessando por outro homem, e tudo foi por água abaixo por uma carta.
O quão tola uma mulher pode ser? Muito pelo que estou vendo, e o amor também continua intacto, respondi sua carta como uma tola, falei que já sei de tudo, de sua esposa, de como ele me enganou e me iludiu, não pedi explicações, isso só me traria mais sofrimentos e mentiras.
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Cristal - Livro 3
RomanceCristal Immers é sem dúvidas espirituosa, muitas vezes sem papás na língua mas sem dúvidas uma observadora nata. Cristal é mais uma das jóias Immers, dotada de grande beleza, atitude, independência e exóticos olhos azuis, Cristal não é uma mulher qu...
