Capitulo 34.

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Caramba, aquilo é realmente minha irmãzinha? Tento segurar a emoção ao ver Linsey atravessando a passarela de led no chão.

-Postura, Sabina! Vai ficar ruim nas fotos.- Mamãe fala baixo para mim. Faço oque ela pede, ainda que relutante.

Bailey me abraça de lado ao me ver emocionada, porque a partir de agora, ao ver Ella entrando com as alianças eu já derramava rios.

A pequena anda devagar como o combinado e olha para mim sorrindo orgulhosa ao entregar as joias ao padre. Sorrio de volta para ela, para mostrar que também estava muito orgulhosa da minha pequena.

-Eu consegui, mamãe!- Vem correndo até mim e falando baixinho para não atrapalhar a cerimônia.

-Sim, meu amor! Você conseguiu. - Limpo as lágrimas.

-A vovó confiou em mim e agora esta feliz, né?- Tenta ter certeza que fez tudo direitinho.

-Com certeza ela está muito feliz. Agora vem cá pra gente assistir o resto!- Pego a mesma e a sento no meu colo.
[...]
A festa estava animada, crianças corriam para um lado, adultos dançavam e bebiam. Um completo conto de fadas se não fossem os olhares de papai para mim durante toda a noite, como se ele quisesse falar comigo mas estivesse sendo impedido por algo.

-Algum problema, Saby?- Sina olha na direção em que eu olhava fixamente.

-Ah, nada demais! Meu pai está meio estranho. - Volto o olhar para ela novamente.

-Ei, tenta relaxar! Você está maravilhosa com esse vestido, tem um Bailey loucamente apaixonado por você e uma amiga muito boa para conversar. - Vê o lado positivo, como sempre.

-Você tem razão, Si! Vamos dançar então. - Puxo a mesma para a pista de dança, ao lado dos meninos.
[...]
Depois de no mínimo uma hora naquela pista, um enjoo repentino me impediu de continuar dançando. Sento-me na mesa e olho para Ella dormindo no carrinho, engraçado como ela dorme tão serena com essa barulheira toda.

-Sabina, você tem um minuto?- A mão gelada do meu pai toca meu ombro descoberto pelo vestido.

-Tenho, pode sentar.- Aponto para a cadeira com a cabeça.

-Um pouco mais reservado e calmo de preferência.

-Então vamos lá no quarto, aproveito e já levo Ella para dormir também.- Ele assente e seguimos, o caminho todo em silêncio.

Deito Ella lentamente no berço depois de trocar seu vestido por um pijama. Saio do quarto e vamos para o quarto dele.

-Prossiga. - Sento-me ao lado de papai na cama.

-Olha, não pense que é fácil estar te falando isso agora. - Respira fundo. -Mas ao ver a sua filha grande desse jeito entrando lá em casa no dia do aniversário da sua mãe, me fez perceber que a minha pequenininha cresceu e eu ao menos vi.

-Desculpa, mas isso não tem mais volta pai...

-Espera! Olha, vou tentar não enrolar, mas esse assunto não é tão simples. Sabina, um dia eu me apaixonei, eu conheci o amor verdadeiro por uma mulher. E essa mulher era linda, assim como você! Mas a vida nos pregou uma peça, depois da melhor notícia da nossa vida, que iríamos ter o nosso segundo bebê juntos, a vida ingrata levou ela para longe, muito longe daqui. Eu fiquei desolado, e por sorte do destino encontrei a Ale, que me ajudou a cuidar do Noah, como você já sabe, e desse outro neném com todo o amor que podia! Já eu, estava tão mal que usei o trabalho como distrator para a realidade e perdi tudo de mais lindo que a vida me devolveu. - Fala tudo olhando para o chão

-Pai, onde está essa segunda criança?

-Sabina, você é o bebê.

-Eu sou o bebê?- Olho indignada para ele, que apenas me abraça.

-Desculpa, minha princesa. Me perdoa por todos esses anos esconder isso de você!- Meu ombro fica úmido com suas lágrimas que caem.

-Eu preciso respirar. Chama o Bailey pra ficar com a Ella!- Saio o mais rápido possível dali, aquela casa parece me sufocar a cada segundo que se passa.
Minha vida inteira foi uma mentira!

Tiro meus saltos e subo na casinha da árvore que costumava ir quando era pequena. Aqui sim, era o meu lugar favorito no mundo.
Sento-me olhando para o mar de malibu, a lua que refletia sobre ele e tentei ao menos raciocinar tudo aquilo. Talvez fosse por isso que minha mãe nunca gostou de mim como ama os meus irmãos...
Percebe-se pelo casamento de Linsey, uma festa estrondosa, já o meu não passou de um jantar na nossa casa. Já Noah, sempre comentava da sua falecida mãe, apesar de não lembrar muito dela, com muito amor.
E também, pode ser por isso que o meu pai sempre me olhou diferente. Como se eu fosse uma joia, sempre comentando da minha beleza como algo incomum e por mais que não conseguisse demonstrar, ele esbanjava amor ao me ver. E agora mais do que nunca eu o entendo, porque eu senti tudo que ele sentiu ao perder Tyler naquele acidente, até porque também tínhamos Ella! Mas ele não podia ter feito isso comigo, não desse jeito.

A ironia é que isso pode mudar a teoria da minha vida, mas a prática não. Na verdade, eu nunca tive uma mãe na prática também, pelo menos não que eu lembre...
Oque me machuca é saber que todos esses anos, o meu pai teve a coragem de olhar na minha cara todos os dias e nunca me contar absolutamente nada sobre a verdade da minha vida.

-Princesa?- Sinto uma mão gelada encostar meu ombro devagar e a voz rouca dele ecoar na casinha.

-Me abraça.- Sussurro e ele assim faz, me agarrando fortemente.

-Eu já sei oque aconteceu, eu estou aqui com você, tá certo?- Assinto ainda chorando em seus braços.

-A Ella ficou com quem?- Tento falar.

-Deixei ela com a Sina, pode relaxar. - Alisa meus cabelos carinhosamente.

-Bailey, muito obrigada por vir até aqui, mas eu realmente preciso de um tempo. Preciso racionar a minha vida inteira novamente. - Solto do abraço.

-Você quer dizer um tempo sozinha ou um tempo de nós? Porque o seu olhar quer dizer os dois.- Parece triste.

-Eu prometo que é só um temporario. Enquanto isso, ficarei em outro lugar com a Ella! Mas eu não posso fazer do nosso relacionamento uma segunda chamada na minha vida, eu preciso estar bem mentalmente para cuidar de nós três. - Limpo as lágrimas devagar.

-Faça oque for melhor para você, Sabina. Eu ainda te amo muito, mas não sei se posso esperar mais!- Começa a sair da casinha.

-Cuide de você primeiro, e depois se quiser, estarei disponível para continuar com isso. -Tento sorrir para ele. Bailey sai e me encolho sentada no chão, completamente destruída.

Long years without him- SabileyOnde histórias criam vida. Descubra agora