Capítulo 16

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- Você vem, então? — River sorriu e esticou a mão para mim.

Se eu não fosse tão emocionalmente retardada, teria pego a mão dela, como uma amiga, e apreciaria o calor e o gesto amistoso. Como sou mais eu, ignorei-a e apertei mais meu cachecol ao redor do pescoço. Até aquele momento, River não tinha me perguntado mais nada sobre as oito casas e nem sobre minha reação e meu passado, então não falei nada. Eu não sabia por quanto tempo ela ia me deixar escapar desse assunto.

Andamos pisando nas folhas no chão, sentindo o vento frio ao redor dos nossos tornozelos. Como River tinha dito, não havia Lua alguma. Na verdade estava tão negro lá fora que, nos dias de hoje, só mesmo no meio do nada para se experimentar algo assim. Duzentos anos antes, as estrelas eram muito mais óbvias, o céu povoado dos pontinhos iluminados. Nervosa, apertei o cachecol no meu pescoço, olhando ao redor. À procura de, por exemplo, lobisomens. Tubarões terrestres. Coisas no escuro.

— Vou — falei. — Detesto círculos, mas deve ser bom pra mim, né? — Estão vendo como sou virtuosa? Além do mais, quero assistir a outro capítulo da tragicomédia Reyn/Nell se desenrolar diante dos meus olhos.

— Você detesta círculos? Mais uma vez, falei demais.

— É. É que odeio... mexer com magick. Magick grande, quero dizer. Gosto da excitação, é claro. — Eu podia ouvir os outros à frente, guiando o caminho até a clareira, mas mal conseguia distinguir a silhueta deles. — Mas detesto a parte de passar mal, as visões, essas coisas.

River parou ao meu lado, e só percebi que ela tinha ficado para trás depois de alguns passos.

— O quê?

Eu me virei para ela.

— O quê?

— O que você disse?

— Hum, o que eu disse? Quando?

— Agora mesmo... Você disse que passa mal durante um círculo?

Você tem visões?

— Tenho, claro. — Dei de ombros. — Às vezes. Normalmente.

Acho que faço tudo errado.

— Não, Nastasya. — O tom de voz de River era solene. — Mesmo quando se é Terävä, não se deve passar mal durante um círculo ou quando se está fazendo feitiços. E a maioria das pessoas não costuma ter visões, a não ser que esse seja o objetivo delas.

Eu não sabia o que dizer. Nunca tinha falado sobre isso com meus amigos. Acho que simplesmente concluí que a magick atingia a cada um de nós de um jeito diferente, que algumas pessoas passavam mal depois e outras não. Pensando bem, eu não conseguia me lembrar de alguma outra pessoa ter mencionado passar mal durante um círculo. Mas, no meu grupo, achávamos que imortais que faziam círculos eram meio como... Martha Stewart. Sabe? Círculos estranhos e sinceros. Para quê?

Amada ImortalHistórias para pegar e não largar. Descubra agora