O motorista Mattias foi dispensado dessa vez e quem conduziu o carro pelo vilarejo foi o próprio Cesare. Após sairmos pelos portões de ferro da mansão pela manhã, o veículo deslizou pelas vias pouco movimentadas de Sambuca.
Aproveitei para admirar a arquitetura dos prédios. Cesare notou meu interesse e contou parte da história da comuna italiana...
_ Embora seja considerada uma das mais belas vilas italianas, Sambuca já teve cerca de quatrocentas propriedades abandonadas, sabia? A maioria datada do século XIX.
_ É um desperdício as pessoas abandonarem um lugar como esse.
_ O turismo não tem dado conta do recado e a cidade estava praticamente definhando. As pessoas precisavam de trabalho, então foram tentar a sorte nos centros urbanos.
_ Que pena. Veja esse estilo de arquitetura.
Meus olhos percorrem a catedral gigante ao alto de um monte.
Cesare sorri com meu deslumbramento e continua dirigindo sem pressa.
_ Essa é a Chiesa Madre. Foi erguida nas ruínas do Castelo do Emir Zabut.
_ Esse nome parece de origem árabe como o seu sobrenome.
_ Você notou.
Ele ergue as sobrancelhas surpreso
_ Sou italiano descendente de árabes. Sambuca foi fundada pelos gregos, mas os árabes deixaram sua herança.
_ Que riqueza cultural...
Comento já me distraindo com a beleza de um lago que surge a frente.
_ Esse é o Lago Arancio.
O carro entra em uma parte mais rural.
_ Nessa região você verá algumas plantações de sabugueiros. As sementes e as flores desse arbusto são usadas para a fabricação do Sambuca, um licor siciliano.
_ Ah, por isso o nome do vilarejo!
_ Exatamente.
Cesare diminui a velocidade quando se aproxima de um novo aglomerado de casas.
_ Estamos chegando. A casa passou por reformas durante os últimos três anos em que sua mãe esteve na Sicília. Mas ainda faltam alguns acabamentos. A doença não permitiu que ela continuasse.
Meu coração aperta. Não sei se estou pronta para ver o lugar que fez parte dos sonhos dela por tantos anos e ela mal conseguiu usufruir.
_ Um minuto.
Cesare estaciona em uma rua de pedra. Desce do carro, dá a volta para abrir a porta do meu lado.
Existem casas a uma certa distância, mas Cesare caminha em direção a uma mureta de pedras alaranjadas. Sigo-o duvidosa, pois não vejo propriedade alguma na redondeza.
Quando me aproximo da mureta percebo que trata-se apenas de uma barreira. Chego a perder o fôlego com a visão do mar mediterrâneo ao longe.
Estamos no alto e a barreira serve de proteção para uma escadaria que desce a colina.
Meus cabelos sacodem com o vento para todos os lados, mas minha atenção está completamente tomada pela vista do lugar.
_ Lá esta ela. _ Ele aponta para uma construção de pedra de dois andares no meio de uma planície.
_ Ela é incrível!
Levo a mão à boca emocionada.
_ Desculpe. _ Olho para Cesare sem jeito pelas lágrimas que insistem em aflorar.
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Sambuca di Sicília. Série Caminhos do destino. Vol.1
RomancePrestes a completar dezoito anos, Alexandra dos Anjos terá que fazer uma escolha que definirá o rumo de sua vida. Estudou desde os quinze em um dos internatos mais conceituados do Rio de Janeiro enquanto a mãe esteve fora do país trabalhando como go...