― O chamou para sair?
Depois do karatê, fui para casa e tomei um banho. Assim que saí do banheiro arrumado, Dand me ligou por chamada de vídeo.
Agora estou na ligação com Marcus, Dandara e Lorran conversando sobre o meu crush em Alexandre Santiago Lopez. Era estranho como essa fofoca tinha nos unido mais ainda.
― Mais ou menos ― respondi o loiro e sua irmã franziu a testa.
― Como assim?
― Ele acha que vocês irão. ― cocei a nuca e os três levantaram as sobrancelhas.
― Explique isso direito, Mill.
― Ele acha que é um encontro entre amigos, e não um encontro, encontro ― prossegui e Lorran bateu com a mão na testa, como se não pudesse acreditar naquilo. Nem eu queria acreditar. ― Mas eu tenho um plano. Basta vocês arranjarem uma desculpa para não irem, e nem me venham com um "meu cachorro botou fogo na minha cozinha, então não vou poder ir".
― Um dia eu quase botei fogo na minha cozinha por causa do meu cachorro. ― Carvalho retrucou, o que me fez fazer uma careta.
― Vocês entenderam o que eu quis dizer ― deitei de barriga para baixo na cama do meu quarto. ― Não me venham com desculpas estúpidas.
― Você é muito idiota, Eric ― o loiro se meteu, se ajeitando na mesma posição que eu na sua cama. ― Por que não disse que era um encontro de verdade?
― Porque assim ele nunca iria!
― Como você sabe se nunca chegou a perguntar? ― foi a vez da minha melhor amiga se meter, o que me deixou pensativo. ― Às vezes ele super sairia com você, mas deixou pra lá por achar que você não estaria com esse objetivo.
― Está na minha cara qual é o meu objetivo com isso tudo.
― Ai, vocês dois me estressam ― Lorran desabafou e eu revirei os olhos. ― Só o agarre e o beije, antes que eu faça isso por você.
― O quê? ― eu ri com o comentário. ― Vai beijá-lo por mim?
― O quê?! Não! ― o garoto corou e nós três rimos. ― Eu não curto garotos.
― Tá, tá ― eu ri alto. ― Vou indo nessa, tenho que jantar. Foi bom falar com vocês.
― Também tenho que ir ― Lorran disse, ainda um pouco constrangido. ― Até amanhã, gente.
― Até! ― nós falamos em uníssono e desligamos.
Me levantei da cama, ainda rindo um pouco do que acabou de acontecer e saí do quarto. Passei pelo corredor, desci as escadas e adentrei a cozinha. Me deparei com Pedro terminando o jantar e ele me olhou sobre o ombro.
― Como foi o karatê?
― Alexandre me derrubou tantas vezes que eu perdi a conta, mas está tudo bem ― comecei a pegar os pratos e talheres e meu pai levantou uma sobrancelha para mim. ― Bem, tirando o fato de que estou cheio de dor agora.
Ele riu do meu comentário, fazendo o seu prato. Arroz, bife e feijão. Peguei a jarra de suco de uva da geladeira e dois copos, os pousando na mesa. Assim que se sentou, fiz o meu prato e me sentei no lugar de sempre, à sua frente.
― Alguma outra novidade? ― perguntou enquanto mastigava a comida e colocava um pouco de suco nos nossos copos.
― Ah, sim ― sorri e levei o garfo até a boca. ― Eu chamei Alexandre para sair.
Pedro se engasgou com a comida e eu dei um salto, segurando sua mão sobre a mesa.
― Desculpe ― ele tossiu, rindo e bebericou seu suco. ― Pensei ouvir você dizendo que chamou Alexandre para sair.
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Trancado a Sete Chaves
Ficção AdolescenteEm pausa/em andamento/em revisão *** +16 Um garoto descolado, com uma caixa de madeira e à procura de sete chaves. Essa é a vida divertida do estudante Eric Müller. *** Pode ter gatilhos como: ansiedade, depressão, bullying, violência, gordofobia e...
