20• Chiclete Feito Grude

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Dia 17, sexta-feira.

Cheguei no prédio onde Alexandre mora e entrei.

― Eric? ― Violeta perguntou, saindo do elevador.

― Oi, Sra. Lopez.

― O que faz aqui? ― ela se aproximou de mim.

― Eu... pensei em ir com seu filho à escola hoje.

A mulher a minha frente me olhou de cima a baixo.

― E o Alexandre sabe disso? ― Lopez perguntou e eu engoli em seco.

― Se ele soubesse, não me deixaria buscá-lo.

Ela riu pelo nariz.

― Bem, ele está terminando de se arrumar, mas você já pode ir subindo. ― passou por mim e ficou em frente à saída. ― Tenha um bom dia, Eric. ― concluiu, abrindo a porta de vidro e se retirando.

Andei até as escadas e subi os degraus. Passei pelo corredor e parei em frente à uma porta de madeira. Em cima dela, tinha o número 102.

Dei um suspiro e bati na porta.

Ouvi um barulho vindo de dentro da casa e a entrada foi aberta. Sorri ao ver o garoto.

― Bom dia, Ale. ― falei de um jeito brincalhão.

― O que você está fazendo aqui?!

― Vou andando com você para a escola. ― lhe lancei uma piscadela e ele cruzou os braços, revirando os olhos.

― Não, você não vai. ― discordou, saindo da casa e trancando a porta.

― Você não tem escolha. Ou eu vou contigo, ou vou contigo. Você escolhe. ― informei andando ao lado do garoto de óculos.

― Parece que eu não tenho escolha. ― entrou no elevador e eu fiquei ao seu lado.

Quando o elevador parou, saímos do prédio e andamos pela calçada.

― O que eles vão pensar se nos verem juntos? ― Alexandre perguntou meio alto de repente, como se aquela pergunta estivesse guardada há um tempo.

― Eu não ligo para a opinião deles. Não mais.

Assim que nos aproximamos da entrada, ele agarrou meu braço para pararmos de andar.

― Você vai na frente. ― Alexandre pediu e eu arregalei os olhos.

― Não, nós vamos juntos.

― Não podemos! ― exclamou e eu franzi a testa. ― Vai na frente.

― Você tem vergonha de mim?

― Não é isso! ― cruzou os braços. ― Você devia ir sozinho, eu vou depois. ― implorou e eu fiquei a sua frente.

Segurei em sua mão e o garoto abaixou a cabeça para fitar as nossas mãos unidas.

― Vamos. ― comecei a andar com ele.

Ele hesitou por um momento, mas acabou indo.

Quando chegamos perto dos alunos, Alexandre soltou a minha mão e cobriu a sua cabeça com o capuz do casaco azul da escola.

Todos nos fitaram e o menino de óculos me olhou de baixo, por eu ser um pouco mais alto que ele. Por um momento, senti falta da sua mão na minha.

O garoto de cabelos cacheados começou a se afastar e eu enfiei as mãos no bolso da calça jeans, um pouco tristonho.

― Você anda conversando bastante com aquele menino. ― Lorran falou se aproximando. ― Ele não é o garoto da quadra?

― O nome dele é Alexandre. ― rebati e Dandara se aproximou. ― Olá, Dand.

― Olá. ― ela respondeu, seca. ― Novo amigo, né? ― cruzou os braços, levantando uma sobrancelha. ― Ou algo a mais?

Engoli em seco.

Trancado a Sete ChavesHistórias para pegar e não largar. Descubra agora