Eu já tinha arrumado a minha mochila para dormir fora.
Agora, eu e meu pai estamos entrando no prédio de Alexandre.
Eu não sei porque, mas estava muito ansioso por dormir na casa do Ale. Eu não devia me sentir tão nervoso assim. Afinal, eu estava indo dormir na casa de um amigo, assim como qualquer outro. Seria a mesma coisa se eu estivesse indo dormir nos Barbosas ou no Lorran.
Seria a mesma coisa, não é?
Okay, hora de admitir. Não era a mesma coisa, mas eu não sei o que era. Eu não levava flores para a casa dos meus amigos quando ia dormir nas suas casas, por exemplo. E não ficava de cinco em cinco minutos ajeitando o cabelo para ele estar impecável.
E eu não sentia aquele enjoo de ansiedade no estômago.
― Vou avisar a Sra. Lopez que você chegou ― o porteiro disse, assim que meu pai pediu para avisá-la que havíamos chegado.
― Está tudo na sua mochila? ― Pedro perguntou me olhando, parecendo até mais nervoso do que eu.
― Sim, está tudo aqui ― segurei os girassóis com mais firmeza.
― E o violão?
Levantei o objeto ao lado do meu corpo e meu pai sorriu.
Estou levando o violão porque Alexandre queria me ouvir tocar. E eu também quero mostrar o que já aprendi para o Fernando Lopez amanhã.
― A Violeta disse que você pode subir ― o porteiro avisou e eu me despedi de Pedro.
Subi pelo elevador, depois passei pelo corredor e parei em frente ao apartamento de Violeta, onde dei três leves batidinhas.
Depois de alguns segundos, a detetive abriu a porta com um pouco de dificuldade, assim deixando uma pasta cinza cair no chão.
― O que é isso? ― perguntei pegando o objeto caído e a mulher à minha frente deu um leve empurrão com o pé na porta, me dando espaço para passar.
― Um novo caso ― se sentou no sofá no meio da papelada e eu lhe entreguei a pasta cinza, fechando a porta atrás de mim. Ela sorriu em agradecimento ― Suponho que essas flores não sejam para mim ― olhou para as minhas mãos e eu sorri, sem graça.
― Como ele está? ― perguntei ajeitando a mochila nas minhas costas e a detetive suspirou.
― O levei no médico. Ele vai fazer terapia particular toda segunda-feira, das quatro às seis. Vai se atrasar um pouco para o grupo de apoio, mas não tem problema ― olhou para os papéis à sua volta e eu me aproximei, me sentando no braço do sofá. ― Ele precisou desse acompanhamento a mais porque começou a tomar remédios ― me encarou com os olhos tristonhos e eu levantei as sobrancelhas, surpreso com a novidade.
― Sinto muito.
― O terapeuta disse que, por ele fazer muitas atividades durante a semana e sempre se empenhar, será mais difícil da... depressão piorar ― pôs a mão no peito e eu suspirei. Devia ser muito difícil para ela ter que relatar uma notícia dessas. Pra mim também era ruim escutar. ― Ale está no quarto. ― maneou a cabeça para a porta do quarto do filho e eu encolhi os ombros, meio fragilizado com o assunto.
Andei até a porta, que estava entreaberta, e dei uma batidinha leve, ainda pensando na conversa que acabei de ter com a Violeta. Eu estava com um sentimento de preocupação a respeito de Alexandre, não tinha ideia do tamanho daquela situação.
Ale estava sentado estudando e se virou para mim, me olhando sobre o ombro.
― Oi... ― adentrei o quarto e me sentei na cama. Deixei o vilão ao meu lado e segurei com mais firmeza as flores.
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Trancado a Sete Chaves
Ficção AdolescenteEm pausa/em andamento/em revisão *** +16 Um garoto descolado, com uma caixa de madeira e à procura de sete chaves. Essa é a vida divertida do estudante Eric Müller. *** Pode ter gatilhos como: ansiedade, depressão, bullying, violência, gordofobia e...
