― Você gosta de frango, Eric?
Estávamos sentados nas cadeiras em frente à grande mansão de Fernando Lopez e em breve iríamos almoçar.
Eu olhava para a piscina à nossa frente, e só pensei como seu sobrinho devia aproveitar aquela área nas férias da escola.
― Sim, senhor Lopez ― respondi segurando firmemente o violão no meu colo.
― Ótimo, porque é o que temos para almoçar ― ele sorriu. ― Se você não gostasse, iria passar fome ― riu alto e eu sorri, nervoso. ― Vamos entrar?
Eu e Alexandre assentimos e andamos pelo caminho de pedra, subimos as escadas e paramos em frente à porta de vidro de correr.
Fernando a abriu e adentramos o local. A sala era espaçosa e moderna, com um grande carpete preto fofo no chão. Este e o sofá eram brancos e a TV ocupava praticamente a parede inteira.
Do lado esquerdo, havia uma escada de mármore branco que levava ao segundo andar. Embaixo do degrau, tinha um pequeno jardim de inverno.
Mais à frente tinha duas portas brancas ― deviam ser o banheiro e a cozinha.
O Sr. Lopez continuou andando e abriu uma das portas, nós o acompanhando. Nos deparamos com uma sala de jantar enorme, com uma grande mesa no centro. Mais ao fundo tinha outra porta com uma pequena janelinha ― consegui ver uma geladeira e conclui que era a cozinha.
― Podem sentar ― o homem sorridente pediu e assim fizemos.
Deixei o meu violão ao lado da minha cadeira. A mesa era um grande retângulo, lembrando muito a Santa Ceia. Eu estava sentado ao lado de Alexandre e Fernando à sua frente.
Algumas pessoas com uniforme de cozinha se aproximaram e nos serviram. Levantei as sobrancelhas. Aquilo era diferente. Logo eles voltaram para a cozinha.
O prato servido era a única coisa simples naquela casa. Frango frito, feijão e arroz.
― Então, Eric ― Fernando começou. ― Me conte mais da amizade entre você e meu diamante ― olhou rapidamente para Alexandre e ele cruzou os braços, revirando os olhos.
― Não somos amigos, eu não tenho amigos ― ele rebateu e eu franzi a testa, começando a ficar um pouco incomodado com seu comportamento. O seu tio levantou as sobrancelhas. ― Somos... meros humanos que conversam de vez em quando. ― concluiu e eu me engasguei com a comida.
― Foi por causa do caça às chaves ― ignorei Alexandre. ― Mas ele não gosta de falar sobre isso.
― Por quê?
― Aparentemente, ele tem vergonha, agora que eu sei sobre várias coisas ― respondi e o garoto de boina me olhou de soslaio, parecendo irritado porque eu não calava a boca.
Fernando nos encarou, curioso e com medo ao mesmo tempo.
― Ok... ― ele riu fraco. ― Então você toca violão, Eric? O que acha de mostrar uma palinha?
― Claro.
Peguei o instrumento no chão, sorrindo, e comecei a tocá-lo suavemente. De vez em quando o homem de lenço levantava as sobrancelhas, surpreso.
Alexandre desfrutava do almoço, sem se importar comigo.
Quando terminei, o músico bateu palmas e o garoto de cabelos cacheados nos encarou desinteressado.
― Você é bom nisso! ― Fernando sorriu e ficou um tempo em silêncio, pensando. ― Já sei! ― estalou os dedos e eu seu sobrinho o encaramos. ― Você pode criar um ritmo legal pra minha nova música e o meu diamante pode escrever a letra! ― sugeriu e eu levantei as sobrancelhas, surpreso.
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Trancado a Sete Chaves
Ficção AdolescenteEm pausa/em andamento/em revisão *** +16 Um garoto descolado, com uma caixa de madeira e à procura de sete chaves. Essa é a vida divertida do estudante Eric Müller. *** Pode ter gatilhos como: ansiedade, depressão, bullying, violência, gordofobia e...
