Peguei meu violão em cima do sofá e abri a porta da sala, saindo.
Assim que ouviram o barulho da porta correndo, Fernando e Alexandre me olharam sobre o ombro.
― Ah, você está aí! ― o músico fez um sinal com a mão para que eu me aproximasse. ― Junte-se a nós.
Sentei em uma das cadeiras vazias em frente ao homem, pousando meu violão no chão e Ale, que estava sentado na diagonal do seu tio, pigarreou na cadeira. Fitei o garoto de canto de olho e torci o nariz, ainda pensando no que ele disse sobre mim.
Não pude disfarçar, desviei o olhar.
― Vou ao banheiro. ― o rapaz se levantou, andando até a porta em passos largos e rápidos, como se quisesse escapar do clima estranho que pairou após aquela longa conversa.
― Meu diamante está confuso ― Fernando começou, e percebi que ele me daria uma amostra do papo que teve com seu sobrinho há alguns minutos atrás. Porém, mal sabia ele que eu não sabia da amostra, mas sim da receita inteira. ― Ele não sabe quais são as suas intenções.
― Minhas intenções? ― perguntei num tom irritado, semicerrando os olhos para o homem. Ele ficou rígido com a mudança do meu tom de voz.
― Ele não sabe porque você continua sendo legal com ele.
― Porque eu quero ser amigo dele, mas parece que ele não permite ― fiz uma careta e Fernando franziu a testa, mostrando suas rugas da idade. ― Eu escutei sua conversa com ele, Sr. Lopez ― meus ombros penderam, como se tivesse soltado um peso das costas. O homem se endireitou na cadeira, esticando a coluna e apertando os olhos. ― Desculpe, mas não pude deixar de escutar a parte em que seu sobrinho dizia que eu ia abandoná-lo.
― Desculpe por isso, Eric, você é um bom rapaz ― ele esticou as pernas longas e passou as mãos pelo seu cabelo encaracolado. ― Ale nunca teve muitos amigos, e a maioria nunca ficou por muito tempo ― ajeitou o lenço verde no pescoço, como estivesse se sentindo sufocado com aquilo diante do assunto sério. ― Talvez isso explique seu temperamento atual.
Na verdade, isso explica muita coisa.
― Não sei o que Ale te disse ao meu respeito, e não estou aqui para me gabar dos meus feitos ― comecei, e logo fiz uma careta com a fala estupida. ― Mas eu apresentei meus amigos ao seu sobrinho, apresentei meu pai ― continuei, afundando na cadeira e cruzando os braços. ― O que estou querendo dizer é que eu vim para ficar.
Lopez sorriu com meu comentário, talvez um sorriso de esperança de que a minha fala não fosse da boca para fora.
― Então diga isso a ele ― levantou os ombros, como se fosse óbvio. ― Diga que veio para ficar.
― E ele vai acreditar em mim se eu disser isso?
O Sr. Lopez deu de ombros.
― Só há um jeito de descobrir.
Ouvimos a porta correr e olhamos para Alexandre, que se aproximava de nós com os braços cruzados, as mãos escondidas no moletom. Ele me olhou de canto de olho e eu fiz um muxoxo, um pouco desconfortável com a situação.
― Acho que eu devia deixar vocês... ― Fernando se levantou, mas logo foi interrompido quando alguém bateu na porta de entrada. O homem puxou o celular do bolso da calça e arregalou os olhos ao ver o horário. ― Nossa, a hora voa, não é?
Eu puxei o meu celular. Já eram cinco horas da tarde, e Violeta nos buscaria naquele exato horário.
Fernando andou pelas escadas de pedra até a porta enquanto eu e Alexandre nos levantávamos em silêncio.
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Trancado a Sete Chaves
Ficção AdolescenteEm pausa/em andamento/em revisão *** +16 Um garoto descolado, com uma caixa de madeira e à procura de sete chaves. Essa é a vida divertida do estudante Eric Müller. *** Pode ter gatilhos como: ansiedade, depressão, bullying, violência, gordofobia e...
