22• Um Jantar Convincente

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A professora deu uma pausa para os alunos descansarem e Alexandre se aproximou de mim.

Ele pegou a sua mochila amarela e tirou do bolso lateral uma garrafinha d'água.

― Você está fazendo isso tudo para ficar perto de mim? ― ele perguntou, deixando a garrafa transparente vazia.

― Não, mas se você pensa assim, acho que você tem síndrome de protagonismo.

Céus, é claro que eu estava fazendo aquilo para ficar perto dele.

Mas por quê?

Ele deu uma curta risada e me fitou com os seus olhos castanhos.

Que olhos...

Ale riu de algo que pensou e cruzou os braços.

― Quem diria.

[...]

A aula de dança já tinha terminado e agora estamos no ônibus indo para a casa de Alexandre.

― Minha mãe não vai gostar nada disso. ― ele disse ao meu lado no banco.

Eu havia lhe dito que o levaria para casa.

― Eu não sou uma má influência.

― Mas eu sou.

Apertei os lábios e encarei a paisagem de final de dia lá fora. Como estávamos contra o fluxo, o ônibus estava relativamente vazio. Ficamos um tempo em silêncio.

― Ah, eu quero o meu baú de volta. ― ele disse de repente.

― Ah, tudo bem. Podemos saltar na minha casa e buscá-lo. ― sugeri e o menino ficou em silêncio. ― Relaxa, não é como se eu estivesse te convidando para um jantar e você fosse conhecer a minha família inteira. E, por coincidência do universo, esse ônibus passa perto da minha casa.

Ele ficou em silêncio. Depois de longos minutos, saltamos no ponto próximo à minha casa. Andamos um pouco e logo chegamos na minha casa, adentrando a sala de estar.

Pedro saiu da cozinha e nos fitou. Em poucos segundos, um sorriso ladino brotou nos seus lábios.

― Olá, crianças. ― ele cumprimentou e eu engoli em seco.

― Oi, Sr. Müller. ― Alexandre ao meu lado respondeu, abraçando o próprio corpo e abaixando a cabeça para não fitar os olhos do meu pai.

― Ele só veio... ― eu ia explicar, mas Pedro me interrompeu.

― Por que não janta com a gente, Alexandre? ― ele perguntou e o menino ao meu lado me fitou.

Seus olhos clamavam por ajuda.

― Olhe, pai...

― É uma boa chance para você conhecer o Eric melhor. ― ele implorou. ― Não vai recusar esse convite, vai?

Ale pigarreou e forçou um sorriso.

― Ok, eu fico. Só tenho que avisar a minha mãe que jantarei fora. ― ele se rendeu e Pedro comemorou.

Meu pai se afastou para fazer a janta e eu sorri para Alexandre, dando de ombros.

Ele revirou os olhos e foi para o outro lado da sala para telefonar para a Violeta.

Me joguei no sofá enquanto o garoto conversava com a detetive Lopez.

― Não, mãe! O pai dele que me convidou... Mãe? Você sabe que... sim... hm, eu não sei. ― ele olhou de soslaio para mim. ― É, o Müller vai me levar para casa. ― disse e eu levantei uma sobrancelha. ― Ok, tchau.

Trancado a Sete ChavesHistórias para pegar e não largar. Descubra agora