Tivemos a aula de francês das quatro às seis. Eu até aprendi bastante coisa.
Quando a aula terminou, levei Alexandre para casa de Uber. Violeta já estava lá. Ela ficou desconfiada, então tive que explicar que também fui ao curso também.
De noite, na hora do jantar, contei ao Pedro sobre o curso de francês e o quanto eu aprendi lá.
Percebi que ele ficou interessado em me matricular, então lhe disse onde ficava.
Quando falei que dava para fazer a matricula pela internet, meu pai deu uma risada curta.
― E amanhã é aula de quê? ― Pedro retrucou, enquanto terminava de lavar a louça.
Enquanto ele lavava os pratos, eu secava os talheres e os guardava.
― Violão. ― guardei um garfo na gaveta. ― Se eu aprender a tocar algo, vou me encontrar com o Fernando Lopez. ― acrescentei e Pedro me fitou. ― Ele é músico e também o tio de Alexandre.
― Fernando Lopez? ―perguntou e eu assenti. ― É, eu o conheço. Pelo menos, conhecia. ― se corrigiu e eu levantei uma sobrancelha. ― Ele é um cara legal.
Terminamos e eu sequei as mãos.
― Mas por que você se encontraria com o Fernando Lopez?
Meu pai largou o pano de prato e me encarou, de braços cruzados.
― Eu e Alexandre fizemos uma aposta. ― comecei a andar até a porta da cozinha, o olhando sobre o ombro. ― Drama de adolescente.
Ele riu.
― Drama de adolescente...
[...]
No dia seguinte...
Dia 22, quarta-feira.
Parei em frente à escola e olhei ao redor, ajeitando a alça da mochila no meu ombro direito.
Dandara se aproximou e parou ao meu lado.
― Ei ― a olhei. ―, cadê o Alexandre?
Os ombros da loira penderam e eu cruzei os braços.
Ela ficou quieta e eu me preocupei com isso.
― Algum problema? ― inclinei a cabeça um pouco para o lado e ela levantou o olhar.
― Eu não sei, acho que ele não quer conversar.
― Onde ele está? O que houve?
Dand apontou para um lugar um pouco distante de nós e avistei o meu alvo. Ele estava sentado sozinho, em um banco, lendo um livro e com fones de ouvido.
Marcus se aproximou dele e começou a falar, mas o mesmo nem levantou a cabeça para fitar o rapaz.
― Mas está tudo bem. Todo mundo tem um dia ruim. ― Dandara disse e eu comecei a me afastar, andando em direção ao Alexandre, deixando minha amiga para trás.
― O que aconteceu? ― perguntei para o Marcus assim que me aproximei deles.
Ele apenas deu de ombros e se afastou.
― Alexandre.
Ele levantou a cabeça e o meu coração errou uma batida ao ver lágrimas secas nas suas bochechas. Fitei Marcus e ele encolheu os ombros, se afastando.
― Ei. ― me sentei ao seu lado e ele tirou os fones. ― O que houve?
― Não é nada.
― Pode me contar.
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Trancado a Sete Chaves
Ficção AdolescenteEm pausa/em andamento/em revisão *** +16 Um garoto descolado, com uma caixa de madeira e à procura de sete chaves. Essa é a vida divertida do estudante Eric Müller. *** Pode ter gatilhos como: ansiedade, depressão, bullying, violência, gordofobia e...
