21• Par de Dança

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Marcus chegou perto de nós e implorei mentalmente para que ele me arrastasse dali.

― Posso falar com você, Lorran? ― ele perguntou e os dois se afastaram.

Merda.

― Ele é seu melhor amigo? ― Dandara perguntou se referindo ao Alexandre.

― O quê? Não! Eu acabei de conhecê-lo.

Sorri e segurei delicadamente o rosto da minha amiga.

― Você é insubstituível, Dand.

― Ok, só não se esquece de mim. ― pediu com as suas mãos em cima das minhas. ― Você sabe que eu sou...

― Ciumenta?

A loira revirou os olhos.

― Venha. ― disse, me levando para um dos bancos. ― Tenho que te atualizar de algumas coisas.

Me sentei e a minha amiga se sentou ao meu lado.

― Baixei um aplicativo de namoro.

Eu levantei as sobrancelhas e Dandara sorriu.

― Você o que?!

[...]

O dia já tinha se passado e agora eu estou saindo da escola, ao lado de Marcus.

― Seu aniversário está chegando. ― ele falou. ― Já sabe o que vai fazer? Tipo... fazer uma festa ou ficar o dia todo na frente da televisão comendo besteiras?

Ri do seu comentário.

― Não sei... acho que não estou com ânimo de fazer uma festa.

Apertei os olhos e vi que Alexandre também estava indo embora.

― Te vejo segunda-feira? ― perguntei ao loiro, enquanto andava mais rápido, sem dar oportunidade para que ele pudesse responder.

Corri até o garoto de casaco azul e abaixei o seu capuz.

― Müller! ― Alexandre repreendeu e eu ri. ― O que você quer? ― perguntou cobrindo a sua cabeça novamente.

― Eu vou te acompanhar até em casa. ― sugeri e ele me fitou.

― Eu tenho aula de dança agora.

― Eu posso te acompanhar, então

― Céus, o que eu fiz?

Paramos no ponto em frente à escola e Alexandre fez sinal.

― Será que o seu professor de dança me deixa fazer uma aula experimental?

― Você está me perseguindo, não é? ― ele rebateu enquanto eu entrava atrás dele no ônibus.

― Você gosta mesmo de amarelo, né? ― perguntei enquanto passávamos pela roleta, olhando para sua mochila.

Ele me ignorou.

Nos sentamos nos bancos mais altos do ônibus e depois de alguns minutos Alexandre puxou a cordinha. Logo o veículo parou e saltamos.

Andamos um pouco e paramos em frente à uma porta de vidro.

O rapaz abriu a porta e entramos no local.

Nos deparamos com uma espécie de sala, onde vários alunos se encontravam.

Uma mulher de cabelos castanhos claros se encontrava no canto da sala, ajudando uma garota a fazer os passos de dança corretamente.

Assim que nos avistou, essa moça andou até nós e eu engoli em seco.

― Oi, Alexandre. Já vamos começar. ― ela informou para o garoto ao meu lado e me encarou. ― Você veio para uma aula experimental?

― Sim, senhora.

Alexandre me fuzilou com os olhos.

― Estamos trabalhando com o hip hop. ― a professora de cabelos castanhos claros falou. ― E, em breve, será valsa. Se quiser se sentar, têm uns bancos ali. ― apontou para o outro lado da sala.

Assenti e andei até lá. Me sentei e observei os alunos: quatro meninos e três meninas.

Alexandre entrou em uma salinha e, alguns minutos depois, voltou com outra roupa. Ele usava um par de sapatilhas pretas e uma camiseta, short fino e meia calça preta.

O garoto se aproximou de mim e me entregou a sua mochila amarela e a sua caixinha dos óculos.

― O que você é? Um psicopata? Um serial killer? ― ele perguntou e eu ri, negando com a cabeça.

― Vamos, dançarinos! ― a professora gritou e todos os alunos se aproximaram dela.

Ela começou a orientar os adolescentes, mas eu já não prestava muita atenção. Alexandre falava com uma garota enquanto a mesma ria.

Realmente, ele é diferente dentro e fora da escola.

Logo, todos começaram a fazer os passos de hip hop que a mulher de cabelos castanhos claros pediu.

Sorri ao ver aquilo.

Percebi que Ale se sentiu um pouco desconfortável com a minha presença, então às vezes eu desviava o olhar.

Alexandre parecia tão feliz ali, dançado com várias pessoas que pareciam se importar com ele.

Mas segunda-feira, tudo começaria de novo. Ele iria para a escola, seria julgado com uma brincadeira de mal gosto, não falaria com ninguém, voltaria para casa e torceria para que sexta-feira chegasse logo e ele pudesse ver os seus amigos de dança.

Aquilo me deu um aperto no coração.

Balancei a cabeça para dispensar os pensamentos.

― Está gostando? ― perguntou a professora se sentando ao meu lado.

― Sim, senhora.

A mulher de cabelos castanhos claros me encarou, como se esperasse algo de mim.

― Eu sou o Eric, aliás.

― Sabe, Eric? A competição em dupla de hip hop está chegando. Precisamos de mais alguém para completar uma das duplas. ― deu uma pausa, inclinando a cabeça para o lado. ― Se quiser participar, será bem-vindo.

― As duplas já foram divididas?

― Ah, sim... Alexandre ficou sem dupla, mas...

― Tudo bem, acho que vou participar. ― sorri e ela retribuiu o gesto. ― Só tenho que falar com o meu pai, então a senhora pode confirmar a minha presença para dançar hip hop na competição.

― Com Alexandre.

Eu sorri de orelha-à-orelha.

― Com Alexandre.

A professora deu um salto do banco.

― Ei, alunos! ― ela gritou e todos a fitaram. ― Em breve, teremos um novo dançarino entre nós! ― Avisou, fazendo um gesto para que eu me levantasse e assim eu fiz. ― Eric!

Fitei todos ali e os meus olhos pararam em Alexandre.

― E ele dançará com o... ― fez um suspense. ― Alexandre Santiago!

O menino de cabelos cacheados me encarou com as sobrancelhas levantadas e eu só consegui... sorrir.

Trancado a Sete ChavesHistórias para pegar e não largar. Descubra agora