Marcus chegou perto de nós e implorei mentalmente para que ele me arrastasse dali.
― Posso falar com você, Lorran? ― ele perguntou e os dois se afastaram.
Merda.
― Ele é seu melhor amigo? ― Dandara perguntou se referindo ao Alexandre.
― O quê? Não! Eu acabei de conhecê-lo.
Sorri e segurei delicadamente o rosto da minha amiga.
― Você é insubstituível, Dand.
― Ok, só não se esquece de mim. ― pediu com as suas mãos em cima das minhas. ― Você sabe que eu sou...
― Ciumenta?
A loira revirou os olhos.
― Venha. ― disse, me levando para um dos bancos. ― Tenho que te atualizar de algumas coisas.
Me sentei e a minha amiga se sentou ao meu lado.
― Baixei um aplicativo de namoro.
Eu levantei as sobrancelhas e Dandara sorriu.
― Você o que?!
[...]
O dia já tinha se passado e agora eu estou saindo da escola, ao lado de Marcus.
― Seu aniversário está chegando. ― ele falou. ― Já sabe o que vai fazer? Tipo... fazer uma festa ou ficar o dia todo na frente da televisão comendo besteiras?
Ri do seu comentário.
― Não sei... acho que não estou com ânimo de fazer uma festa.
Apertei os olhos e vi que Alexandre também estava indo embora.
― Te vejo segunda-feira? ― perguntei ao loiro, enquanto andava mais rápido, sem dar oportunidade para que ele pudesse responder.
Corri até o garoto de casaco azul e abaixei o seu capuz.
― Müller! ― Alexandre repreendeu e eu ri. ― O que você quer? ― perguntou cobrindo a sua cabeça novamente.
― Eu vou te acompanhar até em casa. ― sugeri e ele me fitou.
― Eu tenho aula de dança agora.
― Eu posso te acompanhar, então
― Céus, o que eu fiz?
Paramos no ponto em frente à escola e Alexandre fez sinal.
― Será que o seu professor de dança me deixa fazer uma aula experimental?
― Você está me perseguindo, não é? ― ele rebateu enquanto eu entrava atrás dele no ônibus.
― Você gosta mesmo de amarelo, né? ― perguntei enquanto passávamos pela roleta, olhando para sua mochila.
Ele me ignorou.
Nos sentamos nos bancos mais altos do ônibus e depois de alguns minutos Alexandre puxou a cordinha. Logo o veículo parou e saltamos.
Andamos um pouco e paramos em frente à uma porta de vidro.
O rapaz abriu a porta e entramos no local.
Nos deparamos com uma espécie de sala, onde vários alunos se encontravam.
Uma mulher de cabelos castanhos claros se encontrava no canto da sala, ajudando uma garota a fazer os passos de dança corretamente.
Assim que nos avistou, essa moça andou até nós e eu engoli em seco.
― Oi, Alexandre. Já vamos começar. ― ela informou para o garoto ao meu lado e me encarou. ― Você veio para uma aula experimental?
― Sim, senhora.
Alexandre me fuzilou com os olhos.
― Estamos trabalhando com o hip hop. ― a professora de cabelos castanhos claros falou. ― E, em breve, será valsa. Se quiser se sentar, têm uns bancos ali. ― apontou para o outro lado da sala.
Assenti e andei até lá. Me sentei e observei os alunos: quatro meninos e três meninas.
Alexandre entrou em uma salinha e, alguns minutos depois, voltou com outra roupa. Ele usava um par de sapatilhas pretas e uma camiseta, short fino e meia calça preta.
O garoto se aproximou de mim e me entregou a sua mochila amarela e a sua caixinha dos óculos.
― O que você é? Um psicopata? Um serial killer? ― ele perguntou e eu ri, negando com a cabeça.
― Vamos, dançarinos! ― a professora gritou e todos os alunos se aproximaram dela.
Ela começou a orientar os adolescentes, mas eu já não prestava muita atenção. Alexandre falava com uma garota enquanto a mesma ria.
Realmente, ele é diferente dentro e fora da escola.
Logo, todos começaram a fazer os passos de hip hop que a mulher de cabelos castanhos claros pediu.
Sorri ao ver aquilo.
Percebi que Ale se sentiu um pouco desconfortável com a minha presença, então às vezes eu desviava o olhar.
Alexandre parecia tão feliz ali, dançado com várias pessoas que pareciam se importar com ele.
Mas segunda-feira, tudo começaria de novo. Ele iria para a escola, seria julgado com uma brincadeira de mal gosto, não falaria com ninguém, voltaria para casa e torceria para que sexta-feira chegasse logo e ele pudesse ver os seus amigos de dança.
Aquilo me deu um aperto no coração.
Balancei a cabeça para dispensar os pensamentos.
― Está gostando? ― perguntou a professora se sentando ao meu lado.
― Sim, senhora.
A mulher de cabelos castanhos claros me encarou, como se esperasse algo de mim.
― Eu sou o Eric, aliás.
― Sabe, Eric? A competição em dupla de hip hop está chegando. Precisamos de mais alguém para completar uma das duplas. ― deu uma pausa, inclinando a cabeça para o lado. ― Se quiser participar, será bem-vindo.
― As duplas já foram divididas?
― Ah, sim... Alexandre ficou sem dupla, mas...
― Tudo bem, acho que vou participar. ― sorri e ela retribuiu o gesto. ― Só tenho que falar com o meu pai, então a senhora pode confirmar a minha presença para dançar hip hop na competição.
― Com Alexandre.
Eu sorri de orelha-à-orelha.
― Com Alexandre.
A professora deu um salto do banco.
― Ei, alunos! ― ela gritou e todos a fitaram. ― Em breve, teremos um novo dançarino entre nós! ― Avisou, fazendo um gesto para que eu me levantasse e assim eu fiz. ― Eric!
Fitei todos ali e os meus olhos pararam em Alexandre.
― E ele dançará com o... ― fez um suspense. ― Alexandre Santiago!
O menino de cabelos cacheados me encarou com as sobrancelhas levantadas e eu só consegui... sorrir.
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Trancado a Sete Chaves
Ficção AdolescenteEm pausa/em andamento/em revisão *** +16 Um garoto descolado, com uma caixa de madeira e à procura de sete chaves. Essa é a vida divertida do estudante Eric Müller. *** Pode ter gatilhos como: ansiedade, depressão, bullying, violência, gordofobia e...
