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Eu publicando muito e vocês comentar que é bom nada

AMARA MILLER

A biblioteca da escola era um santuário de sombras, as estantes altas lançando silhuetas escuras que engoliam a luz fraca das lâmpadas embutidas. O cheiro de livros velhos e poeira pairava no ar, misturado ao silêncio pesado, quebrado apenas pelo farfalhar ocasional de páginas ou pelo rangido distante de uma cadeira. Era o fim da manhã, e eu estava ali, sozinha, tentando desvendar uma atividade de matemática que parecia mais um enigma cruel do que qualquer coisa lógica. Meu lápis tremia de leve na mão, rabiscando equações no caderno.

Uma sombra caiu sobre a mesa, e meu estômago deu um salto antes mesmo de eu levantar os olhos. Miles estava lá, jogando-se na cadeira à minha frente, o corpo relaxado, mas os olhos pretos fixos em mim, brilhando com uma intensidade que fazia minha pele formigar. Seus cabelos escuros caíam sobre a testa, úmidos pela névoa do lado de fora, e aquele meio-sorriso torto curvava seus lábios, como se ele soubesse exatamente o efeito que causava.

— O que você tá fazendo aqui, Fairchild? — perguntei, a voz seca, tentando esconder o pulo que meu coração deu. — Não tem rosas pra podar?

Ele riu, baixo, o som enviando um arrepio pela minha espinha. 

— Não ia te deixar sozinha, Miller — disse, a voz rouca, cada sílaba carregada de um tom que era ao mesmo tempo provocador e protetor. — Ethan pode aparecer e te perturbar de novo. Não confio naquele cara.

Revirei os olhos, o calor subindo ao rosto, mas voltei aos cálculos, o lápis raspando o papel com mais força do que o necessário. 

— Eu já disse que sei me virar — retruquei, tentando soar firme, embora o peso do olhar dele parecesse queimar minha pele, como se ele pudesse ver através de cada defesa que eu tentava erguer. — Não preciso de você rondando.

Ele não respondeu, mas eu sentia os olhos dele, fixos em mim, como se ele estivesse desmontando cada barreira com um simples olhar. O ar parecia mais denso, o silêncio da biblioteca amplificando o som da minha respiração, que saía mais rápida do que eu queria. Tentei ignorá-lo, focando nas equações, mas era como tentar ignorar um incêndio. Ele estava ali, ocupando o espaço, o calor do corpo dele invadindo meu lado da mesa.

Respirei fundo, o coração batendo rápido demais, e me levantei, fingindo precisar de um livro. Caminhei até o último corredor da biblioteca, onde as estantes eram mais altas, as sombras mais profundas, o silêncio quase sufocante. Peguei um livro qualquer, sem nem olhar a capa, só para ter algo para fazer com as mãos. Mas então ouvi passos, lentos e deliberados, e meu estômago deu um salto. Miles estava lá, parado na entrada do corredor, os olhos pretos brilhando na penumbra.

— Amara, podemos conversar? — perguntou, a voz baixa, quase um sussurro, mas carregada de algo que fez meu coração disparar.

Continuei andando devagar, mais fundo no corredor, os dedos apertando o livro contra o peito. 

— Sobre o que exatamente? — retruquei, tentando soar casual, mas minha voz saiu trêmula, traída pelo calor que subia pelo meu pescoço.

Ele respirou fundo, dando um passo para mais perto, e o ar mudou, ficando mais pesado, como se a própria biblioteca estivesse prendendo a respiração. 

— Sobre o elefante na sala que a gente não tá falando — disse, a voz rouca, os olhos fixos nos meus, brilhando com uma intensidade que me prendia no lugar.

Eu ri, o som saindo mais nervoso do que eu queria, e me encostei na prateleira, o metal frio contra minhas costas. 

— Você não tá gordo, Miles — brinquei, tentando aliviar a tensão, mas meu coração batia tão rápido que parecia ecoar no corredor.

Ele não riu, mas o canto da boca subiu em um meio-sorriso torto, e ele deu outro passo, agora tão perto que eu podia sentir o calor do corpo dele, o cheiro de terra e algo mais, algo que fazia minha pele queimar. 

— Será que dá pra falar sério, só dessa vez? — disse, a voz baixa, quase um sussurro, os olhos travados nos meus. Ele esticou as mãos, segurando meus ombros com suavidade, os polegares roçando a pele exposta no meu pescoço. O toque era leve, mas enviou uma corrente quente pelo meu corpo, e eu prendi a respiração, os olhos fixos nos dele.

Nossos rostos estavam próximos, tão próximos que eu podia sentir a respiração pesada dele, quente contra minha bochecha. 

— Tudo bem — murmurei, a voz trêmula, quase engolida pelo silêncio. — Fala.

Ele hesitou, os olhos pretos brilhando com uma mistura de desejo e vulnerabilidade. 

— O beijo na estufa — começou, a voz rouca, cada palavra parecendo pesar no ar. — Foi bom, Amara. E eu sei que você gostou, porque, se não tivesse gostado, você teria me afastado, como tentou com Ethan.

Senti o calor subir ao rosto, mas não desviei o olhar, mesmo que cada parte de mim quisesse fugir e ceder ao mesmo tempo. 

— Tudo bem, eu gostei — admiti, a voz baixa, quase um sussurro, como se dizer isso em voz alta fosse perigoso. — Mas eu não sei o que fazer com isso, Miles. Não sei o que fazer com você. Não sei o que você quer, e muito menos o que eu quero. Não sei nem se devo querer alguma coisa. Você é implicante, e eu trabalho na sua casa.

Ele respirou fundo, o peito subindo e descendo, os olhos fixos nos meus, tão intensos que pareciam me engolir. Ele se inclinou mais, as mãos deslizando para os lados da prateleira, prendendo-me entre os braços, o corpo tão perto que o calor dele parecia me envolver. 

— Eu quero você — disse, a voz rouca, quase um rosnado, as palavras saindo como se não dizê-las fosse fazê-lo explodir. — É mais fácil reprimir isso implicando do que ceder. Mas eu cedi, Amara, e agora só consigo pensar no quanto quero mais.

Prendi o ar, meu corpo tremendo com a proximidade, o calor do corpo dele contra o meu, os olhos dele tão intensos que pareciam me desmontar. Ele baixou a cabeça devagar, o nariz roçando a curva do meu pescoço, o toque tão leve que enviou arrepios pela minha pele, o calor da respiração dele me fazendo cerrar os punhos. 

— Você não pensa no quão mais fácil seria apenas ceder a seja lá o que for isso? — sussurrou ele, a voz rouca, o nariz ainda roçando meu pescoço, cada palavra vibrando contra minha pele.

Meu coração batia tão rápido que parecia explodir, e eu pressionei as costas contra a prateleira, como se precisasse de algo para me segurar. 

— Eu penso — admiti, a voz trêmula, quase inaudível. — Mas tenho medo do que isso pode significar.

Ele levantou a cabeça, os olhos fixos nos meus, tão próximos que eu podia ver as faíscas de desejo neles. 

— Pode significar o que você quiser que signifique — disse, a voz baixa, quase suplicante. — Ou pode não significar nada. Mas, por favor, permita que isso aconteça, Amara. Por favor, permita.

As palavras dele ecoaram em mim, o "por favor" quebrando algo dentro de mim, como se ele tivesse aberto uma porta que eu mantinha trancada. Meu corpo agiu antes que minha mente pudesse, minhas mãos subindo para o rosto dele, os dedos roçando a linha da mandíbula, a pele quente sob meu toque. Puxei-o para mim, e o beijo foi profundo, urgente, ainda melhor que o primeiro. Seus lábios eram fogo, movendo-se contra os meus com uma fome que roubava meu fôlego, as mãos dele deslizando para minha cintura, puxando-me mais perto, nossos corpos colados contra a prateleira. Minha cabeça girava, o coração disparado, o calor dele me envolvendo como se o mundo inteiro tivesse desaparecido, deixando apenas nós dois, o silêncio da biblioteca, o peso daquele momento.

Quando nos afastamos, ofegantes, os olhos dele ainda estavam fixos nos meus, o peito subindo e descendo, o meio-sorriso torto voltando, mas com um brilho que era novo, vulnerável. 

— Isso foi... — ele começou, a voz rouca, mas não terminou, como se as palavras não fossem suficientes.

Eu ri, o som saindo trêmulo, minhas mãos ainda no rosto dele, o calor do beijo ainda queimando meus lábios. 

— Melhor que o primeiro — murmurei, a voz fraca, mas honesta, e ele riu, baixo, o som ecoando no corredor.

Recuei, o coração ainda disparado, a prateleira fria contra minhas costas. A biblioteca parecia viva com sombras, e Miles Fairchild era a maior delas, um incêndio que eu não sabia se queria apagar ou deixar me consumir.

𝐒𝐎𝐂𝐈𝐎𝐏𝐀𝐓𝐇 | 𝙈𝙞𝙡𝙚𝙨 𝙁𝙖𝙞𝙧𝙘𝙝𝙞𝙡𝙙Onde histórias criam vida. Descubra agora