MILES FAIRCHILD
A estufa era um santuário à noite, um lugar onde o mundo lá fora parecia desaparecer. O ar aqui dentro era quente, úmido, carregado com o cheiro de terra e rosas que subiam pelas treliças, suas pétalas brilhando sob a luz fraca da única lâmpada pendurada no teto. Eu estava deitado no sofá velho, as molas rangendo sob meu peso, a calça de moletom cinza e a camisa azul-marinho de manga longa grudando na pele. A casa estava quieta — Flora e Sra. Grose dormiam, James e Dani tinham saído para jantar, e Kate... bem, ninguém sabia onde Kate estava, e eu preferia não pensar nela. Não depois do que aconteceu no quarto de Amara, do jeito que ela me olhou, do silêncio que engoli quando ela perguntou se Kate tinha feito algo comigo.
A porta da estufa rangeu, e eu ergui a cabeça, o coração dando um salto antes mesmo de vê-la. Amara. Ela estava lá, parada na entrada, segurando uma garrafa de vinho tinto, o vidro escuro refletindo a luz como se guardasse segredos. Ela usava uma calça de moletom preta e uma regata cinza, o cabelo solto caindo em ondas sobre os ombros, os olhos castanhos brilhando com algo que misturava hesitação e determinação. Eu sabia que ela estava aqui por causa do tapa, por causa do que Kate disse, por causa do medo que vi nos olhos dela quando perguntou sobre meu passado. Mas, Deus, ela estava linda, mesmo com aquele peso que carregava.
— Lembrei que não me desculpei pelo tapa — disse ela, a voz suave, mas com um toque de nervosismo, enquanto se aproximava.
Eu me sentei, o sofá rangendo, e abri espaço ao meu lado, batendo de leve no assento.
— Vem cá — murmurei, tentando manter o tom leve, mesmo com o coração acelerado.
Ela hesitou por um segundo, mas veio, sentando-se ao meu lado, a garrafa de vinho ainda nas mãos.
— Pedi pro James comprar o melhor que tinha — disse ela, um sorriso brincalhão nos lábios. — Foi caro pra caramba.
Eu ri, baixo, o som ecoando no silêncio da estufa.
— Você sabe que não precisava gastar seu dinheiro — respondi, inclinando-me um pouco mais perto, os olhos fixos nos dela. — O que você quiser, qualquer coisa que precisar, é só pedir que é seu.
Ela suspirou, os olhos encontrando os meus, e por um momento, o ar entre nós pareceu vibrar.
— Se eu te pedisse, não seria surpresa — retrucou, o tom leve, mas com uma vulnerabilidade que me fez querer puxá-la para mim.
Eu sorri de lado, pegando a garrafa das mãos dela.
— Obrigado pela surpresa, então.
Com cuidado, coloquei as pernas dela sobre as minhas, o tecido macio da calça roçando contra mim. Ela revirou os olhos, rindo baixo.
— Esqueci as taças.
— Sem problema — disse, abrindo a garrafa com facilidade, o som do lacre quebrando ecoando na estufa. Levei o gargalo ao nariz, inalando o aroma rico, doce, com notas de cereja e algo mais escuro, como carvalho. —É bom mesmo.
Eu dei o primeiro gole, o vinho quente e encorpado descendo pela garganta, e passei a garrafa para ela. Amara tomou um gole, os lábios brilhando com o líquido vermelho, e algo no jeito que ela me olhou — direto, sem desviar — fez meu peito apertar. Começamos a conversar, mantendo as coisas leves no começo, como se estivéssemos tentando evitar o peso que sempre parecia nos engolir.
— Dani e James saíram pra jantar — comentei, passando a garrafa de volta. — Acho que ele tá planejando algo grande. Talvez um pedido.
Amara riu, balançando a cabeça.
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𝐒𝐎𝐂𝐈𝐎𝐏𝐀𝐓𝐇 | 𝙈𝙞𝙡𝙚𝙨 𝙁𝙖𝙞𝙧𝙘𝙝𝙞𝙡𝙙
FanfictionAmara não planejou se mudar para a mansão Fairchild. Muito menos cruzar o caminho de Miles - o herdeiro bonito, perigoso e completamente acostumado a destruir tudo o que toca. Eles não deveriam se aproximar. Eles não deveriam sentir. E, acima de tud...
