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Autora: comentem um emoji aqui só pra eu saber quantas pessoas estão lendo essa fanfic.

NARRADOR

Amara mergulhava os dedos na tinta, espalhando tons de azul e cinza numa tela que parecia pulsar com vida própria. A sala de artes da escola, vibrava com o burburinho dos alunos. Mesas cheias de pincéis, papéis e esboços bagunçados criavam um caos organizado. Amara não era de se prender só à pintura; ela amava o traço bruto do carvão, a textura de colagens, o peso da argila moldada. Cada forma de arte era um jeito de traduzir o que não explicava em palavras. Ao lado, Clara rabiscava um pássaro com lápis de cor, murmurando sobre as cores, enquanto Lisa, com seu cabelo preto, liso e longo caindo sobre os ombros, ajustava uma tela com um céu estrelado, os olhos azuis brilhando de concentração.

A professora de artes, uma mulher de óculos tortos e voz firme, bateu palmas, silenciando a sala.

— Atenção, pessoal! O evento cultural tá chegando, e vocês vão trabalhar em duplas pra expor suas obras. — Ela segurava um chapéu com papéis dobrados. — Vou sortear os pares agora.

Amara limpou as mãos na calça, curiosa. Lisa olhou para ela, um sorriso tímido, como se esperasse algo. A professora começou a tirar os nomes.

— Amara Miller e Lisa Marin — anunciou, e Amara trocou um olhar animado com Lisa, já imaginando as possibilidades.

— Cristal e Miles Juntos. — continuou a professora. Amara ergueu o olhar, vendo Miles, erguer uma sobrancelha para Cristal, que sorriu com um brilho provocador.

—Ethan Blake e Clara Thompson —Clara bufou, mas riu, cutucando Ethan, que parecia mais interessado em olhar para Amara. Minutos depois ela terminou de anunciar o restante das duplas.

— Vamos arrasar, Amara — disse Lisa, puxando uma cadeira para mais perto. — Talvez a gente possa misturar suas formas abstratas com algo figurativo meu. Tipo, um contraste.

Amara assentiu, já traçando ideias no caderno.

— Gostei. Talvez um fundo caótico com algo simples em destaque, tipo uma silhueta. —Ela apontou para a tela de Lisa. —Talvez possamos fazer algo inspirado em obras renascentistas!

Enquanto discutiam, Cristal se aproximou de Miles, que organizava pincéis numa mesa próxima. Ela inclinou o corpo, os cachos ruivos caindo sobre o ombro, e falou baixo, o tom carregado de insinuação.

— Então, Miles, se divertiu na festa, né? — disse, o sorriso afiado. — Parecia bem à vontade.

Miles deu um meio-sorriso, sem responder diretamente, voltando aos pincéis. Amara, que ouviu de relance, não sentiu franziu o cenho, com uma pulga atrás da orelha. Cristal estava tentando de novo, jogando charme como sempre. Amara balançou a cabeça, ignorando, e voltou a conversar com Lisa, esboçando ideias. Não valia a pena dar atenção. Cristal era assim, sempre cutucando, e Amara não ia morder a isca.

Lisa apontou para o esboço de Amara, entusiasmada.

— Sabe, você tem um jeito de fazer tudo parecer vivo. Como se as formas tivessem alma. —Ela hesitou, quase tímida. —Queria ter esse instinto.

Amara sorriu, surpresa com a sinceridade.

— Você tem, Lisa. Sua arte parece que vai engolir a gente. Vamos fazer algo foda juntas.

Lisa riu, relaxando, e as duas mergulharam no planejamento, trocando ideias sobre cores e texturas. Amara sentiu uma conexão crescente com Lisa, algo leve, mas genuíno, como se a arte as estivesse unindo.

[...]

A noite caiu, e a estufa da mansão parecia um mundo à parte. Aquele havia se tornado o cantinho inconsciente de Amara e Miles. Por falar neles, ambos trabalhavam juntos num canteiro de rosas brancas, algo que haviam combinado mais cedo, na escola. Ele cavava a terra com uma pá pequena, o cabelo bagunçado caindo na testa, enquanto Amara ajustava as raízes de uma muda, os dedos sujos de terra. O espaço apertado fazia seus ombros roçarem, e as risadas vinham naturalmente, como se o resto do mundo não existisse.

— Você tá fazendo isso errado, Miller — brincou Miles, apontando para a muda torta. — Quer matar as coitadinhas?

Amara revirou os olhos, rindo.

— Fala o especialista em rosas. Olha só, tá perfeito. — Ela empurrou o ombro dele, deixando uma marca de terra na camiseta.

Ele riu baixo, o som quente, e pegou um pano, limpando uma mancha de terra do rosto dela. O toque era leve, mas firme, os dedos demorando um segundo a mais na bochecha, quase possessivo.

— Agora tá melhor — murmurou, o meio-sorriso torto surgindo, os olhos brilhando na penumbra.

Amara sentiu o rosto esquentar, mas manteve o sorriso, voltando às rosas. Eles terminaram o canteiro, as mudas brancas alinhadas, delicadas contra a terra escura. Miles se levantou, limpando as mãos, e olhou para o trabalho, satisfeito.

— Tá bonito — disse, a voz rouca. — Agora precisa de um nome. O que acha, Miller? — Ele se inclinou, o ombro roçando o dela, o tom leve, mas com um peso sutil, como se o nome fosse mais que uma brincadeira.

Amara sorriu, espanando a terra das mãos, e deu de ombros.

— Não curto rótulos — respondeu, o tom brincalhão, desviando do convite implícito.

Miles ficou quieto por um instante, os lábios apertados, o olhar escurecendo com uma frustração que não verbalizou.

— Nem tudo é tão solto, Amara — disse, a voz baixa, quase um murmúrio, carregada de algo que ele não explicou. Ele se aproximou, beijando a bochecha dela, o toque quente, quase possessivo, mas tão natural que parecia só deles.

— Quero que isso signifique algo — acrescentou, segurando o canteiro de rosas, os olhos fixos no dela, como se buscasse uma resposta que ela não deu.

Amara sorriu, o coração disparando, mas não respondeu. Em vez disso, ajeitou uma última muda, evitando o peso daquele momento. Miles suspirou, quase inaudível, e assentiu.

— Tudo bem — disse, a voz neutra, colocando o canteiro no lugar certo, ao lado de outras rosas. Ele limpou as mãos no jeans, e sorrio, mas com uma sombra de algo não dito.

𝐒𝐎𝐂𝐈𝐎𝐏𝐀𝐓𝐇 | 𝙈𝙞𝙡𝙚𝙨 𝙁𝙖𝙞𝙧𝙘𝙝𝙞𝙡𝙙Onde histórias criam vida. Descubra agora