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AMARA MYERS

O pátio da escola estava barulhento, cheio de alunos se amontoando em direção à saída, as vozes misturando-se ao som de mochilas batendo e tênis arrastando no concreto. O sol brilhava forte, aquecendo minha pele enquanto eu caminhava, a alça da mochila pesada no ombro. Eu estava exausta, a cabeça cheia de pensamentos sobre Miles — o peso das palavras dele, a promessa silenciosa de que eu era sua namorada. Eu sabia que ele estava me esperando do lado de fora, provavelmente encostado no carro com aquele sorriso presunçoso que me desarmava. Só de pensar nisso, meu peito aquecia, mas antes que pudesse chegar à saída, uma voz me parou.

— Amara! — Ethan se aproximou, o cabelo loiro bagunçado, o sorriso fácil que nunca parecia honesto. — Clara tá te procurando na biblioteca. Disse que precisa de ajuda com uma pilha de livros pra próxima aula de geografia.

Eu franzi a testa, o desconforto subindo pelo peito.

— Por que a Lisa não tá ajudando ela? — perguntei, ajustando a mochila, desconfiada.

Ele deu de ombros, o sorriso não vacilando.

— Lisa já foi pra casa. Vamos, é rápido.

Hesitei, o instinto gritando que algo estava errado, mas a ideia de Clara precisando de mim me fez ceder.

— Tá bom — murmurei, seguindo-o, os passos pesados contra o chão do corredor.

A biblioteca estava assustadoramente silenciosa, as estantes altas engolindo a luz fraca que vinha das janelas. Não havia Clara, nem livros, nem ninguém. O ar parecia denso, como se carregasse uma ameaça que eu ainda não conseguia identificar. Virei-me para Ethan, a raiva subindo tão rápido que minha voz saiu afiada.

— Você tá brincando com a minha cara? — perguntei, enquanto ele fechava a porta com um clique que ecoou como um trovão.

Ethan riu, um som baixo, quase divertido, mas os olhos dele brilhavam com algo perigoso.

— Relaxa, Amara. Só quero conversar.

Dei um passo para a porta, o coração disparado, mas ele bloqueou o caminho, o corpo grande demais, perto demais.

— Sai da frente, Ethan — ordenei, a voz firme, apesar do medo que começava a rastejar pela minha espinha.

Ele não se moveu, o sorriso sumindo, substituído por uma intensidade que fez meu sangue gelar.

— Por que você tem que ser tão difícil? — perguntou, dando um passo à frente.

Recuei, meus olhos procurando algo, qualquer coisa, e encontrei um livro grande e pesado em uma prateleira ao lado. Agarrei-o, segurando-o com força, como uma arma.

— Se você não me deixar sair, eu juro que te acerto com isso — avisei, a voz tremendo, mas decidida.

Ele riu, como se fosse uma piada, e avançou. Joguei o livro com toda a força, acertando o pé dele. Ethan xingou, curvando-se de leve.

— Merda, Amara! — grunhiu, a voz carregada de frustração. — Por que você escolheu aquele cara? Por que Miles, e não eu?

Endireitei a postura, a raiva me dando coragem.

— Porque você nunca foi uma opção, Ethan — disparei, as palavras cortando como lâminas. — É o Miles. Sempre foi o Miles.

Tentei passar por ele, o coração batendo tão alto que parecia ecoar na biblioteca.

— Você mentiu sobre a Clara, desperdiçou meu tempo — continuei, empurrando-o com força. — Eu achei que você tinha mudado, mas Miles tava certo sobre quem você é.

𝐒𝐎𝐂𝐈𝐎𝐏𝐀𝐓𝐇 | 𝙈𝙞𝙡𝙚𝙨 𝙁𝙖𝙞𝙧𝙘𝙝𝙞𝙡𝙙Onde histórias criam vida. Descubra agora