DANI MILLER
A cozinha da mansão Fairchild parecia um refúgio improvável, com suas paredes de pedra fria e o aroma morno de café que eu acabara de preparar. A neve caía lá fora, os flocos dançando contra as janelas altas, filtrando a luz em tons de cinza que tornavam o ambiente ainda mais opressivo. Eu estava debruçada sobre a bancada, mexendo uma colher no café, tentando ignorar o peso que carregava desde o jantar de ontem, onde James me abraçara com aquele olhar que dizia mais do que palavras. Era um peso bom, mas também uma corda que parecia apertar meu peito, como se eu não merecesse essa felicidade. Não aqui, não nesta casa cheia de sombras.
O som de passos rápidos quebrou meus pensamentos. Kate entrou na cozinha, o cabelo loiro preso em um coque desleixado, os olhos brilhando com uma intensidade que me fez endireitar a postura. Ela sempre teve esse jeito, como se pudesse cortar o ar com um olhar. Hoje, porém, havia algo mais — uma fúria crua, mal contida, que fazia seus movimentos parecerem elétricos. Ela parou do outro lado da bancada, as mãos apoiadas na madeira, os dedos pálidos apertando com força.
— Então, Dani — começou ela, a voz doce demais, como veneno disfarçado de mel. — Como tá se sentindo, hein? Conseguindo tudo o que quer? James, a casa, a atenção que você tem...
Eu pisquei, surpresa, a colher parando no ar. O tom dela não era novo. Kate sempre teve essa mania de jogar farpas, especialmente quando se tratava de James, mas hoje havia algo mais afiado, mais perigoso. Coloquei a xícara na bancada, devagar, mantendo os olhos nela.
— Do que você tá falando, Kate? — perguntei, mantendo a voz firme, apesar do nó que começava a se formar no estômago.
Ela riu, um som curto e cortante, inclinando a cabeça como se estivesse estudando uma presa.
— Não se faz de idiota, Dani. Você sabe exatamente o que quero dizer. — Ela deu um passo mais perto, apontando um dedo trêmulo na minha direção. — Você chegou aqui, com esse jeitinho de indefesa, e roubou tudo. James era meu, essa casa era minha, antes de você e sua irmãzinha aparecerem!
A raiva subiu tão rápido que quase me cegou. Eu sabia que Kate tinha ciúmes, mas ouvir isso, dito tão cruamente, era como um tapa.
— Seu? — retruquei, a voz subindo, minha mão apertando a borda da bancada. — Kate, você tá obcecada! James não é um objeto, e eu não roubei nada. Ele me escolheu, e você precisa aceitar isso!
Os olhos dela se arregalaram, e por um momento, achei que ela ia recuar. Mas então ela pegou um copo de vidro da bancada — um dos copos antigos da Sra. Grose, com bordas trabalhadas — e o jogou no chão com força. O vidro explodiu em mil pedaços, o som ecoando como um grito na cozinha silenciosa. Eu recuei, o coração disparado, os cacos brilhando aos meus pés como estrelas quebradas.
— Aceitar? — gritou Kate, o rosto vermelho, as mãos tremendo. — Você acha que eu vou ficar olhando enquanto você e sua irmã destroem tudo? Vocês são intrusas, Dani! Intrusas!
Antes que eu pudesse responder, empurrei a cadeira para trás e dei um passo na direção dela, a raiva me fazendo esquecer qualquer cautela.
— Você tá louca, Kate! — disparei, minha voz tremendo de fúria. — Você não manda em ninguém aqui, nem em James, nem em mim, nem em Amara! Cresce! Você é mais uma empregada, assim como nós.
Ela avançou, como se fosse me empurrar, mas antes que pudesse tocar em mim, a voz firme da Sra. Grose cortou o ar.
— Basta, Kate! — disse ela, aparecendo na porta da cozinha, o avental manchado de farinha, os olhos cansados, mas autoritários. Ela segurou o braço de Kate, não com força, mas com uma determinação que não deixava espaço para discussão. — Vamos lá fora. Agora.
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𝐒𝐎𝐂𝐈𝐎𝐏𝐀𝐓𝐇 | 𝙈𝙞𝙡𝙚𝙨 𝙁𝙖𝙞𝙧𝙘𝙝𝙞𝙡𝙙
Fiksi PenggemarAmara não planejou se mudar para a mansão Fairchild. Muito menos cruzar o caminho de Miles - o herdeiro bonito, perigoso e completamente acostumado a destruir tudo o que toca. Eles não deveriam se aproximar. Eles não deveriam sentir. E, acima de tud...
