"Estávamos em Global School. Era tudo ou nada agora."
O novo ano no colégio interno traz novas figurinhas para o quadro de alunos da prestigiada instituição. Mais de 200 jovens administrados por seis padrinhos e um autoritário diretor impopular...
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OK, sou um pouco temperamental, e detesto ser assim, sei que preciso me acalmar, mas... caramba, onde cargas d'água que esse chico tinha se metido? O grêmio fez a campanha de arrecadação, mas nem sinal do Brasil junto deles! Eu não sei, eles não sabem, ninguém sabe! Ninguém sabe onde está essa beldade. Quer saber? Que se dane, espero que um falcão tenha levado ele para o topo de uma montanha! Esse ridículo!
Ah. Paciência, Argentina, paciência. Inspira, expira. Foi mal, realmente lamento por esse pequeno surto no começo, mas, se tem uma coisa que eu não suporto, é palhaçada com a minha cara. Desde o dia anterior, que Brasil saiu correndo da floresta e me deixou lá, plantado, que eu não sei onde ele está. Me contaram que ele tinha aparecido no Refeitório, mas cheguei lá e nada dele. Desde então, estou estourando feito um doido.
— Houd je vast, vriend! Vai acabar estourando o cérebro assim! – dizia Holanda, da cama dele, desviando o olhar do celular por um minuto para me chamar atenção. Relaxa, vai ver o Brasil foi... dormir no quarto de um colega ou algo assim!
Podia até ser, mas então por que ele não me avisou pelo menos? Me deixou procurando feito uma barata tonta pelo internato?!
— Ah, muito bem. Holanda, levanta logo e me ajuda a achar esse bendito brasileiro boêmio. Claro, se não quiser que eu machuque seus "países baixos".
Ele ergueu as sobrancelhas, mas ao mesmo tempo não se irritou por causa do trocadilho. Às vezes a resiliência dele me assustava muito, porque nem se eu jogasse uma bola de basquete bem forte na cara dele isso iria afetar o humor dele. Holanda era um aluno tão exemplar ali, talvez o melhor novato daquele ano em questão de notas. Se o lindo do Brasil não descreveu eu faço isso: um cabelo loiro jogado como uma onda para o lado esquerdo, pele branca e lisa, olhos azuis e uma boca até que de tamanho mediano. Resumindo, o último gentleman.
— Eu não ligo para suas ameaças, "barbicha". – esse atrevido ainda usou o apelido que o Brasil tinha inventado. Falso, fingido, ridículo, esse holandês de araque... — Não que eu não me importe com o nosso colega de quarto, mas agora, nesse momento, estou um pouco ocupado terminando de fazer o relatório que ele não fez para diretor ONU.
— Estou vendo que se importa mesmo... - cruzei os braços e balancei a cabeça. Holanda fez pouco caso com minha preocupação.
— Que agoniado você, hein? A gente se vê todo dia, ele só deve ter... ah, não sei!
— Desde ontem ele não dá as caras!
— E o que você quer que eu faça? Um tele transporte pra ele surgir aqui? Se eu não fizer isso aqui por ele, leva anotação no nome dele, sabia disso? Ou ele fugiu da escola e não avisou. Agora, se quiser vai procurar ele.
Eu tinha um motivo bem específico sim pra estar preocupado, mas não contei porque talvez Holanda estranharia. No dia anterior, Brasil começou a correr atrás de Sr. Oceania pela floresta. Quer dizer, ele diz que o professor estava lá, mas eu mesmo não vi nada. E ele não tinha me explicado porque daquilo tudo, então queria encontrá-lo e entender melhor as coisas. E já tinham dado 14:00 da tarde, e nada.