3. Nações unidas

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Se passou uma semana desde que falei com Brasil pela primeira vez

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Se passou uma semana desde que falei com Brasil pela primeira vez. A maneira como eu havia conhecido o novato de cabelos encaracolados não foi uma das mais comuns; pelo menos, ele pareceu manter a promessa de não contar a ninguém sobre o que eu estava fazendo.

Acho que nem preciso me apresentar aqui, não é? Bom, meu nome é Alemanha. Estou em Global School já faz um tempo, mas não tem um ano desde que eu comecei a notar que algo aqui fedia. E fedia muito. Até hoje não consegui encontrar a verdadeira resposta para os dilemas envolvendo o dinheiro da instituição. Honestamente, não entendi como nenhum dos responsáveis da escola conseguiu notar as irregularidades. Talvez fosse alguém de dentro, talvez... fosse mesmo o tesoureiro Antártica. Mas eu não podia me precipitar. Grécia desapareceu mesmo tendo o maior cuidado do mundo, imagine eu então, se eu colocasse o carro na frente dos bois.

Era domingo. Como de costume, não tinha aula nesse dia, então o pessoal tinha que bolar atividades para os alunos. A piscina que, nos dias de semana só era permitida de dia, nos finais de semana eram liberadas até a noite. Claro, o pessoal não perdia tempo algum. Uns iam pra lá, outros iam jogar algo no gramado, e alguns ficavam enfiados nos quartos jogando ou mexendo no Instagram. Não tinham muitas restrições fora o fato de ser estritamente proibido sair das dependências da escola. A última coisa que o pessoal faria seria fugir, eles sabiam que podia dar problemas. No mais, o lado de dentro das cercas e muros do internato pareciam mais seguros que o lado de fora... uma gigantesca floresta, silenciosa e parada. Se algum aluno se aventurava ali, com certeza não tinha medo de muita coisa não. Ainda não tomei coragem de ir. Ele poderia estar por ali, se escondendo seja lá do que... ou de quem.

Era difícil dizer em qual dos dois lugares parecia ter mais segredos.

Eu, sozinho e calado, passava pelos corredores olhando para baixo, perdido em meus pensamentos. As mãos enfiadas pra dentro das jaquetas. Por Frankfurt, como estava frio! Quando me dei ao luxo de levantar a cabeça, meus olhos deram ao encontro de um cartaz colado na parede: "Inscrições para o Novo Grêmio Estudantil". Putz, eu tinha esquecido!

Eu nunca quis me candidatar; isso só traria mais atenção pra mim, e eu odiava atenção. Já fiz muita cagada ali por um tempo, não queria mais falar com ninguém. Machuquei pessoas demais. Será que me perdoariam? Por isso resolvi manter minhas expectativas nas sombras dos corredores, e não nos holofotes do grêmio. Mas eu pensei: imagine o poder que esses cargos dão pra um aluno qualquer?

Eu não queria me inscrever, mas imaginei que a posição ajudaria muito nos meus objetivos. Então, corri até a piscina, onde eu sabia que o encontraria.

― Como... como assim, Alemanha? - perguntava Brasil, o corpo pingando e com os braços envoltos no próprio corpo. Realmente estava frio, mas eu arrastara o garoto pra fora da água. ― Quer que eu entre por você?

― Sim. - confirmei, balançando a cabeça. Ele estranhou, inclinando a cabeça.

― Isso faz parte do seu plano? Mas no que vai ajudar a encontrar o bandido do dinheiro?

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