"Estávamos em Global School. Era tudo ou nada agora."
O novo ano no colégio interno traz novas figurinhas para o quadro de alunos da prestigiada instituição. Mais de 200 jovens administrados por seis padrinhos e um autoritário diretor impopular...
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Fiquei surpreso quando, logo na segunda, pela manhã, me deparei com um dos murais do corredor da escola anunciando um "breve recesso da mestra de Relações Geoeconômicas, M. Europa". O motivo? Simples. Havia sido anunciado uma investigação oficial contra ela, e uma investigação que vinha revirando o prédio de ponta a cabeça.
Bem, o tempo, que já não estava dos mais quentes, caiu até mais ou menos 20º, indicando que o outono estava terminando. 19 de dezembro, não é de se surpreender, dali a dois dias, pelo que constava na rádio meteorológica, uma nevasca atingiria nossa região. As atividades ao ar livre, nos campos e nas pistas, foram substituídas por outras, no ginásio e na academia. As pessoas achavam fofo me ver tentando erguer um supino, sendo que eu tenho quatorze anos.
Quase todas as árvores estavam peladas, e haviam enormes tapetes de folhagens douradas se espalhavam pelo chão da floresta e vinham voando até entrar nos nossos quartos. Nesse tempo, algumas chuvas começaram com mais frequência, o que também contribuiu para uma brusca mudança de rotina. Bem, acho que sobre o clima, me delonguei o suficiente. Fyrirgefðu. Me desculpe.
Acho que falar no meu idioma não vai ajudar, até porque a maioria deve pensar se tratar de uma língua maia. De fato, é um pouco mais primitiva que a maioria das atuais, até mesmo que as outras escandinavas. Se eu soltar algo em islandês por aqui, a palavra seguinte será a tradução — mas acho que já notaram isso nesse livro. Bom, vamos prosseguir.
Meus amigos tinham o costume de acordar cedo, tomados de uma misteriosa animação e disponibilidade para aproveitar a melhor parte do dia. Todos adoravam essa estação porque era nela que mostravam conhecerem bem de moda. O problema é que era meio difícil para mim acompanhar o ritmo deles. Imagina só, sair pra caminhar acompanhado do Finlândia, que era o maior do grupo, e um dos mais altos do internato? Ele devia ter mais ou menos 1,91.
Assim que consegui abrir por completo meus olhos, coloquei o casaco azulado por cima da roupa e o meu famigerado gorro, motivo de chacota porque todo mundo dizia que ele devia estar encardido. Por que as pessoas não cuidam das próprias vidas?
Desculpe novamente, às vezes esqueço que detalhes demais podem deixar chato e repetitivo.
Abri a primeira gaveta do meu criado-mudo e puxei de lá minha câmera fotográfica, cuidadosamente guardada e com a tampa no lugar. Olhei janela afora, e como eu citei, devia estar um frio de congelar cartilagem de tubarão. As camas estavam vazias; Noruega molhava exageradamente as belas madeixas loiras na pia do banheiro, os óculos de aros redondos descansando sob a pedra; já Finlândia estava sem camisa, e procurava algo para vestir por baixo do casaco. Seu colar e seu maço de cigarros estavam jogados na cama. Eu prefiro não comentar sobre isso. Percebi que eles demoravam mais que as meninas para ficarem prontos.
Encontramos Suécia e Dinamarca já na escadaria popular, por onde passavam alguns alunos, portando suas pastas, cadernos e bolsas e partindo em direção a seus afazeres. Dina estava com um fone de pompom e uma trança solitária deitava sobre a clavícula da Su. Ainda estavam com expressão de mortas. O relógio de pêndulo acabava de anunciar que eram 6:30. O Refeitório abriria nesse horário.