"Estávamos em Global School. Era tudo ou nada agora."
O novo ano no colégio interno traz novas figurinhas para o quadro de alunos da prestigiada instituição. Mais de 200 jovens administrados por seis padrinhos e um autoritário diretor impopular...
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Me aproximei à medida que fui reconhecendo que aquele macho na frente do diretor era bastante familiar pra mim.
— Pai... – ele se virou imediatamente. O homem estava com uma elegante e habitual roupa imperial, com duas ombreiras e luvas brancas nas mãos, que estavam cruzadas atrás do corpo formalmente. Ele sorriu brandamente ao me ver.
— Garoto... Não estava com seus colegas?
— Bom, decidi falar com o senhor. O pessoal anda meio disperso ultimamente.
— Não esperava menos. – ele se inclinou levemente na minha direção. — Quem teria mesmo falecido? Ou estou confundindo as informações? Claramente, pelo que noto, a situação referente ao jovem sequestrado foi resolvida.
— Ah, pai, por que tá falando tão formalmente assim?
— Como? Mas eu sempre falo dessa forma.
— Sério? – Cocei as madeixas, ao que ele afirmou com a cabeça.
— Porventura já se esqueceu disso? Parece que faz séculos incontáveis desde que o mandei para cá.
Eu precisava parar de ser enrolado, daqui a pouco o garoto ia chegar no prédio e todo mundo teria que fazer silêncio. Era agora ou nunca, a tal da pergunta: — Papai, o senhor acredita... que eu ando com a memória um tanto perturbada?
— Por quê, meu garoto? – o semblante dele turvou-se por inteiro. — Está lhe acontecendo algum infortúnio?
PRA CARAMBA, HOMEM! NEM TE CONTO...
— Não muito. – acho que seria mais fácil se eu contasse, mas sei lá. — Ando tendo uma relação boa com todo mundo aqui. Meus amigos e pá. A questão é que de vez em quando, eu percebo que esqueci alguma coisa anterior. Anterior à minha vinda pra escola. Todo mundo, na verdade. É estranho, né? Na sua época acontecia isso também?
— Certamente que não. – respondeu, incisivo e soturno. — Não se ouviam relatos disso, senão da senhora que possuía Alzheimer e cuidava das chaves do Refeitório. Mas dentre os alunos, não houve tal fenômeno.
— Isso é curioso. Muito curioso. Às vezes, eu sinto que tem algo de errado com o internato. Uma sensação de mentira, rivalidade, nem sei mais o quê.
— Você sente isso mesmo? – o tom dele pareceu ainda mais preocupado. As sobrancelhas estavam para baixo. — Em uma escala de 1 a 10, qual seria sua resposta?
— Seria 7, ou 8.
— Filho, lembre-se daquilo. "Por trás de uma criança..."
— "...há sempre a figura oculta do cachorro atrás." – respondi imediatamente, com voz risonha, e logo me assustei por saber completar a frase. Meu pai sorriu, vitorioso.