13. Devolve o nosso ouro!

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Me aproximei à medida que fui reconhecendo que aquele macho na frente do diretor era bastante familiar pra mim

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Me aproximei à medida que fui reconhecendo que aquele macho na frente do diretor era bastante familiar pra mim.

   — Pai... – ele se virou imediatamente. O homem estava com uma elegante e habitual roupa imperial, com duas ombreiras e luvas brancas nas mãos, que estavam cruzadas atrás do corpo formalmente. Ele sorriu brandamente ao me ver.

   — Garoto... Não estava com seus colegas?

   — Bom, decidi falar com o senhor. O pessoal anda meio disperso ultimamente.

   — Não esperava menos. – ele se inclinou levemente na minha direção. — Quem teria mesmo falecido? Ou estou confundindo as informações? Claramente, pelo que noto, a situação referente ao jovem sequestrado foi resolvida.

   — Ah, pai, por que tá falando tão formalmente assim?

   — Como? Mas eu sempre falo dessa forma.

   — Sério? – Cocei as madeixas, ao que ele afirmou com a cabeça.

   — Porventura já se esqueceu disso? Parece que faz séculos incontáveis desde que o mandei para cá.

   Eu precisava parar de ser enrolado, daqui a pouco o garoto ia chegar no prédio e todo mundo teria que fazer silêncio. Era agora ou nunca, a tal da pergunta: — Papai, o senhor acredita... que eu ando com a memória um tanto perturbada?

   — Por quê, meu garoto? – o semblante dele turvou-se por inteiro. — Está lhe acontecendo algum infortúnio?

   PRA CARAMBA, HOMEM! NEM TE CONTO...

   — Não muito. – acho que seria mais fácil se eu contasse, mas sei lá. — Ando tendo uma relação boa com todo mundo aqui. Meus amigos e pá. A questão é que de vez em quando, eu percebo que esqueci alguma coisa anterior. Anterior à minha vinda pra escola. Todo mundo, na verdade. É estranho, né? Na sua época acontecia isso também?

   — Certamente que não. – respondeu, incisivo e soturno. — Não se ouviam relatos disso, senão da senhora que possuía Alzheimer e cuidava das chaves do Refeitório. Mas dentre os alunos, não houve tal fenômeno.

   — Isso é curioso. Muito curioso. Às vezes, eu sinto que tem algo de errado com o internato. Uma sensação de mentira, rivalidade, nem sei mais o quê.

   — Você sente isso mesmo? – o tom dele pareceu ainda mais preocupado. As sobrancelhas estavam para baixo. — Em uma escala de 1 a 10, qual seria sua resposta?

   — Seria 7, ou 8.

   — Filho, lembre-se daquilo. "Por trás de uma criança..."

   — "...há sempre a figura oculta do cachorro atrás." – respondi imediatamente, com voz risonha, e logo me assustei por saber completar a frase. Meu pai sorriu, vitorioso.

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