"Estávamos em Global School. Era tudo ou nada agora."
O novo ano no colégio interno traz novas figurinhas para o quadro de alunos da prestigiada instituição. Mais de 200 jovens administrados por seis padrinhos e um autoritário diretor impopular...
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A descrição de cenário era a pior possível: eu estava preso em uma caverna, debaixo de quilos de rochas enormes, junto com o Argentina.Assim que ele tivesse dado por si, teria me eliminado. Só não fez isso graças a um aditivo: ele tinha se machucado.
Mas ele não 'tava agonizando demais nem nada, sóparecia uma dificuldade de erguer o tronco para sentar. Percebi logo que a dorna perna parecia latente, e isso o desconcentrava muito. Tive medo de chegarperto, mas ele começou a gritar por ajuda, e nisso eu cedi. Mas pelo susto queele levou, o barbicha achava que estava sozinho. Vai ver ele esperava ser oúnico sobrevivente.
— Onde 'tá doendo? Você se cortou em algum lugar? – ele reprimiu meu braço, rudemente.
— Não! E não fale comigo, seu asqueroso!
— Poxa, Tinão, não 'tá no momento de guardar mágoa, não acha?
— Seu vagabundo, nunca mais me chame disso! Com que autoridade você vem me chamar por um apelido? Justo você que parou de me apelidar por causa de uma baranga de Roma?
— Você às vezes lembra aquele ex-namorado ciumento, cara... querendo ou não, tu precisa de ajuda. Não é correto eu te deixar sozinho aqui! Não percebe como 'tá escuro?
— Dane-se, boludo! Eu prefiro morrer esmagado do que receber ajuda tua!
— OK. – eu fiquei de pé de novo e o deixei sentado na minha frente. Ele ficou confuso, mas ainda mais irritado do que antes.
— "OK" o quê, seu doido?
— Quer dizer "tudo bem". Não quer ajuda, eu não vou ajudar. Fica por aí mesmo, eu tô indo.
— Indo pra onde? Só se for pra debaixo da terra!
— Tem um corredor pra lá. Não é hoje que eu quero fazer cosplay de Brás Cubas.
— Onde que você viu um corredor? Com que luz?
Mas eu não respondi. Estava tentando captar algum som longinquamente externo, talvez de um grupo de busca, talvez a voz de Bielorrússia e Uruguai. Talvez até os taramelados da Amazonas. Tinha voltado à minha consciência pelo menos dez minutos atrás, e só recebi um silêncio insuportável daquela caverna idiota. Quer dizer, até o barbicha acordar, e ele já começava a gritar.
— Ou, Brasil! Eu tô falando contigo! Onde você viu corredor?
— Ali pra trás, cara. Eu dei uma andada de leve. Acredita que meu celular sobreviveu?
— Um, bom pra você... mas pra que essa mentira agora?
— Eu não 'tô mentindo, criatura de Deus!
— Mas que raio de caverna é essa que tem até corredor?
— Uai, uma caverna mais estreita, talvez? Na verdade, eu não sei onde acaba esse buraco, mano, mas definitivamente, não é só esse cubículo. Pode até ter uma saída, mas eu não procurei.