"Estávamos em Global School. Era tudo ou nada agora."
O novo ano no colégio interno traz novas figurinhas para o quadro de alunos da prestigiada instituição. Mais de 200 jovens administrados por seis padrinhos e um autoritário diretor impopular...
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Ergui os olhos do meu celular, enquanto escutava os passos apressados a minha frente. Não estavam vindo na minha direção, mas passaram sem nem ao menos olhar pra mim. Era Sr. Oceania.
— Está procurando por alguém? – perguntei, de forma prestativa. Apesar de parecer meio rebelde, eu sabia ser elegante também. O docente negou com veemência, mas só ficou lá, me encarando, e esqueceu de dizer qualquer coisa. Então saiu quase correndo.
Eu estava vestida com meu par de asas amarelas, meu cabelo estava pintado parecendo um sorvete de napolitano. De cores azul anil, amarelo e vermelho. Ele era curto, mal chegava nos ombros e estavam cheirando a tinta spray. Um suéter de cinza desbotado e a minha pele parecia baunilha brilhante. Eu tinha me personalizado da maneira que achei melhor, mas no fim ninguém tinha ido de fantasia pra festa do México, e eu não queria tirar todo aquele trabalhão então sentei num banco num corredor qualquer de Global School. Não era muito fã de festas mesmo.
— Se quiser, pode me trazer alguns nachos e guacamole pra mim, mas qualquer refrigerante me serve também. – disse pra minha amiga Moldávia.
— OK. Eu vou lá, direi oi pro pessoal e já estarei de volta. – ela prometeu, mas pelo visto a festa rendeu, porque a mesma não apareceu nos corredores por quase uma hora. Não, eu não fui procurar, não queria assustar o pessoal com minha roupa. Já não bastava aquele chato do Turquia me chamando de Conde Drácula por causa do meu vampirismo.
Por todo esse tempo que fiquei lá sozinha, claramente me surpreendeu essas duas ocasiões em que passaram por mim no corredor sem quase olhar no meu rosto direito: primeiro, uns quatro garotos passaram. Um deles, acho que era o tal do EUA, estava com o rosto todo remendado. México me fitou de relance, franziu a testa num sinal de "E aí?" e passou com eles reto. Não esperava muito que alguém além da Moldávia puxasse assunto comigo. Era meu 5º ano ali e não tinha me aberto muito a socializar. Inclusive, eu falava pouco com a Moldávia antes.
E depois passa o padrinho dos Oceânicos, olhando para os lados como se procurasse outra pessoa. Ou então, como se estivesse fugindo de alguém.
— Prietene! Nici măcar nu știi ce s-a întâmplat în salon! – era a Moldávia que voltava aos berros, correndo na minha direção. De tão desesperada a garota estava já descabelada. Mandei ela respirar antes.
Ela repetiu o que gritava, dessa vez em tom normal.
— Amiga... devia estar no salão. Nem sabe o que houve! Uma briga terrível, parecia guerra nuclear! Guacamole e nachos pra todo o lado.
— Briga? – inclinei minha cabeça pro lado, surpresa. — Quem brigou com quem?
— EUA e Rússia. Os dois se engalfinharam feio na festa e derrubaram toda a comida e os aperitivos.
Ah, então era por isso que EUA estava todo machucado no rosto! Eu pensei.
— Vai, larga mão de ficar sozinha e venha ver a bagunça que fizeram!