"Estávamos em Global School. Era tudo ou nada agora."
O novo ano no colégio interno traz novas figurinhas para o quadro de alunos da prestigiada instituição. Mais de 200 jovens administrados por seis padrinhos e um autoritário diretor impopular...
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Provavelmente era a primeira vez que todos os alunos estavam reunidos daquele jeito no lado de fora, ainda mais em frente ao portão principal, que só conseguíamos ver durante a chegada — ou saída — de alguém. Nessa ocasião em questão, era uma despedida.
Bom dia, desculpa a falta de educação em me apresentar, supus de antemão que já fosse conhecido. Me chamo Ucrânia. Sou Europeu, estou no 5º ano no internato e sou colega de quarto — e irmão — do Rússia. Ele deve ser conhecido de vocês. Mas não sabia, naquele dia, até quando continuaria me chamando "Europeu", já que nossa madrinha estava sendo demitida de Global School.
Sim, demitida. É muito surpreendente pensar em como o colégio chegou nesse ponto, mas muitas coisas chatas vinham acontecendo por ali, coisas que não vou me delongar porque todos já estão carecas de saber: o dinheiro e blá, blá, blá... Mas, para alívio de vocês, esse capítulo não será sobre isso. A gente só precisa ir para essa cena rapidamente. Ciclos bem fechados tem que ser importantes e acredito que esse episódio seja um marco na história. Um marco injusto, admito.
Muito da neve grossa tinha derretido e aquele tapete espesso que tinha deixado a gente preso não existia mais, sendo substituído por uma camada miserável que já começava a sumir dando espaço para as gramíneas esverdeadas. Em contrapartida, agora o que dizia a previsão era que uma chuva melancólica cobriria nossas cabeças; não seria forte, pelo menos, apenas um pouco demorada. Mas como o tempo andava esquisito, era tudo incerto. Importante é que haviam muitas pessoas segurando guarda-chuva e vestidas com tons batidos e escuros. Parecia velório.
Além da mestra, outra pessoa que iria embora era Vaticano, apesar de sua estadia não passar de uma visita investigativa — malsucedida, por sinal. Em torno de alguns dias ele chegaria à Santa Sé, onde sua mãe, Igreja Católica, estaria o esperando, e a carruagem da guarda suíça, cordialmente, levaria M. Europa até a cidade do Fórum. Além dos alunos, o corpo docente e a Patrulha também se faziam presentes.
— Oh, minha amiga. – gemeu a mestra, segurando as mãos de uma emocionada M. África. — Que tristeza me despedir de vocês! Precisam acreditar em mim, não fiz nada! Eu nunca roubaria essa escola, nunca na minha vida!
— Diga isso às autoridades... – murmurou Sr. Oceania. Sr. Ásia lhe deu uma reprimenda em voz baixa. As mestras fizeram que não ouviram.
— Quando chegar lá, procure imediatamente o Juiz Pangeia, peça que ele a ajude com uma investigação justa. Se obtiver êxito, sequer irá precisar responder ao Fórum das Nações. Tenho fé que tudo irá se resolver, eu creio! Agora... despeça-se deles. – olhou para nós.
Uma boa parte dos alunos estava com o rosto banhado de lágrimas, em especial os Europeus. Bósnia-Herzegovina, ao meu lado, não parava de fungar e gemer, o que fez com que Áustria precisasse ampará-la com seu ombro amigo — e alguns lenços. Inglaterra não conseguia mostrar a cara, os olhos deveriam estar vermelhos. França e Eslováquia também choravam. Itália ainda mostrava-se relutante e tentava segurar a cascata. Coisa que Hungria não aguentou fazer por muito tempo, e saiu correndo dali para um canto. Rússia manteve-se com a postura firme, mas seu semblante indicava a mesma tristeza que todos. Enfim, estavam todos muito sensíveis. Senti uma mãozinha enluvada me cutucar, olhei para o lado e me deparei com Islândia, o baixinho do jornal, me encarando com aqueles mesmos olhos claros e expressão séria e sisuda.