"Estávamos em Global School. Era tudo ou nada agora."
O novo ano no colégio interno traz novas figurinhas para o quadro de alunos da prestigiada instituição. Mais de 200 jovens administrados por seis padrinhos e um autoritário diretor impopular...
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Sei que não precisam de uma apresentação de minha parte. Mas aqui vai. Muito prazer, meu nome é Portugal e serei como que teu "guia turístico" nas próximas páginas, sabes? E perdão pelo sotaque, que creio que vós não compreendeis com clareza. A todo modo, siga-me tu, ou vós mesmo, caso seja mais de uma pessoa a ler. Bem vindos de volta ao hospício de Global School.
Sei que não será de vosso agrado ouvir isso, mas receio não ficar aqui por tanto tempo igual meus outros colegas. Imagino como isso deve deixar-lhe triste, mas não se ponha a chorar. Será bastante proveitoso, eu garanto. Além do mais, sei como deve estar cheio de animação para ver as coisas que acontecem em seguida nessa grande história. Pois vamos lá.
Surpreenda a ti ou não que antes do fim do inverno, o mesmo já tinha se acabado. E sabes que dia que ainda era? 31 de dezembro. Pelo visto não éramos apenas nós que pularíamos o ano na virada, mas o próprio tempo. Foi um fenômeno que ninguém compreendeu, e as autoridades no assunto ainda estavam a palpitar sobre isso nos programas da rádio.
Mas dane-se isso, o importante é que havia sol. Sol, flores e muitas raparigas na piscina. Assim era bem melhor, muito mais libertador do que tanta neve nos encarcerando. Não perdi a oportunidade de mostrar-me e a minhas habilidades de nadador como forma de despertar atenção das meninas que fofocavam à toa sentadas nas pedras da borda. O desavergonhado do Arábia Saudita tentou roubar-me os óculos escuros, pois queria aparecer, mas tão rápido quanto o puxei para dentro da água, ao que ele se irritou enormemente comigo, mas logo deixou estar quando Ruanda aproximou-se dele de forma sugestiva! Ah, como era bom! O doce aroma do Verão na Primavera! Esperava-se que seguisse assim até o Festival das Flores.
Agora que lhe dei um parâmetro de como deves imaginar o cenário, vamos prosseguir. Após algum tempo refrescando o corpo, decidi poupar um pouco de minha beleza na sombra perto dos coqueiros. Ah, sim, caso não saibas, existem medianas árvores de coqueiros metidas dentro de vasos marrons, perto da entrada. Ao meio deles, há algumas espreguiçadeiras. Lá eu havia deixado minhas coisas e meu parceiro me esperando, ambos jogados às traças.
Andar até a escada é para quem não tem força o bastante para escalar direto a borda com todo estilo que se cabe. Assim que me levantei da água, julgo que quase todos os olhares se voltaram a minha pessoa e ao meu invejável físico. Andei devagar em direção a um grupo de garotas que havia mais próximo e chamei uma delas, que estava rindo sem olhar para mim. O grupo ficou em silêncio quando me aproximei, olharam para mim, mas não para o meu rosto.
— Oi. Bom, acho que lembro-me de teu nome, princesa. Luxemburgo, certo?
— Errou. Liechtenstein. – disse ela, sorridente, olhando de soslaio para as outras.
— Ah, sim, me perdoe. Sou péssimo com nomes. – falei, desconcertado, e logo retomei o meu clássico sorriso de propaganda. — Talvez seja um pedido indiscreto para a moça, mas eu posso usar tua toalha? Sabes como fica, tenho alergia ao cloro da água e pingo igual um pano de chão.