4. Motivos para sorrir

1.1K 120 199
                                        


Notas iniciais:

Oi bolinhos mais docinhos da tia Ichigo!

Estão preparados para uma dose de fofura?

Espero que vocês não enjoem deles sendo tão piticos, porque juro que vai valer a pena 🥺🥰

Enfim, boa leiturinha 🖤

...............................................................


10 anos antes, propriedade dos Zenin:

O quartinho bem organizado era preenchido com os sons de lápis e borracha deslizando sobre uma superfície e papéis sendo virados e revirados. Um garotinho de cabelos espetados e expressão emburrada percorria os olhos azuis pelos cadernos e livros espalhados por sua escrivaninha espaçosa, parecendo estar na metade de um longo processo de estudo.

Após algum tempinho, o pequeno Fushiguro bufou, apoiando suas costas no encosto da cadeira e voltando seu rosto para o teto do cômodo. Odiava aquilo. Não detestava estudar, afinal era realmente interessante descobrir coisas novas que aquelas letrinhas bem organizadas e os bons professores traziam todos os dias. Era gostoso aprender e observar como havia conseguido resolver uma conta que poderia chegar a ocupar uma folha inteira, ou escrever duas páginas ou mais, se orgulhando do que havia feito.

Mas odiava não poder sair de casa para isso.

Por que não poderia ir para a escola como todos os outros? Assim, quem sabe, poderia ver sua irmã mais vezes...

Nos últimos meses, Tsumiki mal parava em casa, já que estava sempre ocupada com atividades de clube e suas aulas. E quando chegava, nem sempre conseguiam um tempinho só para eles, já que também tinham que comparecer aos eventos rotineiros dos Zenin que, já fazia algum tempo, eram sua família.

Quem sabe, também, frequentando uma escola normal, não fizesse mais amigos? Seria legal conhecer pessoas novas e brincar com elas até cansar. E talvez pudesse ver aquele sorriso mais vezes...

Megumi sorriu minimamente, com todos esses pensamentos fantasiosos. Sabia que estava sonhando muito alto e que isso não iria acontecer. Por algum motivo, os mais velhos tentavam o proteger de tudo o que pudessem, e pareciam achar que o manter dentro daquela propriedade seria mais efetivo para sua segurança. Nem mesmo sair para ir à escola parecia seguro para eles, já que preferiram contratar professores betas para ensiná-lo.

E com cada vez mais frequência, se perguntava se não estariam exagerando...

Suspirando, o garoto voltou-se para seus estudos logo após dar uma olhada rápida para o relógio, determinado a terminar todas as suas lições deixadas pela última professora. Estava ansioso para quando teria seu momentinho de paz e preferia concluir suas atividades o quanto antes, já que ainda não estava no horário combinado.

Fazia mais uma pequena pausa, agora mais próximo de terminar, quando a porta do quarto se abriu, deslizando para o lado sem delicadeza alguma e trazendo uma leve brisa com o cheiro sutil da grama e folhagens.

– Ei, Megumi. Pensa rápido! – Disse Maki, ainda vestindo uniforme e atirando um pacotinho para as mãos do mais novo, que teve um reflexo rápido. – Tsumiki pediu pra te entregar isso, fizemos na aula hoje. E ela vai chegar tarde de novo.

– Ah, obrigado.

Rapidamente, abriu o embrulhinho enquanto a garota sentava perto de suas almofadas. Eram biscoitos de gengibre, fresquinhos. Megumi amava aquele aroma e sabor e sua irmã sabia muito bem disso. Havia também um bilhete pequeno feito rapidamente, mas com carinho, dava para sentir. As letras finas que diziam apenas um "estou aqui" eram como um abraço à distância para ele. Um sorriso discreto, agora sincero e com mais força, se formou no rosto do pequeno, que deixou o papelzinho de lado com carinho e mordeu um pedaço do doce.

RefúgioOnde histórias criam vida. Descubra agora