Segredo

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Entro na cozinha e encontro Sam já tomando café.

– Bom dia - Ele diz quando percebe minha presença.

– Bom dia.

Ele está encostado no balcão e imediatamente me oferece uma xícara de café. A lembrança dele ontem a noite, gemendo meu nome várias vezes, coloca um sorriso nos meus lábios.

– Você parece bem alegre hoje.

– É porque eu tive um sonho maravilhoso. - Provoco ele aumentando meu sorriso - Mas tenho certeza que você sabe como é, né?

– Como assim?

– Com certeza você se lembra.

– Lembro do que?

– De ontem a noite? Você repetiu meu nome várias vezes. - Vejo seu rosto ficando cada vez mais vermelho. - Deve ter sido um sonho bom demais. Estou tão curiosa, então, o que exatamente eu estava fazendo com você?

– Desculpa, não era para você ouvir isso...

– Não precisa se desculpar. Adoraria ouvir você gemer o meu nome de novo - Ele suspira quando escuta o que eu digo.

– Annie, tenho certeza que você sabe que nossa relação está virando tudo, menos profissional. Talvez fosse melhor se a gente não passasse mais do limite. Já fiz o café da manhã, então pode servir quando quiser. Vou estar na rua se precisar de mim. - Ele diz sério e ameaça sair rapidamente, seguro seu braço.

– Espera! - Sam se vira para mim, com o rosto cuidadosamente sem expressão - Eu adoraria sair hoje, seria possível? Eu sei que tecnicamente eu sou uma pessoa desaparecida, mas eu me sinto tão presa nessa cabana.

– Você pode ser reconhecida, as coisas estão mais preocupantes agora com essa história de sequestro.

– Não tem nada que a gente possa fazer para mudar um pouco a minha aparência? - Eu faço biquinho e ele não leva muito tempo para amolecer.

– Na prateleira de cima do closet tem algumas roupas que podem te ajudar a disfarçar. Tente um penteado diferente. Se você ficar irreconhecível, a gente pode ir em algum lugar hoje.

– Sério?!

– Eu imaginei que alguma hora você iria querer explorar mais a cidade.

– Sam! - Eu pulo para frente e jogo meus braços em volta dele. Ele para e não demora muito para gentilmente me afastar. Não deixando suas ações me impedirem, sorrio para ele. - Muito obrigada, mesmo, não sabe o quanto isso significa para mim.

– Estarei lá fora quando estiver pronta. Vamos com a minha moto. Já andou em uma antes, né? - Antes que eu possa responder, o telefone de Sam toca. Ele olha para baixo assim que o puxa do bolso. - É o Victor.

Sam vira a tela em minha direção para que eu também possa ver as mensagens. Ele perguntava o motivo da ligação do dia anterior e avisava que não era para ligar mais se não fosse uma emergência. Olho para Sam e vejo seus olhos se estreitando em aborrecimento. Ele digita uma resposta de uma palavra e coloca o telefone no bolso novamente.

– Pelo menos agora tenho certeza que você não me sequestrou. - Brinco com a situação, já estou acostumada com o comportamento romântico de meu marido. Ele me devolveu um sorriso triste e sai.

Entro no quarto e olho para as roupas que Sam comprou para mim. Penso que a minha melhor opção é usar algo que não chame atenção, escolho uma saia jeans bem simples, que percebi que as moradoras daqui usam bastante. Uma blusa com capuz e tênis.

No meu cabelo, eu faço um coque e uso alguns grampos para parecer que eu tenho franja. E sem maquiagem alguma. Nada extravagante, radical mas definitivamente o oposto do meu estilo. Deve funcionar.

Meu guarda-costasOnde histórias criam vida. Descubra agora