– Annie, é você?! - Uma mão cobre sua boca e ela se agarra na porta para manter o equilíbrio.
– Oi, mãe. - Minha voz sai num sussurro, mas ela me ouve mesmo assim.
Lágrimas escuras de rímel escorrem por suas bochechas. Um segundo depois, seus braços finos estão ao meu redor e ela está me puxando com força contra seu pequeno corpo.
– Você está viva?! Nós achávamos que você tinha morrido!
– Querida, quem está aí? - Uma voz grossa ecoa de dentro da casa.
– Richard! - Minha mãe grita pelo meu marido.
Meu pai desce as escadas correndo e tropeça no final quando me vê abraçada à sua esposa.
– Minha filhinha... Você está aqui!
Eu fico atordoada quando meu pai nos leva para dentro de casa e não deixa de olhar com desconfiança para o Sam.
– Ele está comigo. - Eu asseguro e Sam entra pela porta nos seguindo para dentro.
Após o choque inicial, meu pai recupera a compostura.
– Annie, nós vimos as notícias...Por que eles acham que você está morta?
Eu balancei a cabeça.
– É uma longa história. Obrigada...por não nos mandar embora.
– Nós...nunca deveríamos ter feito aquilo. - Minha mãe soluça ainda mais com as minhas palavras e a tristeza no rosto envelhecido do meu pai é surpreendente. - Nós sentimos muito.
– Te amamos tanto, filha. - Minha mãe segura uma das minhas mãos com carinho.- Nós...
De repente, a porta da frente se abre atrás de nós, seguida por um estrondo. Eu me viro e o Sam faz o mesmo, já sacando a arma. Sacolas de compras se espalham pelo chão, mas não é isso que faz meu coração bater de incerteza.
– Annie?
E sim a visão da minha melhor amiga, Hannah, parada na entrada.
– Hannah?! - Pergunto desacreditada.
Antes que eu possa pronunciar outra palavra, a Hannah joga os braços em volta do meu pescoço e grita meu nome várias vezes.
– Annie! Você está viva?! Ai, meu Deus, você está... Você está aqui! - Ela soluça no meu ombro enquanto devolvo o abraço. - Senti tanto sua falta! Quando você parou de atender, eu fiquei com tanto medo...O que aconteceu? E por que todo mundo acha que você está morta?
Um silêncio constrangedor se seguiu, até meu pai falar.
– Que tal levar essa conversa para sala?
– Seu pai está certo. Posso mandar as empregadas prepararem um café...e talvez adiantar o almoço? Tenho certeza que vocês dois estão com fome!
Sam fala a palavra "empregadas" para mim com um olhar interrogativo, mas eu só dou de ombros com um sorriso tímido.
– Alguma comida seria realmente boa ideia. A gente está tentando não chamar a atenção, então não paramos em lugar nenhum para comer no caminho.
– Vocês dois estão fugindo? - Minha amiga pergunta com os olhos arregalados. - O Victor está vindo para cá?
Minha boca fecha numa posição firme enquanto penso em como responder. Olho para o Sam, e ele balança a cabeça "não".
– Hannah, a gente devia dar um tempo para eles. Ela chegou aqui a poucos minutos antes de você. - Minha mãe a repreende e meu pai gesticula em direção à sala.
Quando nos sentamos, eu imediatamente me viro para Hannah.
– Então...o que você está fazendo na casa dos meus pais?
– Quando vi a notícia de que você tinha sido declarada morta...Eu não quis ficar sozinha. Sei que você não fala com os seus pais há séculos, mas tive a sensação de que eles precisavam de apoio.
– Que bom que você veio, Hannah. Você tem me ajudado muito. - Meu pai agradece dando um tapinha nas costas da minha amiga. Minha expressão de surpresa faz com que ele continue. - Ela nos trouxe tortas e fruta e nos atualizou sobre certas coisas.
O tom do meu pai é surpreendentemente duro no final, e faz com que a minha mãe coloque uma mão firme em seu braço.
– Agora não, Richard.
– Uhm...o que exatamente a Hannah contou para vocês?
– Não contei nada pessoal demais. Só algumas coisas sobre o Victor que você e eu odiamos.
– Como as amantes dele pelo o que eu entendi você sabe, ou a forma como ele te trata como uma esposa troféu em vez de uma parceira! Não foi assim que a gente te criou, Annie!
– Richard, por favor! Você vai afastá-la de novo!
Meu pai abre a boca para continuar, mas as palavras da minha mãe devem ter surtido efeito, porque ele fecha rapidamente com um estalo audível. Eu suspiro.
– Me perdoa, pai. Eu nunca deveria ter ido embora. É uma coisa em que tenho pensado muito ultimamente. Perder minha relação com vocês dois me machucou muito. Se não fosse a Hannah ficar do meu lado, eu estaria completamente isolada.
– Sentimos muito por você ter tido que decidir por isso. Nós tínhamos tanta certeza de que você ficaria. - Minha mãe disse com os olhos cheios de culpa, e meu pai completa por ela.
– Você não faz ideia de como ficamos abalados quando isto saiu pela culatra.
Percebo que minha mãe olha para Sam e na hora certa, ela sorri para mim e muda de assunto.
– Mas você está aqui agora e é isso que importa. Que tal você nos contar o que aconteceu?
VOCÊ ESTÁ LENDO
Meu guarda-costas
RomanceSair de uma graduação em Harvard para uma esposa troféu, é de se envergonhar. Isso é o que Annie Laurent Mazza acha de si mesma, porém, não tem como se divorciar do marido, pois deve se preocupar com uma coisa mais importante, sua vida, que está cor...
