Sentimentos

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A pergunta dele me faz ficar nervosa porque lá no fundo eu sempre quis saber a resposta. Meu pai olha fixamente para o Sam, cuja expressão facial é impossível de interpretar.

– Eu...- Sam começa meio sem jeito mas antes que pudesse continuar, meu pai solta uma risada alta e estrondosa.

– Foi uma piada, rapaz!

– Pai, sério? - Pergunto irritada e leve decepcionada por não ter a resposta de Sam.

– O que? Ele é tão sério o tempo todo, eu queria ver se conseguia fazer ele rir. - Meu pai se explica e minha mãe revira os olhos, a tensão na sala parece diminuir. - Então, Sam.

– Sim, senhor?

– Me fale um pouco sobre você. Como você se tornou o guarda-costas da minha filha?

Observo com interesse enquanto Sam fala com o meu pai. Ele estava amolecendo, aquela armadura que eu havia visto no início, já não aparecia com tanta frequência. Hannah se aproxima e sussurra no meu ouvido.

– Parece que seu pai acertou na mosca.

– Ele não está apaixonado por mim. Não teria como.

– Você é cega? Esse cara está de quatro por você, amiga.

Sam escolhe esse momento para olhar para mim. Sentindo claramente o meu nervosismo, ele chama a minha atenção com uma expressão curiosa, como se perguntasse se estou bem. Dou um sorriso tímido e aceno, colocando meu cabelo atrás da orelha. Seus lábios se separam em resposta e ele rapidamente desviou o olhar. Hannah sorri para mim.

– Às vezes, é preciso se soltar e se permitir experimentar as coisas. Você não concorda, Annie?

À noite, minha mãe aparece na porta do quarto enquanto estamos nos preparando para dormir.

– Tem certeza de que não precisam de nada? Posso trazer um copo de água, talvez um chá?

– Mãe... - Eu começo e ela continua mesmo assim.

– E mais cobertores? Não esqueça que esfria um pouco de madrugada.

– Sério, mãe... - Eu tento, mas novamente ela continua.

– Vocês dois estão usando proteção? - Sua pergunta fez com que meus olhos se arregalarem.

– Mãe! - Eu a repreendo nervosa.

– Eu só quero garantir que você esteja segura.

– Eu não sou adolescente, pelo amor de Deus! - Minha exclamação faz Sam soltar uma risada atrás de mim.

– Todo cuidado é pouco! - Minha mãe se explica.

– Por favor, sai daqui. - Coloco minhas mãos em seus ombros e começo a conduzi-la para a porta.

Mesmo andando de costas, ela ainda insiste em falar até que eu fecho a porta na sua cara.

– É completamente natural... - Sua frase é interrompida pelo meu "tchau" e a porta se fechando.

Encosto a testa na placa de madeira e Sam parece não conseguir mais segurar a risada. Ele solta uma gargalhada alta e eu me viro para encará-lo.

– Isso não tem graça, Sam! Não me lembro de ser tão envergonhada por eles.

– Não foi tão ruim assim. Ela só está cuidando de você. Pessoalmente, acho isso fofo

– Fofo?

– Ela se importa com você. Você tem ótimos pais.

– Por favor. Não acredito que você está dizendo isso depois do que o meu pai soltou essa noite.

Meu guarda-costasOnde histórias criam vida. Descubra agora