Desvendando a armadilha

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Pensar naquele dia me faz sorrir. Eu queria que ele estivesse aqui agora. Mas ainda não acabou. Olhando ao redor da sala, começo a notar quantos lugares escuros e janelas a casa dele tem. Ando até cada janela, fecho bem as persianas e acendo todas as luzes da casa.

Pelas próximas duas horas, sinto tudo, menos calma. Cada barulho me faz pular e cada ruído faz a minha cabeça virar na direção para ver o que foi. O pior momento foi quando o gato da Hannah pulou no meu lado no sofá. Eu gritei tão alto que fiquei surpresa que as janelas não quebraram.

– Cacete! O que foi?! - A Hannah entra correndo na sala, segurando um guarda-chuva. Eu grito de novo quando ela me toca. - Annie! Sou eu! Para de gritar!

– Ai meu Deus! Você me assustou! Não faça mais isso.

– O que? Entrar na minha própria casa? - Reviro os olhos enquanto ela olha em volta. - Por que todas as cortinas estão fechadas? E por que você acendeu todas as luzes da casa? Fico surpresa que não tenha caído a energia.

– Eu estava com medo! É assustador ficar aqui sozinha.

– Ei, desculpa. Eu nem parei pra pensar como seria te deixar aqui sozinha. Mas não aconteceu nada, né?

– Não, mas eu não queria me arriscar. - Ela suspira e se senta no sofá ao meu lado. - Como foi seu encontro?

– Produtivo.

– Essa é uma forma bem estranha de explicar um encontro, eu acho. Para onde ele te levou?

A Hannah ri.

– Não, eu quis dizer que consegui algumas informações com ela. Demorou um pouco para convencer ela, mas não demorou muito para ela contar com um canário.

– Uhm , convencer, é? - Dou um sorriso malicioso e ela fica vermelha.

– Certo, enfim, é muito pior do que a gente imagina.

– Como poderia ficar pior?

– O Victor está dizendo a polícia que foi o Sam que matou você, enquanto que a Lana foi quem tentou matar o Sam.

– Espera, o que? O Victor está culpando o Sam pela minha morte? Que loucura! E que tipo de argumento ele está usando contra a Lana?

– Bom, o Victor admitiu ter contratado o Sam como seu guarda-costas particular. Ele também disse que, com o tempo, o Sam começou a ficar mais agressivo e ultrapassou os limites. Ele contou uma história sobre seu guarda-costas basicamente tentando te agarrar. - Meu queixo cai e juro que estou vendo tudo embaçado. - Segundo o Victor, o Sam enlouqueceu depois que você rejeitou ele. Ele te matou numa cabana no meio do nada e tentou fazer sua morte parecer um acidente.

– Isso é...isso é tão...- Tento encontrar as palavras mas permaneço anestesiada.

– E não é nem metade.

– Então, como o Victor explicou o Sam acabando em sua casa?

– Ele afirmou que o Sam se arrependeu depois de te matar. Ele queria pedir perdão ao Victor e se entregar, mas quando chegou na casa, encontrou a Lana.

– E como o Sam e a Lana se conheciam?

– Ele já tinha trabalhado na equipe de segurança do Victor, então acho que essa é a explicação que ele deu. Enfim, assim que a Lana percebeu quem ele era, ela ficou "assustada que ele fosse causar problemas pra carreira política do Victor"

– Por que as coisas sempre envolvem a carreira política do Victor? - Eu zombo.

– Acho que uma coisa é a esposa dele ser assassinada por um maníaco...mas outra completamente diferente é ele ser a pessoa que contratou esse maníaco.

A verdade vem à tona e tudo faz sentido em minha mente.

– É claro. Se as pessoas soubessem que foi ele que contratou o Sam, ele não receberia mais votos de compaixão por uma esposa morta, mas, na verdade, receberia uma multidão que duvida da capacidade dele de tomar decisões.

– Exatamente. E foi por isso que, quando o Sam ameaçou se entregar à polícia, a Lana apaixonada tentou acabar com ele, porque faltavam poucos dias para eleição.

– A polícia acreditou nisso? Tá brincando? - Eu pergunto indignada depois que deciframos o plano.

– Em cada palavra. - Hannah responde frustrada e encolhe os ombros. - O Victor saiu parecendo uma vítima, completamente inocente e lamentando a morte da querida esposa falecida.

– Mas que evidências eles... - Eu congelo. - O lenço. Acharam o lenço da assistente dele ensopado com o sangue do Sam, né?

Ela acena séria e eu continuo.

– Naturalmente, esse lenço faz dela o alvo ideal. Sem ele, os argumentos do Victor não se sustentariam.

– Exatamente. - Ela concorda comigo.

– Como vamos sair dessa? Como podemos mostrar ao mundo quem o Victor realmente é?

– Não sei...

Lentamente, um plano começa a se formar na minha cabeça.

– Talvez eu tenha que te pedir um grande favor.

Hannah me dá um olhar sério.

– Qualquer coisa, você sabe disso.

– Ótimo, porque a gente precisa dar uns telefonemas.

Meu guarda-costasOnde histórias criam vida. Descubra agora