Morta

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– Deve ser um engano.

– Sam, aquilo é um saco para corpo! - Eu apontei horrorizada enquanto as imagens da reportagem apareciam.

A repórter dizia que os restos de uma jovem haviam sido encontrados ao lado de um prédio abandonado. Dois corredores notaram o corpo e imediatamente ligaram para os serviços de emergência. Embora os especialistas tenham afirmado que ele foi queimado e não há como reconhecê-lo, a mulher supostamente usava um anel de casamento. Apenas uma hora atrás, o senador Victor Mazza identificou o corpo como o de sua agora falecida esposa, Annie Laurent Mazza.

– Desliga isso, Sam! Por favor, desliga essa merda! - Sam pegou o controle remoto da mesa de centro e desligou a TV rapidamente.

– Ei, olha para mim! - Ele se sentou ao meu lado no sofá, tento afastar as mãos do meu rosto, mas meu corpo simplesmente não me obedece, como se eu estivesse fora do controle - Respira fundo.

– Sam, eu... - Sam gentilmente pega minhas mãos, afastando-as do meu rosto, e esfrega círculos suaves nas palmas das minhas mãos com os seus polegares. Eu dou o meu melhor para combinar a respiração dele com a minha, mas meu coração está pulando do peito.

– Tem que existir alguma explicação para isso.

– Por que Victor faria isso, Sam? O que a gente ganha com isso? Dizer que eu fui sequestrada é uma coisa, mas morta?

– Não sei o que está acontecendo, mas vou chegar ao fundo disto. Talvez tinha outra ameaça que a gente não sabia?

– Outra ameaça?

– É possível que ele achasse que não tivesse outra escolha.

– Não tivesse outra escolha senão me matar? Acho que você tem razão...pode ter uma boa explicação - Digo tentando acreditar em minhas próprias palavras.

– Bom, espero ouvir uma explicação logo...porque não estou gostando nada disso.

– Nem eu. Toda essa situação está estranha. Afinal, um corpo de verdade foi encontrado. Pode ser que tenham se confundido com a identidade...só que a mulher estava usando o meu próprio anel de casamento!

– Isso me lembra uma coisa. O seu anel não está aqui? Eu vi você usando ele esses dias. - Sam pergunta após seus olhos caírem nos meus dedos nus.

– Eu tenho dois. O Victor perdeu o primeiro antes do casamento, então encomendou outro. Só que aí ele encontrou umas semanas depois...e deve ter usado esse.

– É possível.

– Enfim, não consigo engolir toda essa farsa só pra me proteger. É possível que ele...tenha matado alguém? - Só a possibilidade me provoca um arrepio, será que ele iria tão longe?

– Sei lá. Eu...não sei do que o seu marido é capaz, Annie.

– Pra ser sincera...nem eu sei e isso me assusta. - As implicações terríveis do que o Victor fez finalmente vem à tona, e eu aperto meus dedos. - Todo mundo acha que eu estou morta. Meus vizinhos, meus amigos, minha família.

Sam percebe a mudança no meu comportamento e seus olhos se concentram no meu rosto.

– Annie... - Ele me chama

– Eu não posso mais sair dessa, voce não percebe, né? Todas as minhas finanças, meus pertences, até a minha casa...Não são mais meus. Tudo pertence ao Victor.

– Não, não pertence. Isso é algo temporário. Vou entrar em contato com ele e ele vai explicar tudo.

– Como pode ter tanta certeza?

Meu guarda-costasOnde histórias criam vida. Descubra agora