Capítulo 19

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Marília só percebeu que haviam chegado quando o condutor avisou através dos alto-falantes internos. Maraisa ainda dormia em seu ombro e ela se perguntou se aquela posição não era incômoda.

— Maraisa? — Chamou baixinho, para não assustá-la.

A mulher se mexeu, apertando os olhos, mas sem os abrir, a loira passou um braço ao seu redor, se aproximando ainda mais dela.

— Maraisa? — Repetiu, um pouco mais alto.

— Hum? — Diz piscando os olhos até acordar, inocentemente desnorteada.

Era uma cena casual e ao mesmo tempo linda.

— Chegamos — respondeu Marília, soltando-a e se levantando.

— Ah. E por que eu estava deitada em cima de você? — Perguntou enquanto a loira pegava as malas.

— Porque o trem fez uma curva e você quase caiu. Estragaria minha viagem à Paris ter que te levar para o hospital por conta de uma fratura craniana... Sem falar que ia ser um saco para você.

— Certo — murmurou. — Estou com um pouco de dor-de-cabeça, talvez da viagem.

— Se eu fosse má, diria algo como "bem-feito".

Maraisa rolou os olhos.

— Próxima parada? — Perguntou Marília, quando chegaram à estação.

— Roteiro? — Diz pegando a folhinha de seu bolso.

— Eu tinha esperanças de que você tivesse esquecido — confessou.

— Eu não correria esse risco.

"7º Passear pela cidade de mãos dadas, como um lindo casal que se preze tem que fazer"

— Melhor chamarmos um táxi e deixarmos as malas no hotel — decidiu a loira.

Ficaram em silêncio por alguns minutos.

— São doze euros — disse o taxista, parando à porta do grandioso hotel.

— Certo. Estamos perto do centro da cidade? — Perguntou Marília, pagando-o.

— É só virar na próxima rua à esquerda. Precisa de ajuda com as malas?

— Não, obrigada – agradeceu a loira, já abrindo a porta.

Maraisa fechou a porta no mesmo instante em que Marília fechou o porta-malas e o táxi arrancou.

O porteiro veio recebê-las.

— Com licença, madame, posso ajudá-la? — Perguntou com um grave sotaque, já pegando as malas.

— Por favor — respondeu a loira. — Ainda vamos confirmar a reserva.

— Claro, madame. Remy? — Chamou um empregado, que o atendeu prontamente. Ordenou algumas coisas em um francês rápido e se afastou, deixando as malas com o homem.

— Esperarei aqui com as malas, madame — disse Remy, fazendo para ela um gesto até a recepção.

— Obrigada — agradeceu ela, indo conferir a reserva, Maraisa preferiu esperar.

.*

— Oui, madame Dayane foi muito seletiva — disse a recepcionista de sotaque afetado, folheando rapidamente um grosso caderno de anotações. — Suíte 23.

— Madame Dayane é minha... Madrinha de casamento e foi ela quem organizou essa viagem. Poderia me dizer o que quis dizer com "seletiva"? — Perguntou Marília, temerosa.

The Experiment | MalilaOnde histórias criam vida. Descubra agora