Capítulo 9

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Maraisa havia se deitado no sofá, esperando os trailers passarem. A televisão era grande e se elas fechassem a porta que ia para a copa e cerrassem a cortina, ficaria assustador – o ambiente perfeito para um filme de terror.

Só que a morena odiava assistir filmes de terror. Principalmente esses, em que pessoas vomitavam, suas cabeças rodavam trezentos e sessenta graus e eles ficavam deformados fisicamente.

— Já começou? — Perguntou Marília, descendo as escadas.

— Não, trailers.

Marília fechou a porta e cerrou as cortinas, perfeito.

— Por que você fez isso?

— Porque é um filme de terror.

— E?

— E filme de terror se assiste no escuro — respondeu Marília, como se fosse óbvio.

O menu apareceu, não consolava Maraisa o fato do plano de fundo ser uma garota possuída.

Ela apertou o "Iniciar Filme" e se preparou para a tortura.

— Maraisa? – Chamou Marília. — Você sabe que temos que ficar abraçadas, né?

Argh. Ela havia se esquecido da outra tortura.

Marília colocou mais almofadas sobre o braço do sofá em que Maraisa estava deitada e se deitou atrás dela. Colocou-a um palmo mais baixa, para poder assistir o filme sem interferência dos cabelos loiros.

Passou uma mão por sua cintura, sentindo-a se contrair a esse toque.

O filme até que era bom, engraçado, na opinião de Marília. A garota gritava obscenidades, blasfemava contra a Igreja e tentava matar todo mundo. Realmente, muito engraçado.

Maraisa não gostava nem um pouco. Em uma cena, por exemplo, a garota descia as escadas em uma série de acrobacias, parava ao pé da escada, sua cabeça girava 180º graus e, nessa posição, com as mãos e os pés virados para fora como um curupira, vomitava uma gosma verde. Suuuper simpática.

Em suma, não era bem o filme preferido da morena. Ela se perguntou para quê os cientistas iriam querer fazê-las ver isso. Se fosse para ficarem abraçadas, poderia ser qualquer filme. Para elas apagarem as luzes e – ela estremeceu – ficarem no escurinho? Não, ou eles teriam pedido nas Observações para elas apagarem as luzes. Então, por quê?

— Marília? — Sussurrou ela, olhando para cima.

— Hum? — Respondeu, sem desgrudar os olhos da televisão.

Maraisa manifestou suas dúvidas acima mencionadas – por que cargas d'água elas tinham que assistir um filme de terror.

Marília pensou por alguns segundos.

— Talvez eles pensem que, à noite, você vai ficar com medo e pedir que eu te abrace e deixe você dormir no meu colo.

— Nunca sei quando você está falando sério ou brincando – resmungou Maraisa.

— Não estou falando sério, nem um pouquinho — respondeu, sorrindo. — Estou apenas tentando entender.

Maraisa tentara se manter reta por si só, mas exigia esforço demais, então ela simplesmente caiu para trás e deixou que Marília lhe apoiasse. O que fez com muito cuidado, Maraisa tinha que admitir – apoiando o braço em sua cintura sem a apertar, evitando aquele encontro clichê de pés e respirando suavemente no topo de sua cabeça.

É... fora realmente bom. Mas o maior elogio que ela podia fazer a qualquer coisa que envolvia Marília era "suportável", então ela nunca diria isso. Ou pensaria, já que ela estava começando a se impor uma censura de pensamentos.

The Experiment | MalilaOnde histórias criam vida. Descubra agora