Marília chamou um táxi e seguiu para o centro de Versalhes. Na avenida principal, se sentiu totalmente perdida. Não perdida no sentido geográfico, e sim mental.
A opção mais óbvia era um livro. Mas havia razões para ela não escolhê-la:
Era óbvia demais. Presentes têm de surpreender, ou estaria Marília querendo surpreendê-la? Cale a boca, subconsciente, Maraisa já deve ter lido todos os livros do universo, a loira não queria lhe dar um presente repetido, ela não fazia a menor ideia de que tipo de livro ela lia – Julia e Sabrina? Não, não faz o tipo dela, guerra, policial, arquitetura, física? Química?
A cabeça de Marília era um caos total.
Ela se pôs a andar a esmo pela avenida, ignorando aqui e ali olhares insinuantes. Passou por várias lojas, as despachando uma por uma.
Roupas? Que presente mais sem graça. Uma jóia? Maraisa não parecia o tipo. Sapatos? Nunca prestara atenção nos sapatos dela...
A mulher chegou até a praça. Havia andado a esmo pela avenida sem escolher nada. Aborrecida, se sentou em um banco, tentando pensar.
O que eu quero?, pensou tentando clarear a mente. Surpreendê-la, respondeu. Por que... bem, não sei! exclamou para si mesma, fazendo um gesto exasperado com a mão.
Ok, se acalma. para surpreendê-la, tem que se fazer algo que ela não espera. Gênia... Enfim... Deixa eu ver... O que Maraisa nunca esperaria... Uma coruja empalhada?
Se permitiu um minuto tentando imaginá-la ao receber o lindo presente, depois sacudiu a cabeça, voltando à realidade.
Melhor não. Humm... Jóias... não consigo vê-la ficando exatamente surpresa com isso. Feliz, talvez, mas nenhuma emoção a mais. Droga.
Foi quando passou uma garotinha de mãos dadas com os pais. *Epifania*
Não, não a garotinha.
O que ela abraçava.
*
Perfeito, Marília! exclamou ela para si mesma, se congratulando por ser tão... Perfeita. Ela estava no banco de trás do táxi, os presentes (iup, mais de um. Garota de sorte.) arrumadinhos ao seu lado.
Passara os últimos trinta minutos rodando a avenida e outras ruas paralelas, em busca de três coisas, três coisas que Maraisa nunca esperaria.
Ha, eu sou demais!.
*
Pagando alguns euros pela corrida e alguns trocados a mais (o dinheiro não era dela mesmo), Marília saiu do táxi em direção a casa.
Entrou, não se surpreendendo ao encontrá-la vazia no primeiro andar, pois podia ouvir o barulho do chuveiro lá em cima.
Talvez, pensou a loira, eu deva trocar de roupa.
Ela subiu rapidamente as escadas, parando em frente ao armário com suas roupas, "vamos ver o que trouxeram pra mim" disse ela enquanto remexia as roupas procurando algo para vestir.
— Ah há! — Marília gritou quando encontrou um vestido justo e vermelho, colocou-o o mais rápido que conseguiu, calçando um peep toe da mesma cor em seguida.
O cheiro da cozinha estava bom, admitiu descendo as escadas, indefinível, mas bom. Logo, esse cheiro culinário se mesclou com outro – um perfume suave e acalentador. Ela soube que Maraisa estava descendo as escadas, e se levantou para esperá-la.
— Já voltou? — Perguntou surpresa.
Uau. Se Marília tivesse um pouquinho menos de presença de espírito, teria se boquiaberto. Maraisa vestia um vestido vermelho assim como o dela, o tecido cintilava, e era um pouco justo até o quadril, ela havia feito a maquiagem também, os lábios pintados de vermelho destacavam seus intensos olhos castanhos.
— Não — disse Marília, tentando recobrar o controle. — Estou lá ainda.
Maraisa rolou os olhos.
— O jantar já está pronto.
— Não quer os presentes primeiro?
— Huum... O que você trouxe?
— Tem que abrir. Agora ou depois?
— Agora — respondeu Maraisa, sem se conter.
— Um número de um a três.
— Como?
— Me diga um número de um a três.
— Dois, eu acho.
— Vejamos... — Marília fez um gesto teatral, apanhando um buquê de flores.
— Obrigada — respondeu Maraisa, ainda olhando as rosas vermelhas.
— Um ou três?
— Como?
— Qual vai ser o próximo?
— Tem mais?
— Não, eu fiquei quase uma hora na rua para comprar um buquê de flores.
— Idiota. Um.
— Hum... — Murmurou Marília, lhe estendendo uma caixa mais fina que comprida.
Maraisa pôs as flores sobre a poltrona e abriu a caixa — bombons em formato de coração.
— Own! — Fez ela, incapaz de se conter.
— Assim você parece uma adolescente — ponderou a loira.
— Ai, fica quieta, vai.
Marília riu.
— E, agora, por último e melhor... O presente número três!
E lhe entregou uma caixa perfeitamente quadrada, com um antiquado laço vermelho em cima.
Maraisa desfez o laço habilmente, tirou a tampa e uma expressão de surpresa, carinho, emoção e felicidade tomou seu rosto, fazendo-a sorrir.
Ela tirou o ursinho de pelúcia da caixa.
Era branco, não tinha mais que vinte e cinco centímetros de altura, sorria fofamente para ela e parecia bem macio. Usava um cachecol vermelho.
— Que fofo!
— Repito o que eu disse sobre a adolescente.
— Cale a boca. Ele é tão meigo.
— Da vontade de abraçar — confessou Marília.
— Obrigada — agradeceu Maraisa. Marília lhe fez uma reverência.
A morena pegou as flores e fez um bonito arranjo em um vaso sobre a mesa.
Epa.
VOCÊ ESTÁ LENDO
The Experiment | Malila
Chick-LitUm milhão de dólares, esse era o valor do prêmio que a maior rede de cientistas do mundo estava oferecendo para duas pessoas que fossem escolhidas para fazer parte de um experimento social. Esse experimento se baseava em colocar duas pessoas de pers...
