— Isto está ótimo! — Marília disse enquanto provava o misto quente que Maraisa havia preparado.
— Obrigada. Está tudo muito estranho, você não acha?
— Sobre o que?
— O roteiro.
— Talvez Dayane tenha ficado sem idéias.
— Ou talvez este seja um plano para perdermos nosso dinheiro, de repente ela pode aparecer e dizer, opa vocês não cumpriram o roteiro hoje, adeus dinheiro.
— Pode ser...
— Pode ser? Pode ser? — Maraisa indagou. — Nós estamos falando de perdermos milhões de dólares e você me diz que pode ser...
— Me desculpe, não precisa ficar brava. — Disse Marília a interrompendo. — Eu só... Tem alguém batendo na porta?
— Eu acho que sim — disse Maraisa com uma expressão aterrorizada.
— O que a gente faz?
— Abre?
— E se forem assaltantes?
— Sério? — Maraisa encarou Marília com deboche, se levantando e indo até a porta.
*
— Olá queridas! Eu estava tão animada para ver vocês, vocês não sabem como foi maravilhoso acompanhar vocês durante esses dias — tagarelava a mulher enquanto entrava na casa. — E você Marília — ela caminhou em direção a loira, que assim como a morena estava boquiaberta. — Obrigada por ter sido a peça X desse experimento, se dependesse da Maraisa vocês continuariam pobres.
— Oi? — Foi o que Marília conseguiu dizer, enquanto Maraisa continuava parada perto da porta.
— Oh, me desculpe, Dayane Limns — disse ela cumprimentando Marília que a olhava boquiaberta, ela se virou para Maraisa e sorriu. — Vamos para sala preciso conversar com as duas. — então fez um sinal para a porta, e dezenas de homens e mulheres entraram na casa.
Marília se sentou ao lado de Maraisa no sofá, enquanto Dayane e os outros cientistas continuavam de pé as observando.
Todos se calaram quando Dayane começou a falar.
— Nós da Worldwide Scientific Corporation, gostaríamos de agradecer as senhoritas pela contribuição dada a ciência, pode parecer pouco, ou loucura, como vocês duas insistiam em dizer, mas a partir desse experimento poderemos compreender melhor como funciona o cérebro humano, e futuramente estaremos trabalhando em tratamentos para diversos distúrbios, baseados nos estudos que obtivemos com vocês duas.
— Obrigada... Eu acho... — Disse Marília. — Mas eu ainda não entendi.
— O nosso objetivo desde o princípio era descobrir se sentimentos humanos podem ser manipulados para usar-los a favor da saúde. — Disse Dayane se sentando ao meio de Maraisa e Marília. — Vocês já devem ter ouvido sobre o efeito placebo, o nosso estudo se perguntava se seria possível criar um "efeito placebo para traumas", se descobríssemos uma maneira de manipular a afeição, nós ajudaríamos pessoas que passaram por traumas por meio de ações roteirizadas. — Dayane suspirou, e continuou;
— Vamos a um exemplo simples para que vocês entendam, se pegarmos uma pessoa que tem medo de rios, por exemplo, e criarmos um roteiro para ela, onde em um dia ela verá belas pinturas de rios, no outro ela sentirá o cheiro da água doce, no próximo ela poderá ver o rio mais doce e brilhante a frente dela, mas não poderá tocar, aos poucos ela perderá o medo, a cada dia aquela sensação irá tomar conta dela, no fim do roteiro ela não terá mais medo do rio, pelo contrário, ela vai ter um grande desejo de se banhar no mesmo. Agora imagine isso sendo usado para pessoas que sofreram grandes traumas?
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The Experiment | Malila
ChickLitUm milhão de dólares, esse era o valor do prêmio que a maior rede de cientistas do mundo estava oferecendo para duas pessoas que fossem escolhidas para fazer parte de um experimento social. Esse experimento se baseava em colocar duas pessoas de pers...
