Seu cheiro - Linda

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Eu estava atravessando o castelo ponderando o plano de Berenice. Augusto não pareceu muito satisfeito com a ideia, ele teme mais por nós do que nós mesmas. Discutimos os detalhes na mesa e ao que tudo indica, vamos surpreender Arthur em um porto esquecido pela Inglaterra, onde ele costuma se esconder.

Augusto disse que precisava pensar sobre nossas últimas decisões e se retirou para o seu quarto, eu aproveitei para ir até a biblioteca de meu pai. Ele guardou um arsenal de livros em um cômodo usado apenas para o seu deleite.

As portas são grandes e pesadas. A sala é bem iluminada, quando as cortinas estão abertas. Tem poucos guardas desse lado do castelo, acredito que julgam essas páginas menos valiosas que o restante da construção. Existem livros de todos os lugares aqui, diferentes línguas, diferentes temáticas. Os meus preferidos são os manuscritos que estão na gaveta da escrivaninha. Parece que meu pai guardava todas as cartas de amor que ele já recebera um dia. Fez delas um livro de entretenimento, deveria ter "conquista" em letras garrafais na capa, como título. Mas nela nada diz, é apenas um couro preto como todos os outros diários.

Eu me sento na poltrona. Larga e confortável. Eu sopro o pó de cima dos mapas. O tinteiro já está seco pelos anos de desuso.

A porta se abre e Lucia passa por ela. Eu sorrio assim que vejo sua silhueta. Ela caminha até mim com cuidado, seus passos silenciosos. Eu sinto seu cheiro antes que eu possa sentir seu gosto. Ela não perde mais um segundo do nosso tempo e apenas me beija. Eu a coloco em meu colo e ela me abraça.

- Ouvi que você vai se arriscar indo até a Inglaterra. – Ela diz, eu vejo a preocupação em seus olhos, eu penso em convidá-la para estar ao meu lado nessa aventura, mas no mesmo instante eu afasto esse pensamento da minha cabeça. Como eu poderia cogitar levar Luci para algo tão perigoso? Logo ela, tão pequena e frágil. De repente eu consigo entender os motivos pelos quais meu pai deixou minha mãe em Torunta. Eu mordo os meus lábios. Não, eu não sou como ele...
- Eu vou me cuidar. – Eu prometo antes de lhe dar um beijo, ela recua.
- E quem vai cuidar de mim? – Ela me questiona, eu aperto a sua cintura.
- Amor, não faz... – Eu começo, ela desvia o olhar. – Eu quero você ao meu lado, mas não agora. Eu não posso levar você sem poder garantir a sua segurança. – Eu explico, ela despeja sobre mim um olhar triste, incomum a Luci. – Eu volto para te buscar. – Eu digo por fim. Ela confirma.
- Promete que não vai me esquecer? – Ela diz em tom baixo.
- Nunca. – Foi a minha resposta, antes de deitar suas costas sob a mesa de meu pai.

Eu não tenho mais paciência para as vestes de serviçal. Ela tira a touca, jogando a peça para longe, seus cabelos soltos espalhados pela mesa. Ela solta o avental preso em seu pescoço, enquanto eu enrosco seus cabelos em meus dedos trazendo seu corpo para junto de mim. O avental pende pelo colo e eu arranco os fitilhos do vestido de baixo, ela começa a reclamar antes que eu possa enterrar minha boca em seus peitos. Ela geme em resposta. Nossos corpos tão bem encaixados. Suas mãos procuram o elástico da minha calça. Eu puxo suas saias para a cintura, suas coxas nuas e tão macias servem de convite, eu escorrego minha boca dos seus peitos para a barriga, ela me olha nos olhos antes que eu comece a usar a língua. Suas mãos agora seguram a madeira da mesa, como se a mesma fosse capaz de fugir. Um de seus pés está apoiado no braço da poltrona, eu estou de joelhos em sua frente, segurando suas coxas. Escorrego a língua ela enverga a coluna jogando a cabeça para trás, volto para cima e sugo com força, seu corpo parece não ser capaz de decidir onde quer que a minha língua fique. Ela está a cada segundo mais úmida, eu aumento o ritmo e sinto mais o gosto. Ela geme mais alto preenchendo o recinto com os nossos sons. Eu reviro os olhos, aperto suas coxas, ela segura minha cabeça e empurra em direção ao seu corpo, eu busco seu olhar, mas ela está perdida em prazer, sem poder pedir permissão eu coloco dois dedos, ela aperta as coxas e isso me da mais vontade, ela me olha e seus olhos marejam. Eu empurro mais fundo, ela grita, mas não para de mexer. Eu aumento o ritmo, sem tirar a boca, eu sinto ficar mais apertada, aumento um dedo e ela arranha minha nuca. Eu gosto da sensação. Com a mão livre aperto mais a sua coxa, eu quero sentir.
Ela se contorce em cima da mesa, eu sinto escorrer dentro das minhas calças. Seu gemido vacila, mudando de tom. Mais algumas vezes e eu sinto minha boca encharcar. Eu sei que não é a minha saliva, por mais sedenta que eu esteja. Seu corpo amolece e eu engulo. Me ergo do chão, para poder olhá-la nos olhos. Ela pisca sonolenta. Eu tiro os dedos devagar, está tão apertado dentro. Ela faz cara de dor e isso me excita. Deve ser estranho eu querer continuar. Querer explorar nossos limites. Querer ver os olhos de Luci brilhando com uma mistura de dor e prazer. Eu lambo os dedos que estavam dentro antes de me curvar por cima dela e beijá-la.

Eu não sei exatamente o que aconteceu aqui e estou com medo de gostar.
Talvez eu seja mesmo filha do meu pai.

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