Em pouco tempo a jovem estava na cozinha, a procura de Liz. Vendo as costas da irmã, Désirée a abraçou e sentiu a jovem ficar rígida, apenas para depois relaxar ao perceber de quem se tratava.
A jovem ruiva cortava algo que poderia ser maças, mas pelo estado avançado da mutilação - do que quer que fosse, não poderia ter certeza.
-Vamos ao lago comigo? - convidou a moça ainda abraçando-a. - rápido, eu juro.
Ela estava mentindo, é claro. Não seria rápido.
- Infelizmente não posso. - Desculpou-se a linda moça de cabelos alaranjados - estou fazendo torta para a sobremesa.
O sorriso que estampava o rosto da jovem lady desapareceu com a negativa da irmã.
-Pode ir. - Désirée se virou na direção da voz e descobriu ser Fiona Gilbert, a cozinheira da casa - eu termino por você, já me ajudou o bastante.
-Sra. Gilbert, desculpe-me, não havia visto a senhora. - A jovem sentia necessidade de pedir perdão a mulher, não desejava ser uma fina cópia da madrasta ou da irmã de quinze anos. - Mil perdões.
A senhorinha sorriu, deixando mais aparente as rugas que cercavam os olhos e a boca, se é que isso que era possível.
-Como me veria? Só tinha olhos para a sua preferida - Brincou a Sra. Gilbert, fazendo referência sobre a preferência da jovem por sua meia-irmã. - Podem ir, eu cuido de tudo.
Ao ouvirem isso as jovens saíram correndo e sorrindo em direção ao lago que não ficava muito distante da casa para ser perigoso e nem muito próximo para ser constrangedor ou inadequado utilizá-lo.
A casa do pai de Désirée era confortável e grande para os padrões de Cheshire, mas o que as jovens irmãs mais gostavam era o lago. As visitas a ele adquiriram certa frequência desde muito cedo, quando as jovens aprenderam, com a ajuda do Sr. Gilbert, que o ser humano podia nadar.
Quando isso aconteceu ambas tornaram aquele lugar seu santuário, onde podiam rir e brincar juntas sem incômodos ou julgamentos - quase sempre, já que ninguém entendia o que fazia a filha legítima de um barão ser tão apegada a filha bastarda desse mesmo barão.
Mas a verdade é que ninguém precisava entender.
Bastava apenas que ninguém impedisse, que ninguém tentasse colocar cada uma delas em um continente diferente. Afinal uma era a única família que a outra tinha, mesmo que para Désirée fosse um pouco doloroso dizer isso. Para a sorte das duas jamais viveriam em continentes diferentes.
O pai das jovens era um homem de posses, mas não possuía casa em Londres, sua riqueza era capaz de fornecer um dote para Desirée, e Suzzy, sua outra filha legítima, apenas, então ela e as irmãs nunca haviam conhecido A Grande Cidade.
Suzzy era eufórica, viva, acesa, educada e fina demais, jamais iria precisar de dotes para atrair cavalheiros, o oposto de Désirée que era pequena, magra, sem cor, falava pouco e cultivava o costume de ouvir atrás de portas e paredes... bom, esse último até que em certo dia escutou o pai e a madrasta falando sobre quão bom seria se ela, Désirée, se iluminasse mais, como a irmã, mas segundo Gwen o brilho da filha havia vindo dela, assim como a "falta de brilho" de Desirée e da bastarda, havia vindo dele. Nesse dia a jovem aos dez anos perdera um mal costume e ganhara uma irmã.
Elizabeth, filha de uma já falecida camareira, um ano mais nova que Désirée, jamais receberia o sobrenome Lovecraft - mesmo sabendo de suas raízes desde o berço, mas a irmandade que unia as duas iria durar uma vida, pensou Désirée. E estava certa.
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O Regresso Do Duque
RomansaLIVRO I (Série Return) Lorde Joshua Falstron sempre foi o preferido de seu pai, algo que se tornou um grande fardo para ele. Sua vida foi marcada pela falta de respeito às suas escolhas, com decisões sendo tomadas por outros. Até que um dia ele deci...
