Désirée estava sentada a mesa, jantando com o Barão, a Baronesa e sua irmã, o retrato perfeito de uma família perfeita, a mentira ideal.
A diferença gritante entre a família e Liz era que com a meia-irmã, Day sempre sabia o que dizer, e quando não sabia o que dizer, dizia mesmo assim, sabia que Liz a entenderia mesmo que nem mesmo ela o fizesse. Com a família, Desirée não falava, a menos que fosse solicitada, não demonstrava reação, e gostava disso, tinha certeza de que nada que a família dissesse poderia ser útil para ela. Aparentemente, a família também pensava o mesmo, pois se ela só fala quando solicitada, eles não a solicitavam.
Ou quase.
- Querida. - Começou o barão enquanto a esposa comia. - Conseguiu ver uma carruagem preta, quando esteve no parque?
A mulher parou o talher a caminho da boca. A expressão dela não foi uma das mais belas. Désirée desejou poder desenhar aquilo e guardar a caricatura para sempre, como uma herança familiar.
- Se faz referência a uma preta gigante, conseguimos ver sim.
Désirée se perguntou se era a que tinha visto com Gwen, se fosse ela, não tinha como "não" ter visto.
-"conseguimos"?
Foi a vez do pai, a jovem lady achou que não existiria expressão que superasse a da madrasta no quesito choque, mas a do pai superou.
-Sim. - Disse a mulher, mas como o homem não falou mais nada, apenas continuou com uma cara de "conte-me", Gwen continuou falando. - Désirée foi comigo ao parque naquele dia.
O Barão ficou branco um segundo, os próximos segundos foram divididos por várias outras cores: vermelho, verde e por fim roxo. Uma reação um pouco exagerada. Se bem, que Gwen havia baixado uma lei - sigilosamente - onde as filha estava terminantemente proibida de socializar com Désirée e Liz, disso Désirée sabia, mas que o pai havia baixado a mesma lei no que se refere a esposa, era novidade. Não que ela não gostaria que fosse o caso, nunca mais ser obrigada a se reportar a madrasta.
Que benção.
-O que foram fazer no parque sozinhas? - Perguntou o homem, quando recuperou a voz. - Achei que tinha levado Suzzy.
Sim, pensou a jovem, por que ela é mais propensa a receber o espírito da ajuda, caso algo acontecesse a Gwen, pensou Desirée com ironia.
-Ela estava ocupada e...
A mulher começou a explicar, mas logo foi interrompida pela filha.
-Não estava, aliás eu...
Houve um breve solavanco por baixo da mesa e um muxoxo de dor por cima da mesa. Depois silêncio.
Os membros da família se entreolharam e voltaram suas atenções para a refeição, exceto uma. Désirée, não havia parado de comer, ela podia muito bem comer e apreciar um espetáculo.
A moça não era tola. Sabia que estavam escondendo algo dela, sabia que existia uma distinção, sentia isso. Essa sensação durava meses. Já havia falado sobre isso com Liz, e em tempos nunca chegaram a uma conclusão do que era, e agora a jovem não ligava mais para o que quer que fosse, não afetou sua vida em meses e não faria isso agora. Desconfiava que se a colocassem no escritório do pai e lhe oferecessem a verdade, limpa e clara, ela não iria querer ver.
Não precisava.
Um detalhe importante sobre a jovem era que ela era uma pessoa que não era resistente ao conformismo, ela sabia aceitar. Aceitar e apenas. Não importava o que fosse, ela aceitava. E vivia bem assim, sabia que tudo se encaminhava para o que era de ser e não havia muito o que uma mulher pudesse fazer.
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O Regresso Do Duque
CintaLIVRO I (Série Return) Lorde Joshua Falstron sempre foi o preferido de seu pai, algo que se tornou um grande fardo para ele. Sua vida foi marcada pela falta de respeito às suas escolhas, com decisões sendo tomadas por outros. Até que um dia ele deci...
