LIVRO I (Série Return)
Lorde Joshua Falstron sempre foi o preferido de seu pai, algo que se tornou um grande fardo para ele. Sua vida foi marcada pela falta de respeito às suas escolhas, com decisões sendo tomadas por outros. Até que um dia ele deci...
Desirée entrou na sala e tinha um rosto acesso por seu belo sorriso. Joshua não conseguiu retribuir, aquela mulher quase morria, quase se tirava dele e levava seus filhos junto.
Ao notar a tensão no rosto do marido ela sentou-se na cadeira, de frente para ele.
- O que houve?
Joshua não respondeu, mas entregou a certidão de obto do casal à esposa e falou:
- Nada, mas me fale mais sobre a sua gravidez e o casal Ruppert.
Ao ler os nomes nas folhas as mãos da esposa tremiam compulsivamente e Joshua pensou em acalmá-la, mas ela precisa ver o risco em que havia se metido.
- Joshua... - Seus olhos estavam lacrimejando e sua voz tremia. - Eu pos... posso explicar.
A mulher sempre foi pálida, mas agora parecia que seu sangue havia fugido do corpo. Incapaz de se manter sentada, ela levantou-se e deu as costas ao marido.
- Tem alguma explicação lógica para uma grávida está cuidando de dois doentes? - Ele perguntou.
Aquelas palavras fizeram Desirée parar, não era o que ela estava esperando.
Céus.
Ela olhou para marido, ainda em estado de choque, processando até onde ele sabia.
- Você arriscou não só a sua vida, mas as dos meus filhos.
As críticas dele eram as críticas de todos do ducado. Amavam as crianças, mas nunca aceitaram a forma como eles nasceram. Então ela, sentindo um punhal rasgar seu peito, usou com o marido o mesmo discurso que usava com todos.
- Eu não sabia que teria filhos.
Suas palavras eram regadas por lágrimas, mas previsava tirar aquilo de sua mente, então abraçando o próprio corpo ela continuou.
- Eu era jovem demais, não sabia que teria filhos. - Não querendo que o marido olhasse ela chorando, deu-lhe as costas novamente, e lembrou de anos atrás. - Quando soubemos da doença do Sr. Gerard, seu pai ainda estava desolado por sua partida.
Josgua deixou que ela se mantesse distante, assim ele teria forças de ouvir e ela de falar.
- Não havia ninguém da família para cuidar dele e, até então, ele era o único que poderia assumir o ducado. - Joshua ouviu quando ela aspirou pelo nariz. - Eu era a única que podia ir, então eu fui. Mas eu não sabia de nada, eu não conhecia os lugares e Liz, que também não conhecia, passou a ter umas aulas para ser oficialmente vista como uma lady, não podia exigir que ela me acompanhasse.
As vezes Joshua esquecia que quando foi embora sua esposa era uma menina.
- Michael era um rapaz de confiança do seu pai, então ele me acompanhou. - Ela parou de falar e usou a manga do vestido azul claro que usava para limpar o nariz. - Quando chegamos lá, nós conhecemos Gerard, mas sabíamos que ele não teria muito tempo. Foi também a época em que descobrir a gravidez, estava com três meses, mas eu não podia deixar ele e a esposa lá. Eu tentei trazê-los, mas ele não resistiria a viagem.
As lágrimas já corriam por seu rosto sem freios, pela vida que os dois nunca tiveram. Nos cinco meses em que esteve ao lado de Yvone ela recebeu da mulher uma grande dose de amor.
- Quando... quando Gerard não suportou, eu ainda tentei trazê-la, mas ela piorava a cada dia.
Joshua via sua esposa desolada, e mesmo sabendo que ela precisa entender e aprender com os erros não conseguiu assistir aquilo. Ele se levantou e a trouxe para seus braços. Quando sentou-se em uma cadeira, levou ela para seu colo, e com um lenço, ele enxugou suas lágrimas.
- Não precisa falar mais nada.
- Não. - Ela protestou. - Me deixe contar, preciso contar.
Ele acenou com a cabeça e ela continuou.
- Eu passei a gostar de Yvone, mas sabia que ela, talvez, não sobreviveria, mas o tempo passava e os bebês cresciam e cresciam. - As lágrimas da esposa caiam mais rápidas ao citar as crianças. - Ela dizia que eles seriam lindos, e eles são. Um dia as dores vieram e junto delas os meus bebês.
O rosto dela era manchado pelas lágrimas, mas por baixo delas estava um sorriso lindo, falar dos filhos trazia aquilo à tona, aquela alegria que se misturava com tudo.
- Quando fui falar como eles eram lindos para Ynove, ela não estava mais lá. - Ela mordia os lábios com tanta força que sentia o gosto do sangue. - Tinha ido para o marido.
Aquela época da vida da duquesa foi a pior. Ela nunca tinha tido filhos, o que era uma alegria, mas aquele acontecimento foi manchado com a morte de duas pessoas inocentes.
- As crianças nasceram em Bath? - Joshua perguntou, já sem julgamentos em sua fala.
- Sim. - Ela respondeu e passou a contar o fim da história. - Quando voltávamos comecei a me sentir mau. Michael estive comigo e com Yvone todo o tempo, e não sentiu nada, então descartamos a doença, mas não havia nada que me fizesse melhorar.
Tudo que o homem pensava era que poderia ter feito algo se não tivesse fugido como um covarde, mas ouvia em silêncio enquanto acariciava as costas da esposa.
- Quando chegamos de volta, todos estavam apaixonados por Ivy e Alec, mas eu sequer conseguia segurá-los e eu soube que Deus me castigava por meus erros. Foi quando os médicos passaram a fazer sangrias em mim que eu fiquei inconsciente. - Ela passava as mãos nos antebraços como se ainda pudesse sentir as feridas. - Passei alguns dias assim. Até que Michael, depois de muito tentar, convenceu o duque a deixar que Hales usasse um outro método.
Era esse o motivo da adoração que Desirée sentia por Michael.
Nenhum homem sem título bateria de frente com um duque para salvar a vida de uma mulher. Mas naquela época Michael já tinha decidido que teria Desirée e Liz como tinha sua irmã Sophie, com o mais e limpo dos amores.
- Eu melhorei, e Hales disse que... que eu estava em uma tristeza profunda, misturada aos hormônios da gravidez, o que foi agravado pelos tratamentos com sanguessugas.
Fazia sentido para Joshua. Desirée estava em estado delicado, mas ainda cuidava e zelava pela vida de terceiros. A pressão devia ter explodido quando a esposa de Gerard morreu e ela se via solta em toda aquela situação.
- Me perdoa. - As lágrimas da esposa voltaram com toda a força. - Eu nunca quis...
- Ei. - Ele secava as lágrimas dela. - Não precisa me pedir perdão.
Ela assentiu com a cabeça e Joshua deu um rápido beijo em seus lábios. Desirée sentia a necessidade de mais, mas Joshua não iria se aproveitar do momento de fragilidade dela.
- Prometa que nunca mais vai se colocar em risco novamente. - Pediu Joshua ao afastar os lábios dos da esposa.
Ela apenas assentiu com a cabeça novamente e ele soube que ela não estava em condições de falar.
Por algum tempo Joshua ficou ali, com sua linda esposa, de vestido azul, em seus braços. Ela tinha a cabeça no ombro dele e ele a sensação de que algo estava passando na sua frente e ele não via.
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Parte 2, pois achei que o capítulo ficaria muito grande.