Ao cair da noite, já no apartamento de dois quartos de Leonor, no bairro de Santo Amaro, em São Paulo, sentei na varanda e de lá avistei a represa de Guarapiranga. Com uma cerveja na mão, contemplava a escuridão que indicava a enorme área de água da região. Senti-me estranho, com uma inquietação no coração.
Não sei explicar ao certo, mas isso me incomodava muito. Diana, com um suco de laranja em mãos, sentou-se ao meu lado na varanda. Não estava muito feliz, afinal, a tal Roberta, uma loira bonita e de cabelo bem liso, olhos verdes e um belo sorriso, era o oposto de minha esposa quando ao lado de Leonor.
Minha inquietação desapareceu ao perceber que Diana exibia preocupação.
— Diga meu amor, o que foi?
Após arfar e mirar o horizonte dominado por luzes e pelo céu negro, a morena aliviou seus pensamentos.
— Está sendo difícil vê-la com uma mulher.
— Sei o que está sentindo, mas tenha paciência. Lembre-se, é a vida dela.
— Entendo que é, mas para mim, é difícil.
— De tempo ao tempo, ok?
Mirando-me, Diana fez seus olhos brilharem e questionou-me:
— Será que falhei como mãe?
— Calma! Claro que não! Você é a melhor mãe do mundo!
Olhei para a sala, mas as duas, Leonor e Roberta, estavam na cozinha.
— Você diz isso para me tranquilizar.
— Também, mas sei que você é. Escute, com o tempo, as coisas vão se assentar e verá que seu coração é maior que essas preocupações. Isso passará.
— Espero que passe, pois, não me sinto bem assim.
— Olhe, amanhã vamos aproveitar. Se não tiver muito quente, podemos até...
Curiosa, Diana prendeu-se em minha fala.
— Você sabe, dar aquela namorada no barco...
— Ah! Safadinho...
— Ué? Você não curte mais?
— Claro, seu bobo!
Rimos e senti uma ponta de excitação, afinal, pensar em estarmos fechados na pequena cabine, e com sol, seria derretermos de prazer. O melhor momento para sexo era a noite, com a temperatura amena. Como disse, Laura foi gerada assim, mas agora não temíamos tanto uma gravidez.
Fora planejada a vinda de nossa princesa e desde então, agradecemos diariamente ao "Santo Anticoncepcional". Sem ele, seria um risco enorme para Diana... Mesmo que tudo desse certo, ela não teria tempo. O trabalho semanal era um limitador.
Diana conquistou aquilo que um dia almejou, ser médica pediatra. Não foi fácil, afinal, teve que estudar e cuidar de Leonor. Nós não tínhamos condições de pagar e foi graças à Bertha que finalmente Diana pôde se formar em 2004, mesmo ano em que engravidou.
Após a morte de Wolfgang, a mãe se reaproximou dela, ainda que mantivesse residência em Bremen, na Alemanha. Ingrid, a Wen, casou e foi para Hamburgo. Continuou a me tratar com indiferença, mas fiquei sabendo que ela chegou a considerar que a morte de Martha fora culpa minha, já que a aproximei de Felipe.
Em todos esses anos, Wen só nos visitou duas vezes, na formatura da irmã e no nascimento de Laura. Ela não tem apreço por Leonor, o que também incomoda Diana. Já Bertha, a mulher que cheguei a temer, mudou muito após o fim de Wolf. Casou-se novamente e gosta muito das meninas.
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Monara
RomanceGuilherme acredita que após 27 anos de um casamento feliz, nada mais pode interferir em sua relação de amor com Diana. No entanto, sobre as águas calmas da Guarapiranga, a paz que conquistou ao lado dela, acaba com a chegada do "desejado" veleiro Mo...
