Capítulo 2 - Eloísa

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Ao cair da noite, já no apartamento de dois quartos de Leonor, no bairro de Santo Amaro, em São Paulo, sentei na varanda e de lá avistei a represa de Guarapiranga. Com uma cerveja na mão, contemplava a escuridão que indicava a enorme área de água da região. Senti-me estranho, com uma inquietação no coração.

Não sei explicar ao certo, mas isso me incomodava muito. Diana, com um suco de laranja em mãos, sentou-se ao meu lado na varanda. Não estava muito feliz, afinal, a tal Roberta, uma loira bonita e de cabelo bem liso, olhos verdes e um belo sorriso, era o oposto de minha esposa quando ao lado de Leonor.

Minha inquietação desapareceu ao perceber que Diana exibia preocupação.

— Diga meu amor, o que foi?

Após arfar e mirar o horizonte dominado por luzes e pelo céu negro, a morena aliviou seus pensamentos.

— Está sendo difícil vê-la com uma mulher.

— Sei o que está sentindo, mas tenha paciência. Lembre-se, é a vida dela.

— Entendo que é, mas para mim, é difícil.

— De tempo ao tempo, ok?

Mirando-me, Diana fez seus olhos brilharem e questionou-me:

— Será que falhei como mãe?

— Calma! Claro que não! Você é a melhor mãe do mundo!

Olhei para a sala, mas as duas, Leonor e Roberta, estavam na cozinha.

— Você diz isso para me tranquilizar.

— Também, mas sei que você é. Escute, com o tempo, as coisas vão se assentar e verá que seu coração é maior que essas preocupações. Isso passará.

— Espero que passe, pois, não me sinto bem assim.

— Olhe, amanhã vamos aproveitar. Se não tiver muito quente, podemos até...

Curiosa, Diana prendeu-se em minha fala.

— Você sabe, dar aquela namorada no barco...

— Ah! Safadinho...

— Ué? Você não curte mais?

— Claro, seu bobo!

Rimos e senti uma ponta de excitação, afinal, pensar em estarmos fechados na pequena cabine, e com sol, seria derretermos de prazer. O melhor momento para sexo era a noite, com a temperatura amena. Como disse, Laura foi gerada assim, mas agora não temíamos tanto uma gravidez.

Fora planejada a vinda de nossa princesa e desde então, agradecemos diariamente ao "Santo Anticoncepcional". Sem ele, seria um risco enorme para Diana... Mesmo que tudo desse certo, ela não teria tempo. O trabalho semanal era um limitador.

Diana conquistou aquilo que um dia almejou, ser médica pediatra. Não foi fácil, afinal, teve que estudar e cuidar de Leonor. Nós não tínhamos condições de pagar e foi graças à Bertha que finalmente Diana pôde se formar em 2004, mesmo ano em que engravidou.

Após a morte de Wolfgang, a mãe se reaproximou dela, ainda que mantivesse residência em Bremen, na Alemanha. Ingrid, a Wen, casou e foi para Hamburgo. Continuou a me tratar com indiferença, mas fiquei sabendo que ela chegou a considerar que a morte de Martha fora culpa minha, já que a aproximei de Felipe.

Em todos esses anos, Wen só nos visitou duas vezes, na formatura da irmã e no nascimento de Laura. Ela não tem apreço por Leonor, o que também incomoda Diana. Já Bertha, a mulher que cheguei a temer, mudou muito após o fim de Wolf. Casou-se novamente e gosta muito das meninas.

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