Ao chegar à rodoviária de Guarujá, a mesma de 1994, não pude deixar de lembrar de quando retornei de meu "exílio" em Ribeirão Pires, onde deixei um coração solitário... Na época, saberia tristemente da perda de um filho, além, é claro, da quase perda de meu pai...
Laura se mantinha em silêncio, ignorando qualquer palavra minha, mas ouvi enquanto falava ao telefone com Fabinho. Não comentei antes, mas os dois haviam dado um tempo no relacionamento, algo que até então eu não sabia o motivo.
A jovem apenas disse que não estava dando certo daquele jeito e que seria bom assim. Não ficaram juntos no Natal e no Réveillon, e suspeitei que Fábio provavelmente não havia aceitado o sentimento dela para comigo, ou pelo menos não compreendido.
Durante esses dias, eles trocaram mensagens no celular e, nas poucas vezes em que falou com ele por voz, o fez longe de mim. A meu ver, o relacionamento dos dois havia mesmo se encerrado nos dias que antecederam sua subida para São Paulo, mas Diana não comentou nada.
Não sei porque não questionei, talvez fosse por estar ainda triste pelo fim do relacionamento breve com Andrea. Enfim, seguimos até o apartamento dos Niechtenbahl, onde morei com Diana enquanto casados.
Ao abrir a porta, Laura entrou e abraçou a mãe, chorando a seguir. Diana, surpreendida pela reação da filha, deixou seus olhos vitrificarem, mas em seguida, mirou-me contrariada. Para a jovem estar daquele jeito, só poderia ter brigado com o pai, deveras imaginou.
— Filha, que bom que voltou!
Foi então que Diana percebeu que Laura não tirara a máscara e ao tentar fazê-lo, a garota a impediu, indo apressadamente ao quarto.
— Guilherme, o que aconteceu?
Diana já estava quase certa que a culpa era minha e tinha razão.
— Problemas...
— Problemas? O que tem com ela?
— Vamos conversar...
Fechei a porta e fui ao sofá, derrubando meu cansado corpo após depositar as malas ao chão. Diana sentou-se de frente a mim e lhe expliquei a partir da discussão no convés do barco, evitando entrar no assunto de Andrea e Eloísa.
— Não acredito que você bateu nela...
— Foi sem querer. Você sabe que jamais levantei a mão contra nossas filhas dessa forma.
Passando as mãos no cabelo, Diana arfou e levantou-se.
— Vou ficar com ela uns minutos para consolar. Se quiser comer algo, é só ir até à cozinha.
Assenti e Diana entrou no quarto da jovem, trancando a porta. Nisso, cansado, me recostei no sofá e fiquei a pensar em Eloísa, mas era difícil imaginá-la sem a presença de Andrea. Mesmo com fome, acabei adormecendo ali, desperto por minha ex-mulher muitos minutos depois.
— Guilherme, acorda.
— Oi! Acabei apagando aqui...
Diana sentou-se novamente e, séria, me indagou sobre algo que não queria ter que responder.
— É verdade essa história que Laura me contou, sobre você e Eloísa?
Estranhei como Diana parecia calma diante de uma notícia que deveria lhe ser bombástica. Obviamente eu sabia que ela acabaria descobrindo o caso através da filha, mas sua reação me surpreendeu.
— Sim. Foi por isso que tudo aconteceu.
Imitando um sorriso, Diana foi enfática:
— Você está vivendo isso porque merece.
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Monara
RomanceGuilherme acredita que após 27 anos de um casamento feliz, nada mais pode interferir em sua relação de amor com Diana. No entanto, sobre as águas calmas da Guarapiranga, a paz que conquistou ao lado dela, acaba com a chegada do "desejado" veleiro Mo...
