Nem a convidei a sentar, eu mesmo caí literalmente no sofá, de tão cansado mentalmente que estava. Eloísa sentou-se na outra ponta e, ao ver a bagunça que se apresentava na sala, indagou:
— O que houve aqui?
— O que houve? Esses são os sinais da separação...
— Separação? Então Diana já soube?
— Sim e até pensei que tivesse sido você a revelar isso a ela.
Serrando as pálpebras sobre os olhos verdes, a ruiva cruzou os braços.
— Não foi eu!
— Disso sei, pois, outra pessoa contou para ela...
— Acredito que sei que é, aquele fofoqueiro filho da... Olhe, foi por conta disso que vim aqui.
Ela se referiu a um funcionário da náutica, que já havia me prejudicado. Mantive então os olhos caídos sobre ela, aguardando a novidade.
— Vim pedir desculpas por falar daquele jeito com você e com minha mãe. Vocês são adultos e eu não tinha o direito de interferir na relação dos dois, tá?
— Tudo bem, apesar de Leonor não pensar assim...
— Ela está com a mãe?
— Sim e agora não sei o que acontecerá. Acredito que nem ela e muito menos Laura vão querer falar comigo tão cedo.
— Lamento.
— Ok. Aliás, como descobriu meu endereço?
— Minha mãe me deu.
— Ela pegou com o "fofoqueiro", né?
— Certamente...
Levantei e fui até a geladeira, mas desisti de me manter sóbrio naquela noite e a convidei para beber.
— Estou de carro Guilherme, obrigado.
— Então, beberei sozinho.
— Você devia parar com isso. Um cara tão legal quanto você, não pode ficar aí se acabando em bebida.
Ri do modo como ela se referiu a mim.
— Legal? Suponho que só presto para fazer sexo e olhe lá...
Lembrei de minha transa enlouquecida com Diana mais cedo, porém, nem percebi ao falar, mas imediatamente vislumbrei Eloísa surpresa com minha colocação.
— Desculpe.
Estranhei, pois, ela sorriu achando graça.
— Guilherme, não precisa se desculpar por ser sincero. Contudo, não concordo. Seja lá o que você tem que as atrai tanto, parece contagiar...
Nesse momento parei o movimento de levar o copo a boca e fiquei atônito.
— Contagiar? Do que você está falando?
Eloísa se levantou e foi até o balcão da cozinha, aproximando-se. Com olhar sério, a ruiva me revelou algo que nem imaginava.
— Você tem algo aí que atrai.
— Não estou entendendo.
— Quando me falaram que um cara "insistente" queria comprar o Monara, fiquei intrigada. Ao descobrir ser você, não sei porque, me senti atraída.
Senti um frio na espinha e até deixei o copo sobre a pia. Já não dava para continuar bebendo... Com aqueles olhos esverdeados me fitando, fiquei incomodado. Eu? Um cara tão mais velho e com idade de ser pai dela? Eloísa percebeu meu estado, mas continuou.
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Monara
RomansaGuilherme acredita que após 27 anos de um casamento feliz, nada mais pode interferir em sua relação de amor com Diana. No entanto, sobre as águas calmas da Guarapiranga, a paz que conquistou ao lado dela, acaba com a chegada do "desejado" veleiro Mo...
