Capítulo 14 - Atração

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Nem a convidei a sentar, eu mesmo caí literalmente no sofá, de tão cansado mentalmente que estava. Eloísa sentou-se na outra ponta e, ao ver a bagunça que se apresentava na sala, indagou:

— O que houve aqui?

— O que houve? Esses são os sinais da separação...

— Separação? Então Diana já soube?

— Sim e até pensei que tivesse sido você a revelar isso a ela.

Serrando as pálpebras sobre os olhos verdes, a ruiva cruzou os braços.

— Não foi eu!

— Disso sei, pois, outra pessoa contou para ela...

— Acredito que sei que é, aquele fofoqueiro filho da... Olhe, foi por conta disso que vim aqui.

Ela se referiu a um funcionário da náutica, que já havia me prejudicado. Mantive então os olhos caídos sobre ela, aguardando a novidade.

— Vim pedir desculpas por falar daquele jeito com você e com minha mãe. Vocês são adultos e eu não tinha o direito de interferir na relação dos dois, tá?

— Tudo bem, apesar de Leonor não pensar assim...

— Ela está com a mãe?

— Sim e agora não sei o que acontecerá. Acredito que nem ela e muito menos Laura vão querer falar comigo tão cedo.

— Lamento.

— Ok. Aliás, como descobriu meu endereço?

— Minha mãe me deu.

— Ela pegou com o "fofoqueiro", né?

— Certamente...

Levantei e fui até a geladeira, mas desisti de me manter sóbrio naquela noite e a convidei para beber.

— Estou de carro Guilherme, obrigado.

— Então, beberei sozinho.

— Você devia parar com isso. Um cara tão legal quanto você, não pode ficar aí se acabando em bebida.

Ri do modo como ela se referiu a mim.

— Legal? Suponho que só presto para fazer sexo e olhe lá...

Lembrei de minha transa enlouquecida com Diana mais cedo, porém, nem percebi ao falar, mas imediatamente vislumbrei Eloísa surpresa com minha colocação.

— Desculpe.

Estranhei, pois, ela sorriu achando graça.

— Guilherme, não precisa se desculpar por ser sincero. Contudo, não concordo. Seja lá o que você tem que as atrai tanto, parece contagiar...

Nesse momento parei o movimento de levar o copo a boca e fiquei atônito.

— Contagiar? Do que você está falando?

Eloísa se levantou e foi até o balcão da cozinha, aproximando-se. Com olhar sério, a ruiva me revelou algo que nem imaginava.

— Você tem algo aí que atrai.

— Não estou entendendo.

— Quando me falaram que um cara "insistente" queria comprar o Monara, fiquei intrigada. Ao descobrir ser você, não sei porque, me senti atraída.

Senti um frio na espinha e até deixei o copo sobre a pia. Já não dava para continuar bebendo... Com aqueles olhos esverdeados me fitando, fiquei incomodado. Eu? Um cara tão mais velho e com idade de ser pai dela? Eloísa percebeu meu estado, mas continuou.

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